Brasil: Instituto Cultura Árabe rejeita islamofobia da senadora do PP

Brasil: Instituto Cultura Árabe rejeita islamofobia da senadora do PP

O Instituto da Cultura Árabe no Brasil repudiou hoje veementemente as declarações da senadora do Partido Progressista (PP) Ana Amélia, que vinculou a rede de televisão Al Jazeera com grupos terroristas.

Relacionar uma emissora de TV do mundo árabe com grupos terroristas, além de demonstração de desconhecimento é uma prática explícita de preconceito racial e islamofobia, destacou a entidade em uma nota difundida aqui.

Al Jazeera -esclareceu- é um dos grupos de comunicação mais respeitados do planeta. Além de praticar um jornalismo que serve de referência, entrevista e promove reportagens com líderes, artistas, intelectuais e ativistas que se identificam com a luta em defesa dos direitos humanos, respeitando a diversidade de opiniões.

A Constituição é clara quanto aos delitos de racismo e discriminação e quaisquer formas de sistemas religiosos e profissões de fé, destaca o documento e expressa sua convicção que a sociedade brasileira em general não aceita nem transige com atos dessa natureza, que incita crimes de ódio, abrindo as portas à barbarie.

Em uma discussão a véspera na Câmara alta, Ana Amélia recriminou à também senadora e presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffmann por conceder uma entrevista à al Jazeera e reclamar dos povos árabes solidariedade com o ex mandatário Luiz Inácio Lula da Silva, preso político a partir do passado dia 7.

Só espero que, dada a gravidade do conteúdo dessa exortação publicada pela TV Al Jazeera, essa convocação ao apoio dos países do mundo árabe não tenha sido também um pedido para que o Exército Islâmico venha a atuar no Brasil, manifestou Ana Amélia.

Em um comentário publicado hoje no site Brasil 247, o ex-secretário dosdireitos Humanos do governo de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Sérgio Pinheiro, qualificou o episódio como uma estupidez e pediu que o Senado aplicasse uma sanção à sua autora.

Enquanto isso, em uma carta aberta a jornalista e ativista pela paz Lúcia Helena Issa disse que acompanhou 'com imensa tristeza e pesar o discurso de incitação ao ódio proferido' pela legisladora.

A senhora parece que se transformou na grande voz da mais violenta, xenófoba, e perigosa extrema direita brasileira, lamentou antes de destacar que talvez por pura falta de formação profissional, e não por má fé, associou profissionais árabes respeitados em todo mundo ao terrorismo.

Senadora, as duas expressões começam com o artigo árabe 'al'; mas se você acha que ter um nome ou uma marca que comecem assim é um indício de terrorismo lhe tenho umas péssima notícias, pois a língua portuguesa está também repleta de palavras que começam com 'al', apontou Issa e mencionou entre estas alquimia, álgebra, almirante.

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