Em SP, Obama diz que Coreia do Norte é 'perigo real' e defende uso da diplomacia para a paz

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Brief

Ex-presidente falou sobre aquecimento global, a importância do engajamento na defesa da democracia, do acordo nuclear com o Irã e do Obamacare.

Ex-presidente dos EUA Barack Obama faz discurso durante Fórum Cidadão Global, em São Paulo, desta quinta-feira, afirmando, que a Coreia do Norte é um "perigo real" e defendeu a importância de uma diplomacia forte para a paz.

É a primeira vez que o ex-presidente americano vem ao Brasil desde que deixou a Casa Branca no começo deste ano. "Não podemos resolver todos os problemas com tanques e aeronaves. A Coreia do Norte é um perigo real", afirmou, durante o Fórum Cidadão Global.

"Nossa segurança não depende apenas da força militar, também depende de uma diplomacia forte. Alimentar alianças e encorajar uma cooperação entre as nações. O poder das nossas economias e o poder dos nossos ideais são importantes para assegurar a paz, não somente o poder militar extraordinário", declarou.

Tolerância

Obama também falou sobre a importância de se cultivar a tolerância. Ele destacou que estamos, atualmente, "mais conectados do que nunca", porém que enfrentamos problemas. "Ficamos mais presos do que nunca a nossa própria bolha, não desafiamos as nossas próprias premissas. Tudo o que tudo a gente vê e lê é aquilo que o algoritmo diz que deveríamos ler. Ficamos seguros em nossas crenças e filtramos as informações que não estão de acordo com a nossa opinião", observou.

"Temos que ouvir aqueles com quem não concordamos", ressaltou. Ao comentar sobre o impacto do desenvolvimento na comunicação, Obama afirmou que atualmente "as ideias são amplificadas. Isso vale para boas ideias e para as bem ruins e destrutivas". "Toda vez que uma nova tecnologia de informação surge, leva um certo tempo para que a sociedade possa extrair seus benefícios. Isso cria alguns perigos", afirmou.

Obamacare e Irã

Quando questionado sobre projetos que ele tinha orgulho de ter implementado, Obama citou, no plano interno, a reforma da saúde, conhecida como Obamacare, e, no plano externo, o acordo nuclear com o Irã.   

 “Minha maior satisfação foi a aprovação da reforma da saúde, porque 20 milhões de pessoas tiveram acesso à saúde. Eu recebia cartas das famílias dizendo: 'meu filho esteve doente e, se não tivesse essa lei, talvez tivesse morrido', afirmou Obama, antes de lembrar que nenhuma das previsões de desastre que os seus “amigos do outro lado político previram, se concretizou”. Ao falar sobe o acordo nuclear com o Irã, Obama voltou a mencionar a crise que o governo de Trump enfrenta com a Coreia do Norte. O ex-presidente afirma que, quando assumiu a presidência, já era tarde demais para estabelecer um acordo com o país.

Porém, com o Irã foi diferente. “O Irã é um país com o qual os EUA têm muitas diferenças. O governo iraniano não é amigo consistente e muitas vezes é nosso adversário. Mas eu vi uma oportunidade para resolver um problema: garantir que não desenvolvessem armas nucleares”, afirmou.

Forte diplomacia “Poderíamos resolver sem usar a força militar. Tivemos êxitos. Não seguimos o caminho que está sendo seguido com a Coreia do Norte. Resolvemos aquele problema sem tiro, o que mostra uma forte diplomacia mesmo com os adversários”, declarou.

O ex-presidente falou ainda sobre aquecimento global, a importância do engajamento na defesa da democracia, o investimento em educação. 

Fórum Cidadão Global, é promovido pelo jornal Valor Econômico e pelo Banco Santander Brasil. O encontro tem como objetivo "iniciar um diálogo sobre a responsabilidade das pessoas na construção de um futuro melhor", segundo informações divulgadas pelos organizadores. O tema do encontro será "Mudar o mundo? Sim, você pode", uma referência ao famoso lema da campanha eleitoral de Obama em 2008: "Yes we can" ("Sim, nós podemos"). Além de Obama, o encontro contará com outros líderes empresariais que promovem o desenvolvimento de cidadão global em suas empresas.

Obama esteve no Brasil em 2011, quando ainda era presidente, acompanhado pela esposa, Michelle Obama, e pelas duas filhas, e visitou Rio de Janeiro e Brasília, onde se reuniu com a então presidente, Dilma Rousseff.

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