Protestos, feridos e um país dividido no regresso de Lula à cadeia

Protestos, feridos e um país dividido no regresso de Lula à cadeia

Lula da Silva entrou ontem na cadeia para cumprir uma pena de 12 anos e um mês de cadeia.

Arejeição do habeas corpus deu lugar a ordem de prisão do juiz Sérgio Moro que definiu a tarde de sexta-feira (já noite em Portugal) como prazo máximo para Lula da Silva se entregar.

Só quase 26 horas depois é que o o 35.º Presidente do Brasil (2003-2011) se entregou finalmente. Aconteceu no último sábado, já após uma missa em honra da mulher, Marisa Leticia, falecida no ano passado.

Antes de ser levado pelas autoridades, Lula ainda fez uma tentativa para sair de carro da sede do Sindicato de Metalúrgicos, onde se encontrava, para se entregar. A multidão não deixou. Só à segunda tentativa, agora já a pé, é que Lula conseguiu sair.

Quase 40 anos após o mês de cadeia que viveu, em 1980, Lula voltava agora a ser preso. Na altura, liderou greves num tempo em que o regime ditatorial as proibia. Agora, já com 72 anos de idade, vê-se detido por ter sido considerado culpado dos crimes de corrupção e branqueamento de capitais.

Em causa está um apartamento de luxo, um triplex, situado na cidade do litoral do Guarujá, que terá sido alegadamente como suborno da construtora OAS, uma das empresas envolvidas nos escândalos da Operação Lava Jato. Lula defendeu sempre a sua inocência.

Um país dividido

Os sinais que há muito chegam do Brasil como país dividido prometem continuar.

Lula surgia à frente em várias sondagens. Mas agora que está detido sobram dúvidas sobre o que fará o Partido dos Trabalhadores sem a sua figura maior em liberdade. Dilma Rousseff, a antiga presidente, que foi afastada na sequência de um polémico processo de impeachment, foi uma de várias figuras estiveram ao lado de Lula nas últimas horas em liberdade.

A Central Única dos Trabalhadores, a maior central sindical do Brasil, apelou no sábado a uma mobilização permanente para a libertação do ex-Presidente do país Lula da Silva e prometeu ações para o próximo dia 1 de maio, Dia do Trabalhador.

Ontem mesmo houve protestos contra e a favor da prisão, em diferentes pontos do país. Junto à sede da Polícia Federal brasileira em Curitiba, onde Lula já se encontra detido, houve incidentes que fizeram nove feridos, entre eles um polícia e uma criança.

Por ordem do juiz Sérgio Moro, o antigo presidente brasileiro vai ficar detido numa sala especial, com 15 metros quadrados, no 4º andar do edifício da Polícia Federal. Terá direito a cama, mesa e uma casa de banho privada. Está também autorizado a ter uma televisão. Tem agora 12 anos e um mês de cadeia por cumprir.

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