Tunísia recupera 73 cadáveres de migrantes do naufrágio de barco

Tunísia recupera 73 cadáveres de migrantes do naufrágio de barco

Pelo menos 73 cadáveres foram recuperados desde o naufrágio de uma embarcação precária, com mais de 180 migrantes a bordo, no domingo, em frente à costa meridional da Tunísia, no pior acidente desta natureza ocorrido no Mediterrâneo desde fevereiro.

De acordo com o Ministério do Interior, as condições meteorológicas têm dificultado as operações de busca no mar e as autoridades tunisinas creem que 60 pessoas se encontram ainda desaparecidas, enquanto a Organização Internacional de Migrações (OIM) estimou hoje que morreram 112 pessoas.

O porta-voz da OIM, Leonard Doyle, disse que estão já confirmados 60 mortos e outras 52 pessoas estão desaparecidas nas águas do Mediterrâneo e presumivelmente mortas.

Apesar do atraso nos trabalhos de identificação, apenas 44 cadáveres recuperados foram entregues às suas famílias, enquanto outros 20, supostamente de migrantes de África Subsaariana, serão sepultados hoje de modo anónimo, de acordo com a imprensa local.

Hoje, o Fórum Tunisino para os Direitos Económicos e Sociais (FTDES) lançou um protesto no centro da capital para reclamar um maior compromisso do Governo tunisino, ao qual se associaram duas dezenas de familiares de outros naufrágios.

"Advertimos o Governo que a situação está a piorar: as dificuldades económicas e sociais persistem e os traficantes continuam a trabalhar. O problema persiste: a juventude já não tem esperança neste país", declarou à agência Efe o presidente da FTDES, Masoud Romdhani.

A pequena embarcação, com capacidade para 90 pessoas, abandonou de noite a ilha de Kerkennah, a cerca de 20 quilómetros de Sfax, a segunda maior área urbana da Tunísia.

Duas horas depois de ter zarpado, a cinco milhas náuticas da costa, o capitão do barco lançou um pedido de socorro.

Testemunhos de várias pessoas resgatadas referem que o capitão mandou que "se livrasse" de alguns dos passageiros para equilibrar o peso e a embarcação balanceou até se voltar, sem que antes tenha escapado para um segundo barco, juntamente com os seus dois cúmplices.

A Organização Internacional para as Migrações estimou hoje que 112 pessoas tenham morrido no naufrágio de sábado à noite na costa sul da Tunísia, considerando que este foi o mais grave incidente do género desde o início do ano.

Segundo o porta-voz da agência das Nações Unidas para as migrações (OIM), Leonard Doyle, estão já confirmados 60 mortos e outras 52 pessoas estão desaparecidas nas águas do Mediterrâneo e presumivelmente mortas.

Sessenta e oito pessoas sobreviveram ao naufrágio da embarcação que tinha capacidade para apenas 70 ocupantes, mas onde seguiriam mais do dobro, segundo testemunhas.

Este foi o naufrágio mais mortífero desde que duas outras embarcações precárias se afundaram, em janeiro e fevereiro, ao largo da costa líbia, deixando cada uma delas 100 pessoas mortas ou desaparecidas.

Kerkennah é a principal cidade de partida para a ilha italiana de Lampedusa, a apenas 160 quilómetros de distância, ainda que a saída de imigrantes ilegais rumo à Europa é menos frequente na Tunísia do que nas vizinhas Líbia e Argélia.

A maioria do que se aventuram a atravessar o mar são jovens desempregados tunisinos, que buscam uma esperança de futuro, fugindo de uma aguda crise económica em que o país está mergulhado e que colocou em risco a única transição democrática que sobreviveu às asfixiadas "Primaveras Árabes".

Perante a gravidade do acidente de domingo, o primeiro-ministro tunisino, Youssef Chahed, destituiu na quarta-feira o titular da pasta do Interior, Lotfi Brahem.

Menos de 24 horas antes, Brahem demitiu 10 altos funcionários de segurança em uma investigação aberta após o naufrágio, incluindo o chefe dos serviços secretos do distrito de Kerkennah e o chefe da Guarda Nacional do porto vizinho de Sfax.

O Governo tunisino comprometeu-se a reforçar a luta contra as redes criminais que operam no Mediterrâneo, cuja atividade apelidou de "drama nacional", e ordenou um aumento das patrulhas e a melhoria dos seus equipamentos.

Nas últimas horas, dois traficantes foram detidos com 19.000 euros durante una operação policial.

Na passada segunda-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador de Itália depois das declarações do recente empossado ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, que acusou o país magrebino de "exportar delinquentes" e prometeu expulsar meio milhão de imigrantes nos próximos cinco anos.

Antes da tragédia, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estimou que 646 morreram já este ano enquanto tentavam atravessar o mar Mediterrâneo e chegar à Europa.

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