Conflito comercial entre EUA e China: 'o mais interessante está por vir'

Conflito comercial entre EUA e China: 'o mais interessante está por vir'

A China critica Washington por desencadear uma guerra comercial e avisa que pode adotar medidas de retaliação duras que terão um caráter abrangente. Segundo os especialistas, não se trata apenas do aumento de tarifas sobre produtos norte-americanos.

Mei Xinyu, especialista do Instituto de Comércio Internacional e Cooperação Econômica do Ministério do Comércio da China, disse à Sputnik China que a resposta da China será simétrica, adequada e imediata.

"Primeiro que tudo, as relações econômico-comerciais entre a China e os EUA não se limitam à troca de mercadorias, envolvem muitos aspectos. A parte chinesa, tendo em consideração seus interesses nacionais, pode recorrer a contramedidas. A China e os EUA estão estreitamente interligados, os EUA já não são uma potência inigualável no mundo e precisam da China em muitos aspectos", explicou ele.

Para o analista, se Washington mantiver comedimento, as partes conseguirão cooperar normalmente. Entretanto, se os EUA começarem a agir precipitadamente e causarem problemas, a China está pronta para enfrentar o desafio e ir até o fim.

"Quanto às medidas concretas que poderão ser escolhidas pela China, vamos esperar pela adoção do pacote de novas tarifas anunciadas por Trump e esse mistério será revelado. O espetáculo ainda não acabou – o mais interessante está por vir", afirmou Mei.

Para Andrei Karneev, do Instituto de Assuntos Asiáticos e Africanos da Universidade Estatal de Moscou, levando em conta a forte interação econômica entre os dois países, não será difícil para a China encontrar os pontos fracos norte-americanos.

"Por exemplo, poderiam ser adotadas medidas que a China já usou para influenciar a decisão de Seul sobre instalação de sistemas de defesa antimíssil THAAD na Coreia do Sul", opinou ele.

Karneev lembrou que no ano passado, em resposta à instalação desses mísseis norte-americanos, Pequim criou sérios problemas para a indústria sul-coreana, especialmente para a indústria automobilística e eletrônica. Os consumidores chineses simplesmente pararam de comprar as marcas sul-coreanas, enquanto as estruturas burocráticas chinesas criaram diversos obstáculos para as empresas sul-coreanas que trabalham na China.

Por exemplo, o gigante sul-coreano Lotte Group, que forneceu o campo de golfe usado para a implantação da THAAD, sofreu sérios danos depois que o conglomerado foi obrigado a encerrar a maioria das suas lojas na China e suspender a construção de duas grandes infraestruturas no país. Além disso, as medidas adoptadas por Pequim afetaram os operadores turísticos sul-coreanos, após as autoridades chinesas proibirem as viagens em grupo à Coreia do Sul.

As mesmas medidas podem ser adotadas contra os EUA se o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar novas medidas restritivas contra as mercadorias chinesas, afirmou Korneev. A resposta chinesa pode ser verdadeiramente dura. Entretanto, a interligação entre os dois países poderá impedir que Pequim e Washington desencadeiem uma guerra comercial de grande escala, concluiu o especialista.

Em 15 de junho, Trump anunciou tarifas de 25% sobre importações chinesas, no valor de 50 bilhões de dólares (R$ 186,8 bilhões), sublinhando que as novas tarifas serão aplicadas às "tecnologias industrialmente significativas" e foram introduzidas em resposta ao alegado roubo de propriedade intelectual americana por parte da China.

Em 22 de março, Donald Trump anunciou pela primeira vez seu projeto de imposição de tarifas sobre mercadorias chinesas, tarifas que podem atingir 60 bilhões de dólares (R$ 228 bilhões). A China, por sua vez, elevou as tarifas em 50 bilhões de dólares sobre produtos dos Estados Unidos.

Na segunda-feira (17) presidente dos EUA ameaçou impor uma tarifa de 10% sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses, aumentando a guerra comercial com Pequim.

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