Solução para os problemas: Rio pode ser segunda capital brasileira

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A elevação do Rio ao status de segunda capital do Brasil daria um novo fôlego político-econômico à cidade, resolvendo grande parte dos problemas vividos hoje pela cidade, segundo defendem vários juristas e especialistas, que apontam benefícios que seriam compartilhados também por toda a Região Metropolitana.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Christian Lynch, jurista, historiador, cientista político e professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) é um dos que defendem a ideia da criação de uma segunda capital no país. Segundo ele, a transferência da capital para Brasília, em 1960, privou o o Rio dos investimentos que eram pagos pelo governo federal durante muitos anos, situação que foi agravada em 1975, pela ditadura militar, quando da fusão do Estado do Rio com o da Guanabara. O objetivo, segundo Lynch não foi alcançado: dotar o Rio de uma elite política, capaz de brigar por recursos federais e enfrentar a industrialização de São Paulo.

"Tal situação contribuiu muito para a decadência do estado, obrigando a União, nos últimos anos, a fazer seguidas intervenções brancas em matérias de saúde e segurança pública, como vem ocorrendo desde a Copa do Mundo em 2014. Do ponto de vista nacional, o Rio nunca deixou de representar o papel de capital do Brasil. Se Brasília é a capital federal entendida como um espaço neutro em relação ao conjunto de estados que compõe a União, o Rio segue percebido como a capital nacional, como se viu nos Jogos Olímpicos. É o nosso principal centro universitário do país e berço do nosso nacionalismo", diz Lynch.

O especialista lembra que de todos os órgãos e empresas públicas distribuídas entre Brasília e Rio, cerca de um terço do total continua na ex-capital. São mais de 50 repartições entre agências, autarquias, fundações e empresas públicas como a biblioteca Nacional, Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Petrobras, Eletrobras, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Casa da Moeda, Arquivo Nacional, só para citar alguns.

Na visão de Lynch, a ideia tem paralelo em outros países que têm uma segunda capital, cita, apontando os casos da Alemanha (Berlim e Bonn), Holanda (Amsterdã e Haia), Rússia (Moscou e São Petersburgo), Chile (Santiago e Valparaíso) e África do Sul (Johannesburgo e Cidade do Cabo).

"Os municípios da Baixada Fluminense poderiam ser perfeitamente agregados ao novo Distrito Federal e se beneficiar do ambiente de negócios, que repercutiria por toda a região metropolitana. Brasília recebeu da União, no ano passado, o equivalente a todo o orçamento do município do Rio de Janeiro, tendo metade de sua população", observa o professor do IESP.

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