Dia Mundial de Combate à Tuberculose: doença continua a matar milhares de pessoas em África

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  • Font : parstoday
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Celebra-se naulamente o dia 24 de março como o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, doença que mata uma pessoa a cada 18 segundos.

Moçambique e Angola estão entre os 20 países no mundo com maior incidência da doença.

A data foi criada em 1982 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em homenagem aos 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882, pelo médico Robert Koch. Segundo estimativas da OMS, um terço da população mundial está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis  e em risco de desenvolver a doença. Há cerca de 8,8 milhões de doentes em 2017  no mundo.

O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, data que pretende consciencializar a população sobre esta doença que é responsável pela morte de uma pessoa a cada 18 segundos, cerca de 1,8 milhões por ano. 2017 é o segundo e último ano da campanha levada a cabo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) intitulada "Unidos para por fim à Tuberculose” e que pretende evitar que a falta de informação sobre a doença contribua para um diagnóstico tardio.

Neste dia Mundial da Tuberculose, Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África, alerta para o facto desta doença continuar a ser uma das dez principais causas de morte no mundo, lembrando que um em cada quatro novos casos de infeção ocorre no continente africano, que conta também com 16 dos 30 países que têm o fardo mais elevado da doença. 

O mais recente relatório global sobre a tuberculose da OMS, divulgado em outubro do ano passado, dá conta que Moçambique e Angola estão entre os 20 países no mundo com maior incediência da doença, tendo registado, em 2015, 154 mil e 93 mil novos casos, respetivamente.

Moçambique e Angola estão entre os 20 países no mundo com maior incediência da tuberculoseage 

Angola continua a registar novos casos

Neste dia, João Chiwana, diretor clínico do Hospital Sanatório da capital angolana, dá conta da sua preocupação com o crescente número de casos registados na sua unidade hospitalar. De acordo com este responsável, Luanda está a registar mais de 500 novos casos da doença por mês. João Chiwana explica que as novas infeções são maioritariamente pulmonares e tendem a crescer significativamente, devido à ineficácia dos programas de combate à tuberculose desenvolvidos e à procura tardia pelos doentes de tratamento. 

Doença mata 35 mil pessoas por dia em Moçambique

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) estima que, em Moçambique, a doença mate 35 mil pessoas por dia. Num seminário alusivo ao Dia Mundial da Luta contra a doença, que se realizou recentemente, o chefe da missão da MSF em Moçambique, Lucas Molfino, afirmou que o país precisa de criar capacidade de diagnóstico e tratamento nas unidades de saúde de nível mais baixo e não concentrar estas competências nos principais hospitais. "A resposta [contra a tuberculose] deve ser multissetorial, descentralizando os cuidados de saúde e mobilizando a sociedade para um compromisso contra esta doença", afirmou.

O chefe da missão da MSF apontou a elevada incidência do VIH/SIDA como uma das causas da resistência da tuberculose ao tratamento em Moçambique, assinalando que cerca de 11% da população moçambicana está infetada por aquela doença.

Segundo a OMS, dos 154 mil novos casos de tuberculose registados em Moçambique, em 2015, 83 mil são homens, 56 mil são mulheres e 15 mil são crianças, com menos de 15 anos. Mais de metade dos novos casos (52%) são pessoas também infetadas com o HIV.

"Dados apontam para diminuição” em Cabo Verde, diz ministro

Também esta semana foram divulgados os dados do relátorio das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Humano. Foi neste contexto que Arlindo do Rosário, ministro da Saúde de Cabo Verde, deu conta que, de acordo com os dados disponíveis em relação "à tuberculose e ao HIV, "a tendência é para a diminuição dos casos". Uma informação que vai no sentido contrário à divulgada no IDH  que dá conta de um aumento de casos de tuberculose e VIH em Cabo Verde.

Guiné-Bissau: Tuberculose associada ao HIV

Na Guiné-Bissau, a tuberculose é também uma realidade. Os dados da ONU dão conta que cerca de mil pessoas seronegativas e 1.500 pessoas seropositivas morreram no país em 2015 por causa da tuberculose. A OMS estima que a Guiné-Bissau tenha registado 6.600 novos casos de tuberculose neste mesmo ano (369 em cada 100 mil habitantes), dos quais 40% (2.900) em pessoas com HIV positivo.

Cada paciente com tuberculose pulmonar que não se trata, pode infectar em média 10 a 15 pessoas por ano. Alguns fatores contribuem para a disseminação da doença, tais como a pobreza e má distribuição de renda, a AIDS, a desnutrição, as más condições sanitárias e a alta densidade populacional. 

Sinais e sintomas

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa que afeta principalmente os pulmões, mas também pode acometer órgãos como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro).Pessoas com AIDS, diabetes, insuficiência renal crônica, desnutridas, idosos doentes, alcoólatras, dependentes de drogas e fumantes são mais propensos a contrair a tuberculose.

Os sinais e sintomas mais frequentes são:-

Tosse seca ou com secreção por mais de três semanas, podendo evoluir para tosse com pus ou sangue;

- Cansaço excessivo e prostração;

- Febre baixa geralmente no período da tarde; 

- Suor noturno;

- Falta de apetite;

- Emagrecimento acentuado;

- Rouquidão.

Alguns pacientes, entretanto, não exibem nenhum indício da doença, enquanto outros apresentam sintomas aparentemente simples, que não são percebidos durante alguns meses. Pode ser confundida com uma gripe, por exemplo, e evoluir durante 3 a 4 meses sem que a pessoa infectada saiba, ao mesmo tempo em que transmite a doença para outras pessoas.A transmissão da tuberculose é direta, de pessoa a pessoa. O doente expele, ao falar, espirrar ou tossir, pequenas gotículas de saliva que podem ser aspiradas por outro indivíduo.

Prevenção e tratamento

A vacina BCG é obrigatória para menores de um ano, pois protege as crianças contra as formas mais graves da doença. A melhor forma de prevenir a transmissão da doença é fazer o diagnóstico precoce e iniciar o tratamento adequado o mais rápido possível. Com 15 dias após iniciado o tratamento, a pessoa já não transmite mais a doença. O tratamento deve ser feito por um período mínimo de 6 meses, diariamente e sem nenhuma interrupção. O tratamento só termina quando o médico confirmar a cura total do paciente.

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