Lula: entre se entregar e resistir

Lula: entre se entregar e resistir

Ex-presidente permanece no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e aguarda decisão sobre novo pedido de habeas corpus ao STJ, cogitando não se apresentar à Justiça.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sob esta sexta-feira (06/04) na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, para onde se dirigiu no início da noite de quinta, logo após o anúncio da Encarregado de sua execução pelo juiz Sérgio Moro.

O mandato de detenção expedido por Moro é o mesmo que apresente na Sede da Polícia Federal em Curitiba até as 17h desta manhã, mas o ex-presidente disse que não é para ser enviado às autoridades, informar a agência Reuters, que cita membros do PT. Os advogados de Lula entraram com um novo pedido de habeas corpus, desta vez no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Moro ordenou a prisão de Lula após ter recebido um pedido do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) que autorizou o início do cumprimento da pena. O documento foi finalizado após o STF ter sido rejeitado nesta quinta-feira em um pedido de habeas corpus solicitado pela defesa do ex-presidente.

Em relação à emissão de CBN, Lula acusou a existência de um sistema político para a proteção de seus direitos e de seus próprios advogados. Lula afirmou que o absurdo ou mandado de prisão é alvo e acusado.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin, afirmou que a decisão do TRF-4 de autorizar a prisão é arbitrária, pois ainda cabe ao ex-presidente apresentar um último recurso ao tribunal. "Estão contrariando a própria decisão do tribunal do dia 24, quando os três desembargadores determinaram que a prisão só poderia acontecer depois de exaurida toda a tramitação em segunda instância", declarou Zanin à Folha. O novo pedido de habeas corpus, desta vez ao STJ, se baseia nesse argumento.

Entre as lideranças petistas há aqueles que defendem que Lula não deve se entregar à Justiça. Defensor dessa tese, o senador Lindbergh Farias afirmou na noite desta quinta-feira que Lula ainda não decidiu se vai se apresentar ou não à Polícia Federal em Curitiba. "Na minha avaliação, não tem que se entregar. Se entregar é admitir culpa, não é o caso. Tem de prender o Lula no meio desse mar de gente, numa violência, com repercussão internacional, mas Lula ainda não decidiu, vai decidir só amanhã", disse Farias.

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que o mandado de prisão "reedita os tempos da ditadura" no Brasil. "É uma violência sem precedentes na nossa história democrática", acrescentou.

Apoio de políticos e militantes

Ao longo da noite, Lula recebeu o apoio de militantes, que se concentraram em frente ao sindicato, e de políticos. Num discurso feito em cima de um carro de som estacionado em frente ao sindicato, a ex-presidente Dilma Rousseff disse que o mandado de prisão "faz parte do golpe" que começou com seu impeachment.

"O Lula é inocente. Está sendo vítima de uma das mais graves ações contra uma pessoa. Nossa Constituição é clara. Não se pode prender sem ter esgotado todos os recursos. O presidente [Lula] tinha direito de recorrer", disse. "Isso faz parte do golpe. O golpe que começou quando me tiraram da Presidência da República sem nenhum crime que eu tivesse cometido."

Ela atribuiu o pedido de prisão por uma "política política" a Lula e convocou à resistência. "Você está aqui, é capaz de resistir. Nós não somos um bando de pessoas que não somos capazes de usar a linguagem das pedras. Vamos continuar resistindo com coragem", disse. Em seguida, o público começou um gritar: "Lula, guerreiro do povo brasileiro".

Em apoio ao ex-presidente pelo sindicato de deputada Luiza Erundina, uma senadora Gleisi Hoffmann e o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, pré-candidato à Presidência pelo PSol. Uma pré-candidata à Presidência do PCdoB, Manuela D'Ávila, também esteve no sindicato para prestar solidariedade a Lula.

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