Brasil e Irã desenvolvem nova estratégia de agronegócio e alavancam cooperação

Brasil e Irã desenvolvem nova estratégia de agronegócio e alavancam cooperação

Apesar das sanções econômicas impostas pelos EUA, a relação comercial entre Brasil e Irã cresce e os países firmam acordo para exportação de gado vivo. A Sputink Brasil conversou com o especialista em Relações Internacionais, Pedro Netto, sobre esta nova estratégia do agronegócio.

A estimativa é que as importações cheguem a 100 mil cabeças por ano. O assessor de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Pedro Netto, disse à Sputnik Brasil que o acordo ajuda a diversificar a pauta exportadora brasileira.

“Esse acordo com o Irã se insere dentro de uma nova estratégia do agronegócio de tentar ampliar as importações do agro brasileiro e diversificar a nossa pauta exportadora”, explica Netto.

Em 2017, a importação de gado vivo do Brasil gerou US$ 276 milhões em divisas para o país, enquanto o comércio de carne bovina gerou US$ 6,28 bilhões. O Irã também é um grande parceiro na compra de carne, sendo o quarto maior mercado brasileiro. Os dados são do Ministério da Agricultura.

Segundo Pedro, o Brasil ainda negocia com outros países, como a Arábia Saudita para expandir esse tipo de comércio. “No começo de outubro o Ministério da Agricultura anunciou um avanço nas negociações de gado vivo para a Arábia Saudita, que é outro mercado que tem um potencial grande, em torno de 150 mil cabeças (anuais)”, destaca.

A venda de gado vivo para países muçulmanos, em geral, é para a realização do abate halal, que obedece a preceitos de suas tradições religiosas.

O assessor de Relações Internacionais da CNA ressalta ainda que o acordo é um reconhecimento do trabalho realizado pelo setor e pelo governo brasileiro em termos de tratamentos sanitários.

“Esse avanço com o Irã, que é um grande mercado, vem coroar esse esforço de ampliar as nossas exportações, diversificá-las e também de ampliar o reconhecimento de todo o trabalho que o governo e os produtores brasileiros tem feito em termos de sanidade. Ainda no começo desse ano, o Brasil foi reconhecido como livre de febre aftosa em todo o território nacional”, explica Netto.

O Ministério da Agricultura do Brasil ressalta esse tipo de exportação é uma atividade praticada apenas por países que possuem um rígido controle sanitário de seus rebanhos.

O acordo entre Brasil e Irã foi fechado mesmo após o anúncio das sanções norte-americanas ao Irã e devem ajudar a aumentar a balança comercial entre os dois países. Pedro Netto ressalta que as exportações brasileiras para o país aumentaram consideravelmente em comparação com o ano passado.

“As sanções americanas ainda não entraram com todo o vigor. Elas estão agendadas para entrar em vigor no começo de novembro. A gente assistiu principalmente a partir de agosto, quando Donald Trump afirmou que vai reaplicar as sanções, um aumento notável nas exportações brasileiras. As exportações de agosto, por exemplo, em 2017 foram de U$ 170 milhões. Neste agosto foram U$ 3 bilhões”, conta.

A maior parte dessas exportações no mês de agosto foi do setor do agronegócio, com as exportações de milho representado U$ 2,9 bilhões do total. Na avaliação do representante da CNA, esse aumento indica uma antecipação às sanções.

“Isso indica um avanço de vendas para se antecipar às sanções. Mas também é reflexo de ações conjunturais do próprio mercado desse produto. A gente teve uma quebra de safra grande na Argentina e o preço brasileiro estava bem competitivo nessa safra”, ressalta o assessor.

Apesar do aumento nos números de exportação, Pedro Netto afirma que ainda não dá para afirmar se o Brasil foi beneficiado com as sanções impostas pelo governo norte-americano.

“Isso ainda está muito em evolução. Não temos como saber se no médio ou no longo prazo a gente foi favorecido ou se isso foi uma antecipação de comércio, que vai acabar tendo efeitos posteriores. Então ainda é muito difícil falar que essas sanções favoreceram o comércio, especialmente por que elas ainda têm um potencial de serem danosas para as nossas exportações”, avalia.

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