Em entrevista, o embaixador do Irã: "Irã e o Brasil são dois países importantes em dois pontos geopolíticos no mundo: o Oriente

Em entrevista, o embaixador do Irã:

Em uma entrevista, Seyed Ali Saghaeyan. o embaixador da República Islâmica do Irã ao jornal Brasília In Foco, enfatizou: "O intercâmbio comercial entre nossos dois países passou de 400 milhões de dólares no final da década de 1990, por volta de 2 bilhões e seiscentos milhões de dólares em 2017".

As relações bilaterais Brasil-Irã

Saghaeyan acrescentou: "Em primeiro lugar, devo dizer que o Irã e o Brasil são dois países importantes em dois pontos geopolíticos no mundo: o Oriente Médio e o Hemisfério Oeste, com grande capacidade para manutenção e continuação das relações antigas baseadas nos interesses bilaterais e recíprocos.

Nossa visão das relações com o Brasil é uma visão de respeito e de cooperação conjunta com interesses comuns nas diferentes áreas, como, agricultura, indústria, petróleo, mineração e comércio. O Brasil, nessas duas últimas décadas, se tornou um dos fornecedores importantes dos produtos necessários ao Irã, como: carne, milho, açúcar e outros. O intercâmbio comercial entre nossos dois países passou de 400 milhões de dólares no final da década de 1990, por volta de dois bilhões e seiscentos milhões de dólares em 2017. Foram assinados 60 documentos de cooperação bilaterais nas áreas políticas, econômicas, da indústria, mineração, energia, financeira, transporte, sanitária, agricultura, ciência e tecnologia, cultura, arte e comunicação, com efeitos consideáveis no desenvolvimento das cooperações bilaterais. Até agora foram realizadas quatro comissões conjuntas que resultaram na assinatura dos Protocolos de Entendimento de Cooperações nas áreas econômicas, tecnológicas e comerciais.

Durante os últimos anos foram realizadas visitas de diversas autoridades na área da política e economia, à Teerã e à Brasília. A última e a mais importante nas relações bilaterais, foi a visita do Excelentíssimo Senhor Dr. Zarif, Ministro das Relações Exteriores da República Islâmica do Ira à Brasília, em 10 de abril de 2018. Nessa visita uma delegação política e comercial de alto nível, com 100 pessoas ativas na área da economia e comércio, de empresas privadas e estatais, acompanhava o Senhor Ministro. Nessa visita, foram tratados os assuntos bilaterais, regionais e internacionais de interesses comuns, nos encontros com o Presidente Michel Temer e com o Ministro de Estado das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, o Senhor Aloysio Nunes. Também foram assinados 7 documentos de colaboração nas áreas econômicas, comerciais, jurídica e acadêmica".

 

Programas culturais para 2018:

Sobre as atividades culturais do Irã no Brasil, Embaixador se referiu: "Tendo em vista a importância de conhecimentos entre as nações e estudiosos dos dois países, a realização dos programas culturais com intuito de desenvolvimento desses conhecimentos, é uma de nossas prioridades. Nos últimos 12 meses, grupos brasileiros, produtores de filmes e documentários visitaram o Irã, fizeram reportagens e divulgaram-nas. Além de que dois grupos musicais iranianos realizaram apresentações em São Paulo e em Brasília. Inclusive, na apresentação do grupo musical em Brasília, a música iraniana foi tão atrativa, que a parceria com a Escola de Música de Brasília continuará. Esperamos que seja realizado conjuntamente, um programa de música ainda neste ano. No encontro com o Ministro da Cultura da República Federativa do Brasil, concordamos sobre a realização da semana do Cinema Iraniano, assim como, uma exposição dos artesanatos".

 

A posição do Irã sobre o assunto de saída dos EUA do acordo nuclear: JCPOA declarada pelo Governo Trump.

O plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA) é um acordo internacional firmado entre o Irã e os 5+1, e aprovado pela resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU. A saída dos EUA do JCPOA é a violação de um acordo internacional e do Direito Internacional. Um ato no sentido de Iranofobia e a continuação de inimizades que duram há 40 anos contra o Irã. A reação da sociedade internacional contra essa medida dos EUA e em seguida às palavras impensadas, fora da educação e ética internacional das autoridades desse país, demonstram que a República Islâmica do Irã tem razão. Esse acordo é resultado das longas e complexas negociações na história contemporânea da dilpomácia. Cada parte do acordo aceitou responsabilidades e compromissos que devem respeitá-los. Trump, com a saída do acordo de Paris sobre clima, demonstrou que não se interessa pelos direitos e pelas normas aprovadas pela sociedade internacional. E assim, ele baixa a posição dos EUA no cenário internacional. Com a saída dos EUA, pelo contrário, as conquistas políticas, direitos e segurança do Irã até aumentaram, mas as conquistas econômicas afetadas pela saída dos EUA, devem ser ressarciadas pelos outros membros do acordo. Portanto, o resultado das negociações com a Europa e com as outras partes do JCPOA, definirão a posição futura do Irã em relação a esse acordo.

 

Os relatórios da imprensa internacional demonstram que a União Européia Não apoiou a última decisão de Trump. Como são as relações diplomáticas entre o Irã e a Europa?

A União Européia demonstrou, nas suas palavras que não se curva perante às políticas dominadoras e aproveitadoras do Governo de Trump. Acho que a Europa tenta preservar sua autoridade política e também seu interesse econômico e comercial. Claro que nós não esperamos que a União Européia, nossa aliada, seja contra os EUA. É natural que as empresas multinacionais e as grandes empresas privadas europeias, sigam seus interesses. Mas, o importante é que os países sejam independentes em seus atos, e que rejeitem tendências unilaterais e contrárias ao Direito Internacional de alguns Governos.

308


Envie seu comentário

Seu e-mail não poderá ser publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *.

*

Arbaeen
Notícias do luto ao Imam Hussein pelo mundo
Mensagem do Imam Khomeini para os muçulmanos do mundo pela ocasião do Hajj 2018