O Iraque vai dizer adeus aos EUA? Como a vitória eleitoral de um ex-guerrilheiro poderia ajudar

O Iraque vai dizer adeus aos EUA? Como a vitória eleitoral de um ex-guerrilheiro poderia ajudar

A vitória do ex-guerrilheiro iraquiano Muqtada Sadr é um fracasso abrupto da guerra iniciada pelos EUA no Iraque iniciada com o objetivo de criar um "Estado sob medida" no Oriente Médio. O ex-diplomata canadense Patrick Armstrong explicou porque a eleição de Sadr é um verdadeiro tapa na cara dos EUA.

Como o ex-diplomata aponta, um novo país pode ter sido criado, "mas não é o que Washington queria".

Sadr ficou famoso ao organizar o Exército Mahdi, que desde 2003 se tornou uma verdadeira dor de cabeça para os EUA por suas ações de guerrilha contra as forças da coalizão.

Portanto, a política "neoconservadora" de Washington não só não conseguiu controlar o Iraque e reduzir a influência regional do Irã, como também teve o seu efeito oposto, disse o ex-diplomata.

"[A vitória de Sadr] destaca o fato de que, no final, a intervenção [da coalizão] na região deu ao Irã mais influência do que teria por conta própria", explicou.

Armstrong não é o único a fazer essa leitura da vitória de Muqtada Sadr no Iraque.

O diretor do Centro Institucional Independente para a Paz e Liberdade, Ivan Eland, também considera que os resultados das eleições no Iraque são um duro golpe para a estratégia dos EUA no país.

De acordo com o especialista, o objetivo de Washington era desenvolver um sistema político democrático no Iraque, algo que só era "válido" se o governo iraquiano recebesse a aprovação dos EUA.

"Normalmente, a política externa dos EUA apóia a democracia até que o povo de um determinado país escolha um líder que não seja amigo dos EUA, isto é, os Estados Unidos geralmente preferem um líder amigo em vez de um líder democraticamente eleito", concluiu. Eland

Sadr fundou sua coalizão eleitoral após as eleições de 2014 e aproveitou o caos e o descontentamento popular com a política parlamentar do Iraque.

Dada a visão política do ex-guerrilheiro, de agora em diante, "Washington terá dificuldades em influenciar a política iraquiana", disse à mídia russa o cientista político russo Vladimir Isayev, cientista político do Centro Russo de Estudos Árabes.

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