A Mulher Entre a Situação Histórica e a Exclusão Social (2)

A Mulher Entre a Situação Histórica e a Exclusão Social (2)

Uma visão sobre a posição da mulher
na história humana

Nosso objetivo não é essencialmente explicar que a mulher foi um alvo de sofrimento através da história humana, e sim, apresentar fatos de como ela está sofrendo em várias sociedades atuais. Por que apenas confrontar o passado e o presente não é o objetivo desses estudos.
É indispensável dar uma breve olhada em algumas dessas manifestações dolorosas do passado para colaborar na apresentação da comparação real entre a invocação libertadora e abrangente do Islam para as mulheres e as posições das sociedades afastadas de Deus, o Altíssimo, ou aquelas que rejeitam o método divino em todos os assuntos, entre eles o assunto da mulher.
Entre as diferenças que regem as sociedades que não se orientam sob a égide de Deus e seus valores celestiais abençoados, destaca-se a discriminação entre o homem e a mulher. Elas são sociedades de uma única visão, na prática e na teoria em relação ao tratamento negativo para com a mulher, que possuem bases na autoridade dominante do homem.
A mulher na maioria das sociedades antigas e em várias sociedades contemporâneas é tratada como um meio para o prazer sexual ou um objeto material a disposição total do homem, que acaba tratando-a da mesma forma como trata os animais ou um móvel de sua casa.
Eis aqui alguns relatos das humilhações sofridas pela mulher nas diversas sociedades humanas:
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Na época da ignorância que reinou na Península Arábica antes da revelação da Mensagem Islâmica, durante as guerras e confrontos entre as nações e povos, algumas tribos arábes começaram a sepultar as filhas e mulheres temendo que caíssem nas mãos de seus adversários como prisoneiras de guerra, um método que acabou sendo mantido entre as tribos por razões econômicas ou mera necessidade financeira.
O método do enterro acontecia de uma maneira severa onde a menina era colocada em uma cova e enterrada viva.
O povo daquela época usava métodos diversos, alguns deles, quando nascia uma filha, deixavam que ela crescesse até seus seis anos de idade, neste ponto o pai pedia à mãe que lavasse e vestisse a filha com as melhores roupas, e que perfumasse a criança para que fosse levada à casa dos parentes. Na verdade, ele já havia preparado um poço no deserto, e quando eles chegavam perto deste ponto, o pai pedia à menina que olhasse dentro do poço, neste momento ele lhe dava um empurrão e ela caía dentro do poço, ao ponto que ele a cobria com terra.
Em outras tribos, quando a mãe sentia a dor do parto sentava em cima de um buraco, se o bebê recém nascido fosse uma menina a mãe deixava cair no buraco, e se fosse menino ela se levantava com ele.
Outras tribos, ainda que não enterrassem as meninas, deixavam que elas crescessem humilhadas, apenas pastoreando o rebanho, e vestindo-lhes com um roupão rústico de lã de carneiro1.
A profundidade desta catástrofe humana foi demonstrada nos registros proféticos, que citam que uma pessoa chamada Kais Bin Assem Al-Tamimi veio para o Profeta Mohammad (S.A.A.S) e disse lhe: “Eu sepultei vivas oito meninas na época da ignorância
pré-Islâmica”. O Profeta (S.A.A.S.) respondeu-lhe: “Libertai um escravo por cada uma delas”. Então, ele disse: “Eu só tenho camelos”. Então, o Profeta (S.A.A.S.) falou: “Presenteie a quem quiser por cada uma delas, com um camelo”.2
1. Saed Kotob. “Fi Dhilal Al Quran” (Na Sombra do Alcorão). Volume 8 – Página 479 – Ehya Al-Torath Al-Arabi (Editora Tradição Árabe).
2. Al Shaik Abu Ali Al Tabrasi. “Majma Al Bayan” (Coletânea Al Bayan).
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Na Roma antiga a mulher era considerada uma propriedade do homem, uma peça entre os artigos mais baratos, e o homem usufruía dela do jeito que quisesse, pois era como algo sem valor, uma impureza que jamais viveria a outra vida. Ela não podia comer carne,
não deveria sorrir e deveria passar o tempo todo a serviço do homem de uma forma humilhante.3
No Império Persa o homem tinha direito de juntar na casa dele algumas centenas de mulheres.4 O imperador “Khasro Barwiz” conservava no seu castelo três mil mulheres, e ainda assim não saciava o seu desejo sexual.5 E era muito comum naquela época o costume de ter várias esposas, assim como o costume de ter relações sexuais com as mulheres de outros homens.6
Na Europa medieval, a visão sobre a mulher, como recapitulou Tatolian, um dos líderes entre os teólogos europeus do período medieval, era a seguinte: “Ela é a porta de entrada do demônio na alma do ser humano, rebelada na lei de Deus, e deturpadora da imagem divina”.
Todos os lemas de liberação e de igualdade da mulher que se ergueram no século vinte não conseguiram conquitar a honra e a felicidade para a mulher. E em algumas sociedades os mesmos problemas foram radicalizados e estão sendo repetidos.7 Por exemplo, o costume do sepultamento de meninas vivas ainda é praticado em pleno século vinte8 em alguns países do mundo. Recentemente, algumas mulheres chinesas e indianas fizeram uma operação para abortar seus bebês quando descoberto que os mesmos seriam do sexo feminino.
Explicação dos Significados do Alcorão: Volume 10 – Página 442.
3. Abdallah Al Afifi. “Haq Al-Zauj ala zaujatehe ua haq al-zauja ala zaujeha” (O direito do marido para com a esposa, e o direito da esposa para com o marido). Páginas 12 e 13.
4. Murtada Mutaheri. “Os Direitos da Mulher no Islam”. Editora Islâmica Arresala.
5. Murtada Mutaheri. “Mas´alatul Hijab” (A Questão do Hijab).
6. Murtada Mutaheri. “Os Direitos da Mulher no Islam”. Editora Islâmica Arresala.
7. Abdallah Al Gadami. “Al-Mar´a wal Lughah” (A Mulher e o Idioma).
1º edição: Al Dar Al Baida. Página 17.
8. Nota do editor: de acordo com o período de escrita desta obra.
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E em Londres, uma clínica está fazendo uma seleção genética para separar os genes masculinos, com o intuito de anular os femininos.
E tudo isso se acrescenta ao sepultamento cultural que a mulher enfrenta em muitas das sociedades.9
A respeito da transgressão da missão central da mulher e seu papel real na construção sadia da civilização, e diante de todos os erros que a Europa moderna cometeu devido ao exagero no tratar da função da mulher na vida humana, o ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, disse no seu livro “A Perestroika”: “O governo soviético conseguiu acabar com firmeza e sem trégua com toda a discriminação em relação aos direitos da mulher, o que caracterizava a Rússia dos czares. Ele igualou a mulher e o homem totalmente no ponto de vista social, e garantiu essa igualdade por lei. Nós temos orgulho do que a autoridade soviética conquistou para as mulheres: há o direito equivalente entre o homem e a mulher no trabalho, e não há lugar paras as diferenças nos salários e nos direitos da previdência social. A mulher conseguiu conquistar todos os direitos na educação, na evolução no campo do trabalho e na participação nas atividades sociais e políticas, e se não tivéssemos essa participação ativa da mulher não conseguiríamos construir uma nova sociedade e tampouco enfrentar o fascismo na guerra. O resultado desta operação foi simplesmente que a mulher que começou a ganhar mais espaço nas construções, nas indústrias, nos setores de serviços e ciência e na área das artes e invenções, começou a dar menos tempo para os assuntos mais vitais e os assuntos da família. E foi provado que muitos problemas, seja na área de como agir com as crianças e adolescentes ou nas questões morais e sociais como educação ou até mesmo produção, estão relacionados com o fracasso das ligações familiares e as falhas e problemas nas obrigações familiares. Está é a diferença que marcou, apesar de que nós tenhamos uma ambição sincera, confirmada politicamente, a igualdade da mulher com o homem em todas as áreas.
9. Abdallah Al Gadami. “Al-Mar´a wal Lughah” (A Mulher e o Idioma).
1º edição: Al Dar Al Baida. Página 17.
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Na caminhada da Perestroika nós começamos a corrigir essa falha, por isso o assunto está sendo debatido com vigor na imprensa e nas organizações sociais. Em todos os lugares, seja no trabalho ou nos lares, a questão de como resgatar a posição real da mulher é debatida. 10
Gorbachev falou claramente sobre o fracasso da experiência da civilização contemporânea da Europa Oriental no seu relacionamento com a mulher, colocando-a num local injusto que ultrapassou os limites naturais que Deus lhe concedeu para iluminar a vida e construir a civilização humana ao lado do homem, cada um com suas propriedades biológicas e psicológicas particulares, que lhes dão condição para complementar o papel de seu irmão na grande operação de construção da civilização. Isto através de uma participação mútua e sensível de acordo com o papel de cada um.

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