Zarif: Irã se reserva o direito de responder se os EUA saírem do JCPOA

Zarif: Irã se reserva o direito de responder se os EUA saírem do JCPOA

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, afirmou nesta quinta-feira (3), em um vídeo, que não "renegociará" o acordo nuclear internacional assinado em 2015, durante o governo do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama.

Ele, disse que a República Islâmica se reserva o direito de responder caso os EUA, como parte do acordo nuclear de 2015, se retirem do acordo. Em uma mensagem de vídeo postada no YouTube na quinta-feira, Zarif comparou o total comprometimento de Teerã com a violação  que Washington está fazendo com acordo, que é oficialmente denominado Plano Integrado de Ação Conjunta (JCPOA).

Em 11 ocasiões, disse ele, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que o Irã implementou todas as suas obrigações contemplado no JCPOA, mas "os EUA violaram consistentemente o acordo especialmente por intimidar outros de efetuar novos negócios com o Irã". Zarif também criticou a passividade dos países europeus perante o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto se aproximando o prazo para que Washington anuncie se continuaria com a suspenção das sanções contra o Irã que foram paradas sob o acordo nuclear.

"No último ano, nos disseram que o presidente Trump está insatisfeito com o acordo e agora parece que a resposta de alguns europeus foi oferecer aos Estados Unidos mais concessões do nosso bolso", disse ele.

"Esse apaziguamento implica promessas de um novo acordo que incluiria assuntos que todos decidimos excluir no início de nossas negociações, incluindo a capacidade defensiva do Irã e a influência regional. Mas, por favor, entendam que em ambos os assuntos, é o Irã  e não o Ocidente,  que queixa seriamente e muito a exigir", acrescentou.

Referindo-se à história pacífica do Irã, Zarif observou ainda que o país nunca invadiu outro país, mas foi invadido por outros, o exemplo mais recente foi à invasão do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, apoiado pelos Estados Unidos e seus aliados.

"Apesar dessa experiência assombrosa, ainda uma fração de países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão gastando na defesa e nossos mísseis têm alcance menor do que os da Arábia Saudita. E ao contrário dos aliados dos EUA na região que sofreram de lavagem cerebral, que financiam e fornecem armas aos grupos como Al-Qaeda, Talibã e Daesh, temos sido fundamentais para derrotar esses grupos extremistas”, observou ele.

O chefe da diplomacia iraniana também ressaltou que o Irã não renegociará o acordo nuclear, acrescentando que o país está firme contra os planos maliciosos. "Nós não terceirizaremos nossa segurança, nem renegociaremos ou adicionaremos termos a um acordo que já implementamos de boa fé", disse Zarif.

"Nos próximos dias, os Estados Unidos terão que decidir se cumprem suas obrigações. O Irã permanece firme diante de tentativas fúteis e intimidação. Mas se os EUA continuarem a violar o acordo, ou se eles se retirarem completamente, exercermos o nosso direito de responder de uma maneira de nossa escolha”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã alertou ainda que as ameaças não levariam a um novo acordo e aconselhou os EUA a cumprir seus compromissos sob o JCPOA. "Burburinho ou ameaças não vão levar os EUA a um novo acordo, particularmente porque não está honrando o acordo que já fez".  

Zarif aconselhou os EUA a finalmente começar a honrar seus compromissos ou apenas “aceitarem a responsabilidade pelas consequências de não fazê-lo", e não se levar pelas alegações fantasiadas, acrescentou.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, revelou o que ele afirmou ser a "prova contundente do segredo" do programa nuclear iraniano durante um discurso televisionado. Ele afirmou que "o Irã está mentindo descaradamente" sobre suas atividades nucleares, apresentando 55 mil páginas de documentos e 55 mil arquivos em CDs como evidência alegada.

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