Primeira demissão na Nicarágua após confrontos que fizeram 15 mortos

Primeira demissão na Nicarágua após confrontos que fizeram 15 mortos

O Governo anunciou a primeira demissão, o presidente do Conselho Supremo Eleitoral, Roberto Rivas, na sequência dos últimos confrontos que causaram 15 mortos.

Governo da Nicarágua confirma a renúncia do presidente do Conselho Supremo Eleitoral, Roberto Rivas", indicou em comunicado.

Rivas era um grande aliado político e eleitoral do Presidente nicaraguense, Daniel Ortega, e era acusado pela oposição de ter beneficiado a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN, no poder) em todos os processos eleitorais desde 2008.

A renúncia de Rivas surge no final de uma jornada de protestos no país, na quarta-feira, marcada por confrontos violentos que provocaram 15 mortos.

A ministra da Saúde, Sonia Castro, disse que "foram atendidos 199 feridos" em diferentes centros de saúde públicos e privados, tendo sido registados 15 mortos.

O aumento do número de vítimas nos protestos, que já registam 108 mortos em 44 dias, de acordo com o Centro Nicaraguense dos Direitos Humanos, levou a uma reação da Conferência Episcopal (CEN), mediadora do diálogo nacional no país.

"Os bispos da CEN condenam todos estes atos de repressão por parte de grupos próximos do Governo e queremos deixar claro que não se pode retomar o diálogo nacional enquanto o povo da Nicarágua continua a ver negado o direito a manifestar-se livremente e continua a ser reprimido e assassinado", sublinhou, em comunicado.

Perante a advertência da Igreja, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Denis Moncada, pediu "às autoridades que coordenam o esforço do diálogo nacional para apelarem à calma e ao fim da violência, para que se continue a trabalhar em prol da segurança, da justiça e da paz".

Moncada atribuiu a responsabilidade por "esta situação de violência delinquente" a "grupos políticos da oposição com agendas políticas específicas" que ativam "formas para amedrontar as famílias", ao mesmo tempo que negou a existência de "forças de choque ou de grupos paramilitares próximos do Governo".

"Não podemos aceitar que se pretenda acusar [o Governo] destes acontecimentos dolorosos e trágicos que não provocámos e que jamais provocaremos", disse. Moncada reiterou o compromisso governamental de investigar todos os crimes e atos violentos.

Por seu lado, a Aliança Cívica pela Justiça e Democracia, que reúne os estudantes e representantes da sociedade civil e do setor privado, pediu que se intensifiquem diferentes formas de protestos pacíficos e o reforço dos bloqueios.

A aliança advertiu que, apesar de acreditar no diálogo nacional, este "só será possível se forem cumpridas as condições definidas pela CEN e com garantes internacionais independentes".

Entretanto, as forças armadas garantiram "controlar totalmente os seus elementos e meios", e recusaram "qualquer tipo de manipulação de informação falsa", sobre uma alegada participação a favor do Governo nesta crise.

Finalmente, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, condenou as últimas ações violentas e pediu ao "Estado que ponha fim à violência" dos "fatores repressivos"

A "Nicarágua viveu ontem [quarta-feira] outro dia trágico, de repressão, de violência e morte. Condenamos os assassínios cometidos pelas forças repressivas e os grupos armados e estamos solidários com as famílias das vítimas", sublinhou Almagro.

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