Guterres condena violência na Birmânia. Há 58.600 rohingya em fuga

  • Código da notícia : 852072
  • Font : www.publico.pt
Brief

Governo da Birmânia culpa grupo de revoltosos pela destruição de 2600 casas. ONG desmente regime de Suu Kyi. ONU diz que estão em fuga 58.600 rohingya.

O secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres, condenou esta sexta-feira a violência na Birmânia e apelou à calma para que se evite uma catástrofe humanitária. A ONU estima que neste momento estejam 58.600 rohingya, uma minoria muçulmana que há décadas é perseguida na Birmânia, em fuga para o Bangladesh e o governo de Aung Suu Kyi confirma que foram destruídas 2600 casas no Noroeste do país, resultado do confronto entre o exército e um grupo armado de revoltosos.

Guterres está "profundamente preocupado com os relatos de excessos durante as operações de seguranças conduzidas pelas forças de segurança da Birmânia no estado de Rakhine" desde o dia 24 de Agosto, disse o porta-voz da ONU numa declaração na sexta-feira. O secretário-geral exige ao Governo da Birmânia que assegure assistência e segurança a todos os que precisem e que autorize a ONU e os seus parceiros a providenciar ajuda humanitária, tanto no país como no Bangladesh.

Os dados mais recentes das Nações Unidas dão conta que nas última semanas já fugiram do país 58.600 muçulmanos rohingya. E se a ONU fala na possibilidade de uma catástrofe humanitária, os refugiados não têm dificuldade em apelidar o que se está a passar naquele estado como "um genocídio" e uma perseguição à minoria étnica. 

Mas o que se está a passar não é claro, não é inédito e há diferentes interpretações. O Governo diz que está a responder a um ataque levado a cabo por um grupo armado de terroristas conhecido pelo nome de Exército de Salvação dos Rohingya de Arracão (ESRA). Fontes governamentais contam que desta operação já morreram 399 pessoas e que 370 "eram terroristas", avança a CNN. Contudo, os activistas dizem que os militares mataram mulheres, crianças e inocentes. 

Os dados são dados de parte a parte. Os Governo diz que o ESRA é responsável pela destruição pelo fogo de 2600 casas em algumas aldeias de Rakhine, e que está apenas a responder ao ataque que foi levado a cabo por este grupo contra postos de polícia nos últimos tempos. No entanto, a organização não-governamental (ONG) Humans Rights Watch (HRW) desmente esta afirmação. Depois de analisarem imagens satélite da zona, garantem que as autoridades atearam fogo propositadamente.

"As novas imagens de satélite mostram a destruição total de uma aldeia muçulmana e suscitam sérias suspeitas de que o nível de destruição no estado de Rakhine pode ser muito pior do que inicialmente se pensou" disse o vice-presidente da HRW para a Ásia, Phil Robertson citado pela Reuters.

O que é certo é que estes confrontos estão a obrigar milhares de rohingya a fugir do país e a tentarem ir para o Bangladesh. Contudo, a maioria está naquilo a que se pode chamar "a terra de ninguém". 

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