TUDO SOBRE O ARBAEEN DO IMAM HUSSEIN (A.S.)

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  • Font : parstoday,abna
O Arbaeen marca a primeira visita que o Imam Hussein (A.S.) recebeu após o seu martírio, visita esta realizada pelo grande companheiro do Profeta Mohammad (S.A.A.S.), chamado Jabber ibn Abdillah Al-Ansari o qual se encontrou com o Imam Ali ibnol Hussein (A.S.) e a família de Zainab (A.S.) em Karbala quando foi visitar o Imam Hussein (A.S.).

O Imam Sajad (A.S.), filho do Imam Hussein (A.S.), e Zainab Al-Kubra (A.S.), irmã do Imam Hussein (A.S.), narraram a Jaber o ocorrido em Karbala, citando detalhes da tragédia que levou ao martírio do Imam Hussein (A.S.) e seus companheiros. Também existem narrativas que indicam que quarenta dias após o martírio do Imam Hussein (A.S.) as cabeças dos mártires companheiros do Imam (A.S.) foram enterradas em Karbala, isto foi no dia 20 de Safar, dia que a caravana dos familiares de Hussein (A.S.) passou por Karbala ao retornar de Sham e deu o último adeus ao Imam (A.S.), enterrando as cabeças do Imam (A.S.) e seus companheiros. Ao decorrer do tempo todos os Imames (A.S.) afirmaram a importância e a grande recompensa desta grandiosa Ziyarah (visitação), o que é citado nas narrações dos livros de tradição e história islâmica, configurando o Arbaeen como um evento de grandes proporções, sendo hoje uma das maiores peregrinações do mundo.

Milhões de muçulmanos seguidores da linhagem dos Ahlul Bait (A.S.) amantes da liberdade e da pura fé islâmica entraram por terra e pelo ar no território iraquiano nas últimas duas semanas. Os aeroportos das cidades de Najaf Al-Ashraf, 75 Km de Karbala, e Bagdá, a 200 Km de Karbala, e outros acesso fronteiriços ficaram lotados de peregrinos, que chegavam 24 horas por dia no Iraque para celebrar a cerimônia do “Arbaeen”, celebrada 40 dias após o martírio do Imam Hussein (A.S.) em Karbala.

A tradicional caminhada a Karbala realizada pelos peregrinos é uma cerimônia tradicional e histórica, que se estende há mais de 13 séculos. Sendo que no passado os peregrinos eram perseguidos, torturados, presos e até mesmo martirizados apenas por seguir esta tradição. O exemplo mais contemporâneo é o do regime de Saddam Hussein, que governou o Iraque de 1979 até 2003, período em que perseguiu peregrinos e visitantes do Imam Hussein (A.S.), e muitos perderam suas vidas nesta caminhada. Mas mesmo assim os peregrinos nunca deixaram de realizar esta cerimônia, por lealdade ao “Símbolo da Rejeição à Opressão e Injustiça”.

A caminhada a pé até Karbala que normalmente começava em cidades iraquianas, este ano começou em cidades iranianas que fazem fronteira com o Iraque. Milhares de peregrinos iranianos e estrangeiros que entraram ao Iraque via fronteira terrestre caminhavam longamente de cidades próximas da fronteira e seguiam a pé até cidade de Karbala. A distância varia de 95 Km do posto fiscal de fronteira de Mehran (Irã) – Badra e Jassan (Iraque) ou 575 km do posto Shalamjah (Irã) – Basrah (Iraque).

Uma das questões que mais preocupa os leigos quando ouvem a respeito do Arbaeen é o quesito da alimentação destas grandes multidões. Milhares de caravanas e grupos iraquianos, e até mesmo estrangeiros, se estabelecem nos percursos que levam até a cidade de Karbala para ter a honra de alimentar gratuitamente todos os peregrinos, com todos os diversos tipos de alimentos. A montagem de tendas de alimentação denominado “Markab”, é um meio de ajuda a peregrinos e uma tradição dos voluntariados para servir os fieis e os amantes do Imam Hussein(AS). Dezenas de voluntários trabalham dia e noite nestas caravanas e localidades, para ter a honra de servir aos peregrinos quando estiverem passando na frente de suas tendas ao decorrer da caminhada. Homens, mulheres, jovens, idosos, crianças, deficientes físicos e até mesmo os mais necessitados se sentem horados em poder servir de uma forma ou de outra, mesmo que simples, os peregrinos de Karbala.

Centenas de mesquitas, Husseinies e salões de orações também abriram suas portas para receber os milhões de peregrinos que caminham na jornada rumo a Karbala, e ao mesmo tempo milhares de tendas improvisadas na extensão do caminho inteiro foram montadas para o descanso e acomodação dos peregrinos. Até mesmo moradores de aldeias e cidades que ficam as margens das rodovias principais que levam a Karbala abriram as portas de suas próprias casas para terem a honra de atender os peregrinos, que descansam, se alimentam ou até passam a noite nestas casas. O dono da casa se honra ao servir os peregrinos, e até mesmo lavam suas roupas.

Para aqueles que durante a caminhada não conseguiram continuar a pé por qualquer motivo, foram disponibilizados veículos para fazer o trajeto de várias cidades iraquianas até Karbala. Para este fim, até mesmo veículos particulares, caminhões, ônibus e vans estão fazendo este trajeto, para a comodidade dos peregrinos.

Se precisar de algum atendimento emergencial de saúde as pessoas não precisam se preocupar, pois bases populares de atendimento emergencial, acompanhadas de ambulâncias e supervisionadas por membros de hospitais e clínicas foram disponibilizadas ao decorrer do caminho inteiro. Remédios de diversos tipos são distribuídos nestes postos, contando sempre com a presença de médicos.

Ao decorrer do percurso foram criadas diversas programações culturais islâmicas, como os locais onde se pode aprender melhor a leitura do Alcorão Sagrado e suas recitações. Professores de árabe e de Alcorão Sagrado estão prontos para aperfeiçoar a leitura dos peregrinos no decorrer do trajeto até Karbala.

O mais impressionante é que mesmo com um gigantesco número de peregrinos não se registra nenhuma briga ou discussão ao decorrer da caminhada.

Durante a celebração do Arbaeen centenas de líderes religiosos e seguidores de escolas islâmicas diversas participam nesta cerimônia para demonstrar sua solidariedade e simpatia com a causa do Imam Hussein (A.S.), o qual não foi o Imam de um grupo ou sociedade e sim o Imam e líder de toda a humanidade contra a injustiça e opressão. Dezenas de autoridades iraquianas, desde o primeiro ministro, ministros e comandantes militares verificaram de perto os serviços de segurança prestados pelo governo e acompanham todo a rede de serviços totalmente voluntários prestados por parte da população.

O mais impressionante é a classe diversificada de pessoas que fazem esta peregrinação, que vai desde o jovem até as crianças, bebês, mulheres, homens, idosos e até mesmo deficientes físicos. Todos se honram ao realizar este trajeto para visitar o Imam Hussein (A.S.), renovando seus votos de fidelidade para com a sua mensagem, que nada mais é que a mensagem da essência do Islã como prega a tradição do Profeta Mohammad (P.E.C.E), a mensagem que reprime a opressão e a injúria aos seus princípios.

Anualmente, centenas de meios de comunicação, locais e internacionais, estão presentes no Iraque para cobrir este evento que é considerado um dos mais grandiosos do mundo islâmico, e que revela a mensagem do Islã contra a injustiça e opressão, como pregada pelo Imam Hussein (A.S.) e seus companheiros em Karbala.

O que afirmar que o importante não é a quantidade de pessoas que lutaram ao lado do Imam Hussein (A.S.), pois que foram poucas e foram martirizadas, o mais importante é que a mensagem do Imam Hussein (A.S.) chegou às nações, e foi este o destino desenhado por Deus para esta grandiosa personalidade da história do Islam. Sua mensagem foi de rejeição à injuria e hipocrisia dos governantes que se nomeavam como islâmicos, mas que nada mais os interessava do que a permanência em seus postos e a corrupção, e no fundo eles nem ao menos tinham uma verdadeira crença no Islã, algo que foi claramente demonstrado pelo vil e desviado governante da época, Yazid ibn Mu´awiyah.

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