CONHECER DEUS (1); APERFEIÇOAMENTO DA FÉ DO HOMEM E DE SUA CONVICÇÃO

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Brief

A religião não é uma doença. Não há pessoa mais sã do que aquela que busca a realidade, tanto do mundo como de seu interior. A doença faz com que o homem se esqueça de todas as outras realidades, exceto sua própria dor e sofrimento.

As crenças humanas, assim como o conhecimento do homem, a ciência e a tecnologia progridem com o passar dos séculos. A religião antecede a história  e sempre comprometeu o afeto e a atenção da humanidade. A língua, a escrita e os meios de subsistência progrediram paralelamente com o crescimento espiritual e mental do homem. Sofrem altos e baixos tal como a condição humana. As religiões se multiplicaram, as deidades proliferaram. Algumas eram representadas como seres imaginários, algumas como animais e outras como seres humanos; e assim, passo a passo ascenderam ao metafísico, ao espiritual e ao transcendente; à realidade última da Unidade.

          O conhecimento e a religião têm origens modestas similares. Não se sabe ao certo se o caminho do homem à espiritualidade foi mais árduo do que seu caminho à ciência e à moralidade. As entidades tangíveis são mais fáceis de aceitar do que as idéias; o mundo visível  é mais fácil de ser percebido  do que o não visível. São exigidas muitas inteligências  para que as mentes ascendam  às alturas exigidas para o conhecimento do Divino. O sol é o mais óbvio dos objetos, brilha sobre tudo. Porém, a análise de sua composição e conformação só foi possível depois da criação e o abandono de inumeráveis hipóteses. Apesar da luz solar, a verdade que estava por trás das hipóteses permaneceram na escuridão. Esta escuridão se deu pela depravação ou depressão do pensamento. A ciência e o conhecimento eram igualmente decadentes e tiveram que atravessar as mesmas eras de mito e superstição, a exemplo das filosofias e crenças dos nossos antepassados.

          Os mitos e as lendas deram às tribos selvagens seus credos e desenvolveram sua moralidade. Lentamente o conhecimento e a experiência alcançaram um nível capaz de unir a unidade e o sentido de ordem da criação e a perfeição matemática das relações entre fenômenos naturais. Disso, o homem deduziu que tudo obedecia à vontade de um único Criador, um outro totalmente diferente de qualquer objeto visível. Deduziu, também,  que cada efeito tem sua causa própria separada e há uma criação independentemente para cada fenômeno. E foram além. Em etapas anteriores, imaginaram que tais criações, ou criadores, tinham forma ou aspecto de animais. As especulações avançaram, do homem aos espíritos e, finalmente, ao Único.

          Pesquisas realizadas em todas as regiões e eras demonstram que este progresso é uma expressão da essência da natureza do homem tal como o é a língua, o pensamento e os costumes.

                                   

          A faculdade que distingue o homem do resto dos animais é a sua mente; um recém nascido manifesta este poder mental. À medida que seu corpo cresce, da mesma maneira crescem seus músculos mentais. Desenvolvem-se a observação, a reflexão, a comparação, a dedução, a imaginação, a previsão e a cognição. Assim como o físico, a mente também deve mover-se e exercitar-se. Assim como a comunidade física do estado político e mundial devem avançar mediante o esforço unificado, o mesmo deve  fazer a comunidade mental, intelectual, ética, filosófica e científica da humanidade à mercê do esforço mútuo.

          Durante os milênios da existência humana, o homem conseguiu  um acúmulo de idéias, aprofundando, ampliando e intensificando-as século após século. Finalmente este acúmulo enriqueceu-se e ofereceu tanto que gerou a fé e a convicção. Isto constituiu um grande avanço para o homem, tal como foi cada descobrimento. Fez nascer uma nova era na história e deu um sentido à existência na busca de valores não conhecidos anteriormente.

          Apesar da aceitação da ciência sobre a base de investigações históricas de que o sentido religioso é uma das qualidades mais antigas do ser humano, há diferentes idéias quanto a suas origens e como surgiu. Algumas defendem que a humanidade se sentia oprimida por sua debilidade e impotência diante das forças da natureza e das criaturas viventes e, por isso,  dedicou-se à religião.

          Mas a debilidade não pode explicar a religião. A fonte de fé não é a debilidade. Os crentes mais convictos não são débeis nem frágeis. Os santos e profetas que levaram a humanidade ao caminho da fé em segurança, eram pessoas com poder de decisão, vontade, força e fé religiosa. Que poder pôde armar estas nobres personalidades em sua luta santa contra a rebelião, a maldade e a corrupção? Poderia a esperança no ganho material ou no êxito político lhes dar força para resistir à amargura da tragédia, da perseguição e da oposição? Jamais!

          Portanto não é o sentimento de debilidade que fortalece a fé. Os pioneiros que conduziram a humanidade pelo caminho da religião não poderiam tê-lo feito a partir da debilidade, inferioridade e impotência.

          Quanto mais o homem conhece  a glória do mundo e penetra nos segredos do universo com maior intensidade, mais cresce sua fé.

          A religião não é uma doença. Não há pessoa mais sã do que aquela que busca a realidade, tanto do mundo como de seu interior. A doença faz com que o homem se esqueça de todas as outras realidades, exceto sua própria dor e sofrimento.

          A fé e a convicção são assuntos muito extensos para desenvolvê-los na  esfera de um tratado. É um vasto domínio. Sua exploração deve alcançar todos os aspectos. Tal  como no estudo de cada qualidade da natureza humana, nenhum tratado pode envolver toda a esfera de suas causas e efeitos.

          O depósito rico em tesouros de fé e convicção não pode ser inventariado em nenhum tratado; não mais do que podem quaisquer dos movimentos mais profundos no coração humano. Nenhuma definição pode abranger alguma delas. Por exemplo, “amor” é mais que “afeto por outro”, “atração pela beleza”, “altruísmo” ou mesmo uma combinação dos três. Que tratado pode indagar a profundidade da realidade do que é o amor em sua totalidade? Logo, menos pode-se explicar o universo de existência e a realidade de sua totalidade?

          A ciência e a arte da Medicina progrediram da superstição e magia até converter-se em um ofício útil. A Química se transformou da alquimia e fantasia à ciência moderna. Inevitavelmente, a investigação começa com hipóteses erradas e mediante ensaios busca e encontra a verdade.

          Várias pessoas dizem “as religiões têm errado”. É verdade, mas esse não é um argumento adequado – apesar do uso dado por inimigos de Deus – afim de refutar a existência de Deus. Os erros não são mais que tropeços da humanidade em sua busca da verdade.

          Bertrand Russel disse que a religião está fundada no medo humano; medo do desconhecido, da morte, da destruição, dos mistérios.[1]  Não há razões para sustentar seu argumento, assim como não pode responder à pergunta: “Se o medo é o único motivo que impulsiona o homem a dirigir-se ao Criador, isso prova que não existe o Criador? “Ou mesmo, se é em busca de um refúgio por medo que o homem descobrisse Deus; isto invalida sua realidade”? Invalidaria a realidade de qualquer outra verdade que o homem deveria descobrir sob o impulso do temor? Se é o temor ao relâmpago que levasse o homem a descobrir os segredos da eletricidade, é então, a eletricidade menos real por isso?

          É verdade que a fé em uma Providência onisciente e onipotente é bastante manifesta em momentos difíceis. Essa é uma questão. Outra, totalmente diferente, é se o primeiro impulso do homem em busca de algum refúgio adveio  do medo. Ambas as interrogações devem ser tratadas separadamente.

[1] Por Qué No Soy um Cristiano, pág.37.

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