Adeus ao poder: presidentes latino-americanos que deixarão cargo em 2018

Adeus ao poder: presidentes latino-americanos que deixarão cargo em 2018

Os altos e baixos eleitorais estão delineando uma mudança no mapa político da América Latina, com alterações nas lideranças e nos equilíbrios de forças. Sputnik lhe apresenta seis dos líderes que vão se despedir do mandato no próximo ano.

Brasil — Michel Temer

No último dia de 2018 o presidente do Brasil deve deixar o cargo que assumiu após o controverso julgamento político à mandatária eleita popularmente, Dilma Rousseff, destituída em agosto de 2016.

Este político do PMDB foi o vice-presidente na chapa que levou ao Palácio do Planalto a presidente Dilma nas eleições de 2014. Temer retirou seu apoio ao PT e se tornou um dos principais impulsionadores do julgamento político contra a mandatária.

Salpicado por acusações de corrupção passiva com supostos testemunhos fornecidos por um empresário do sector da carne e com vários de seus aliados atrás das grades ou investigados, em seu breve mandato Temer conseguiu impulsionar reformas impopulares, como as alterações à legislação trabalhista, o aumento da idade de reforma e a privatização de recursos naturais e infraestruturas.

A popularidade de Temer caiu para um mínimo histórico, com mais de 90% de brasileiros que desaprovam sua gestão. Por isso, uma eventual reeleição é inviável.

Em um quadro de extrema polarização, são duas as maiores lideranças que são traçadas para substituí-lo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) está em primeiro nas pesquisas, apesar dos processos por suspeita de corrupção contra ele e de uma condenação suspensa em processo de apelação. Atrás dele segue o ultraconservador Jair Bolsonaro, vinculado a setores evangélicos e militares com suas polêmicas declarações em defesa de torturadores e ditadores da recente história brasileira.

Chile — Michelle Bachelet

A socialista Michelle Bachelet será substituída pelo ex-presidente conservador Sebastián Piñera (2010-2014). As eleições de novembro e dezembro de 2017 marcaram uma alternância no poder.

Ambas as figuras têm experiência desta situação: Bachelet, também presidente de 2006 a 2010, cedeu o passo a Piñera no seu anterior mandato. Aquela ocasião foi a primeira depois da restauração da democracia, em 1990, em que um presidente de centro-direita ganhou as eleições, depois de 20 anos de governos da Concertación de Partidos por la Democracia (Coalizão de Partidos pela Democracia), a aliança das forças de centro-esquerda nascida em 1988.

Bachelet, filha de um general próximo a Salvador Allende submetido a tortura durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e morto em reclusão, promoveu reformas importantes em seu segundo mandato (2014-2018) que desafiaram o esquema neoliberal imposto pelo regime militar.

As alterações de Bachelet à legislação trabalhista reforçaram os mecanismos de negociação coletiva e estabeleceram as condições de trabalho de cada setor como base para mudanças futuras, no sentido contrário às reformas em outros países como a Argentina ou o Brasil.

A presidente baixou os impostos aos particulares e aumentou os das empresas, uma medida criticada por Piñera.

As grandes mobilizações pelo sistema de pensões — gerido por administradoras privadas — e os baixos pagamentos recebidos pelos desempregados, somado a multitudinárias manifestações para exigir a gratuidade da educação superior foram os maiores obstáculos que Bachelet enfrentou. Embora se avançasse na ampliação da cobertura da educação sem nenhum custo para os jovens, os grêmios estudantis consideram que se deve avançar ainda mais.

Colômbia — Juan Manuel Santos

Após as eleições presidenciais de maio de 2018, Santos vai deixar a Casa de Nariño com uma conquista essencial: a concretização de um acordo de paz com as FARC, um marco que encerra um sangrento capítulo de mais de meio século.
O antigo grupo guerrilheiro se integrará à vida política após as eleições legislativas que se levarão a cabo durante o próximo ano. O processo ajudou ao presidente ganhar o prêmio Nobel da Paz em 2016.

Das reformas prometidas na campanha de 2014, ele aumentou o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e introduziu medidas de penalização para evitar a evasão, enquanto permaneceram intactas as retenções sobre a renda. Também não foram realizadas as mudanças anunciadas na saúde, nas pensões e no sistema judiciário do país.

Cuba — Raúl Castro

O presidente cubano deixará seu cargo em abril de 2018, depois de dez anos no comando. Em 2008, Fidel Castro, o histórico líder da Revolução, passou o cargo para seu irmão.

Nesta década, Castro foi acompanhado por importantes marcos históricos, como o desenvolvimento e fortalecimento do setor não estatal na economia da ilha e o restabelecimento das relações com os EUA. Esta abordagem sofreu um revés com a chegada de Donald Trump, que suspendeu algumas das medidas de seu sucessor, Barack Obama.

Raúl Castro deixa a presidência com uma nova vitória diplomática na Assembleia Geral das Nações Unidas, que indeferiu o bloqueio econômico imposto por Washington. Também fechou um acordo de cooperação e diálogo com a União Europeia.

México — Enrique Peña Nieto

Em 2018 terminará o mandato do presidente mexicano Enrique Peña Nieto. Seu mandato foi marcado pela violência em muitas regiões do país e episódios como o desaparecimento de 43 normalistas em Ayotzinapa às mãos de forças do governo em 2014. Este episódio, somado ao corrente assassinato de jornalistas e líderes locais ou os milhares de casos de desaparecimentos forçados, projetam uma sombra sobre a atual administração.

O final do mandato do presidente do México foi afetado pela renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) perante as medidas protecionistas de Donald Trump, um ferrenho crítico do acordo entre EUA, México e Canadá. Peña Nieto buscou estimular a flexibilização do trabalho, bem como impulsar a participação de privados na exploração de recursos naturais, como os hidrocarbonetos.

Em matéria de migração, a situação dos mexicanos e centro-americanos que procuram entrar em território norte-americano tem suscitado polêmicas e tensões entre ambos os países, especialmente após o anúncio de Trump sobre a construção de um muro na fronteira binacional.

Paraguai — Horacio Cartes

Outro dos presidentes que deixará seu cargo é o paraguaio. Embora, no início, tenha apoiado a possibilidade de uma reeleição, após uma série de distúrbios na sede do Parlamento em Assunção, em protesto contra essa possibilidade, ele abandonou suas intenções de renovar o mandato.

O Partido Colorado governante irá para as urnas com Mario Abdo Benítez, que ganhou as internas ao ministro da Fazenda, Santiago Peña, candidato da linha do atual presidente. O candidato vencedor é filho do secretário particular do ditador Alfredo Stroessner (1954-1989).

O Partido Liberal Radical Autêntico, a principal minoria, se apresentará em parceria com a Frente Guasú, o partido do ex-presidente Fernando Lugo. Os liberais têm Efraim Alegre como candidato a presidente, acompanhado pelo jornalista Leo Rubin, próximo a Lugo. Uma aliança parecida levou o ex-presidente destituído à presidência em 2008.

Costa Rica — Luis Guillermo Solís

A nação centro-americana será a primeira a realizar eleições, em fevereiro de 2018. A reeleição consecutiva em este país não é permitida por lei e o presidente Luis Guillermo Solís (Partido de Ação Cidadã) nunca considerou se candidatar novamente, apesar de ser a favor de modificar o quadro para permitir essa possibilidade.

A poucas semanas das eleições, as pesquisas marcam um alto número de indecisos, que dificultam prever um resultado. Os candidatos preferidos são Antonio Álvarez Desanti, do Partido de Libertação Nacional (centro), e Juan Diego Castro, do Partido de Integração Nacional (conservador).

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