Vasta campanha de vacinação contra a cólera em acampamentos de rohingyas

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A maior campanha de vacinação contra a cólera do mundo desde a do Haiti arrancou hoje nos acampamentos de rohingyas no Bangladesh na tentativa de imunizar 650 mil refugiados da Birmânia, que vivem em condições insalubres.

"Estas pessoas não têm [acesso] a grande parte das infraestruturas básicas, principalmente casas-de-banho ou água canalizada. Neste tipo de situação, encontram-se reunidas as condições para o surgimento de uma epidemia de cólera", declarou A M Sakil Faizullah, responsável pela comunicação da Unicef no Bangladesh, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

A maior campanha de vacinação oral contra a cólera teve lugar no Haiti em novembro de 2016, com o registo de 800.000 pessoas imunizadas, indicou Faizullah.

Perto de 520 membros da minoria muçulmana rohingya chegaram ao Bangladesh desde finais de agosto para fugir ao que as Nações Unidas consideram uma "limpeza étnica" na Birmânia.

Após um abrandamento, o êxodo voltou em força esta semana com a entrada de milhares de rohingyas.

De modo a não arriscar uma crise de saúde -- a somar a uma crise humanitária, uma das mais graves do século XXI, a Unicef e a Organização Mundial de Saúde, a par com as autoridades do Bangladesh, concertaram o lançamento desta campanha de prevenção para a qual estão previstas 900.000 doses de vacinas.

Durante as próximas semanas, estima-se que sejam vacinados 650 mil rohingyas, devendo ser administrada, numa segunda fase, uma segunda dose a 250 mil crianças de entre 1 e 5 anos.

A crise dos rohingya começou em 25 de agosto, após um ataque de um grupo rebelde desta minoria muçulmana às instalações policiais e militares no estado ocidental birmanês de Rakhine, uma ação a que o exército respondeu com uma ofensiva que ainda prossegue.

De acordo com testemunhas e organizações de direitos humanos, o exército birmanês arrasou povoações incendiando-as e matou um número indeterminado de civis a tiro enquanto esvaziava essas localidades.

O Governo birmanês assegurou que a violência foi desencadeada por "terroristas rohingya", mas o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos classificou a operação militar como "limpeza étnica".

Antes da campanha militar, os rohingya que habitavam em Rakhine eram estimados em um milhão.

A Birmânia, onde mais de 90% da população é budista, não reconhece cidadania aos rohingya, os quais sofrem crescente discriminação desde o início da violência sectária em 2012, que causou pelo menos 160 mortos e deixou aproximadamente 120 mil pessoas confinadas a 67 campos de deslocados.

Apesar de muitos viverem no país há gerações, não têm acesso ao mercado de trabalho, às escolas, aos hospitais e o recrudescimento do nacionalismo budista nos últimos anos levou a uma crescente hostilidade contra eles, com confrontos por vezes mortíferos.

Os rohingya são uma minoria apátrida considerada pela ONU como uma das mais perseguidas do planeta.

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