Mete medo até nas manobras': como é o serviço dos fuzileiros navais russos?

Mete medo até nas manobras': como é o serviço dos fuzileiros navais russos?

A Sputnik conta como decorrem as manobras de desembarque anfíbio e o que sentem os fuzileiros navais dentro do equipamento militar.

Eles chegam do mar

O desembarque anfíbio no litoral é uma operação militar difícil. O plano é elaborado com antecedência, mas no decorrer da operação ele pode ser mudado.

Ex-comandante da Frota do Norte, Vyacheslav Popov, disse à Sputnik que "os fuzileiros navais quase nunca lutam de forma independente. Quaisquer ações em terra ou no mar são necessariamente apoiadas do ar. Previamente é realizado um bombardeio da costa pela artilharia e aviação, na área de desembarque são posicionados navios de apoio. Na costa são sempre desembarcados grupos de assalto, inclusive a partir do ar".

Até à zona da operação os fuzileiros navais, bem como os equipamentos, são transportados por grandes navios de desembarque anfíbio. Alguns deles podem se aproximar diretamente da costa, mas se isso for impossível por causa do relevo do fundo ou por qualquer outra razão, os blindados superam o resto navegando. A distância pode ser de 500 metros até um quilômetro.

É de assinalar que os fuzileiros navais começam a combater ainda na água, o adversário oferece necessariamente resistência, atirando contra os alvos que se aproximam da costa — veículos blindados de transporte, veículos de combate de infantaria, etc.

O perigo principal é que um veículo atingido pode se afundar junto com os militares, por isso eles são ensinados a abandonar o veículo em situação de emergência. Além disso, na zona de operação há sempre navios de salvamento.

Salto na água

"Quando você mergulha a partir do navio no mar, as sensações são controversas", disse à Sputnik Ruslan Arkhidzyanov, marinheiro sênior e condutor de um veículo de transporte blindado. Ele assinala que a coisa mais importante é não se desorientar e ligar a tempo todos os dispositivos. O chefe do veículo, que pode atingir até 12 km/h, é que comanda as ações, mas também muito depende da preparação do motorista.

Arkhidzyanov recorda que durante o serviço não presenciou situações de desorientação ou que alguém não tinha cumprido suas funções. Passado algum tempo, "você faz tudo automaticamente", assinala. Mas o marinheiro diz que a distância até à costa pode ser muito diferente, e a profundidade ser muito grande, por isso reconhece que até as manobras "metem medo".

Fixar-se na costa

Os fuzileiros navais dispõem de vários tipos de veículos blindados flutuantes, capazes de superar obstáculos aquáticos profundos. Em geral, são veículos blindados de transporte de diversas modificações. Os mais modernos são os veículos BTR-82A equipados com um canhão de 30 milímetros 2А72 e uma metralhadora Kalashnikov de 7,62 milímetros. Os veículos também têm meios de comunicação de quinta geração e um sistema de orientação topográfica avançado.

Um navio de desembarque anfíbio pode desembarcar equipamento militar tanto pela proa, como pela popa. A estrutura dos navios de desembarque grandes permite efetuar o desembarque com ondulação no mar de nível quatro. Mas nas circunstâncias reais, tudo normalmente acontece em meio a fogo a partir da costa, porque o inimigo tenta impedir que os fuzileiros se aproximem.

Como consequência, o objetivo principal dos apontadores dos veículos blindados é detectar a partir da água e eliminar as posições de fogo e a infantaria inimiga com as armas dos veículos. No entanto, se um veículo for sujeito a ataque, ele pode retaliar sem ordem do comandante do grupo, já que isso é considerado um ataque direto.

No arsenal dos fuzileiros navais também há tanques T-72 e T-80. Eles não flutuam, por isso desembarcam diretamente no litoral, onde com seu apoio de fogo os fuzileiros navais se fixam no terreno e preparam uma testa de ponte para seu avanço posterior.

De grande capacidade e universal

Dos navios de desembarque grandes em serviço da Marinha cerca de 20 são do projeto 1171 (da classe Nikolai Filchenkov) e 775 da classe Tsezar Kunikov. Os engenheiros nacionais começaram a elaborar e construir navios especiais para transporte de equipamento militar e desembarque anfíbio ainda nos finais dos anos 50.

O navio de desembarque mais moderno e avançado construído para a Marinha da Rússia é o do projeto 11711 Ivan Gren. Ele vai entrar em serviço da frota muito em breve. Tem capacidade para 300 militares, 13 tanques ou 40 veículos blindados de transporte.

Tais navios são usados não só para desembarque. Eles são multifuncionais e durante os conflitos militares servem de "arcas" de salvamento para a população civil. Por isso, nenhuma grande operação militar pode se efetuar sem navios de desembarque.

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