Talibã de Afeganistão concorda em continuar conversas com os EUA

Talibã de Afeganistão concorda em continuar conversas com os EUA

O grupo de milícias afegão, Taliban anunciou que iria continuar as conversações de paz com os Estados Unidos, insistindo, no entanto, que nenhum acordo tangível seria alcançável em uma primeira rodada de reuniões na capital do Qatar, capital de Doha.

O porta-voz do Talibã, Zabiullah Mujahid, disse em um comunicado no sábado que a continuação das negociações foi mutuamente acordada na reunião de Doha um dia antes entre representantes do grupo e delegação liderada pelo veterano diplomata norte-americano Zalmay Khalilzad.

“Ambos os lados falaram sobre o fim da ocupação e uma solução pacífica para a questão afegã. Os dois lados ainda concordaram em continuar a se reunir no futuro”, disse Mujahid, sem dar mais detalhes.

Outras fontes do Talibã  descreveram as discussões de sexta-feira como "detalhadas", disse o chefe do gabinete do Talibã no Qatar, Sher Mohammad Abbas Stanakzai, que conduziu a negociações da delegação.

"Foi uma reunião introdutória em que uma delegação de oito membros dos EUA realizou com membros do nosso escritório político", disse um importante membro do Talibã. Outra autoridade do grupo afegão, pedindo anonimato, disse que as conversas estavam focadas na presença militar dos EUA no Afeganistão, que as milícias dizem ser um dos principais obstáculos à paz.

Segundo Khalilzad, um diplomata norte-americano e ex-enviado de Washington a Cabul, pediu um cessar-fogo de seis meses para ser anunciado pelo Talibã antes das eleições parlamentares de 20 de outubro. Uma fonte do grupo disse que tinha sido pedido em troca de um mecanismo que levaria à libertação de milícias de prisões afegãs. "Nenhum dos lados concordou em aceitar as exigências do outro imediatamente, mas consentiram em se encontrar novamente e procurar uma solução para o conflito", disse a fonte, acrescentando que Khalilzad pediu a formação de comitês especiais que poderiam facilitar a libertação de prisioneiros.

Khalilzad estava em Cabul no sábado para informar o presidente afegão, Ashraf Ghani, sobre sua visita de dez dias a quatro países, Paquistão, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Qatar, que poderiam desempenhar um papel nos esforços de paz no Afeganistão. No entanto, Washington, que nomeou Khalilzad como enviado especial para a paz no Afeganistão, não confirmou sua reunião com o Talibã em Doha.

Apenas disse em um comunicado que "todos os cidadãos do Afeganistão devem fazer parte deste processo de reconciliação", um sinal claro de que Washington estava aprovando as negociações com um grupo que tem sido seu principal inimigo no Afeganistão nos últimos 17 anos.

Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão em 2001 para derrubar um governo liderado pelo Talibã. A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está lutando para encontrar uma saída para o dispendioso conflito, já que o Talibã conseguiu se reafirmar em várias províncias assumindo o controle de áreas-chave.

Kabul culpa o Talibã pela maior parte das mais de 8 mil mortes no Afeganistão desde o início de 2018. Ele diz que o grupo também conseguiu dissuadir as pessoas de participarem das próximas eleições gerais.

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