Entendendo o Hijab

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Brief

O termo hijab significa literalmente uma cobertura, cortina ou biombo. Não é este um termo técnico empregado na jurisprudência islâmica; o termo para o código de vestimenta da mulher é o que indica a conduta de homens e mulheres em seu relacionamento social (o que inclui o modo de se vestir). O termo em questão é “satir” ou “satr”. Todavia, nas últimas duas décadas os muçulmanos no ocidente e a mídia passaram a usar o termo “hijab” para definir tanto o véu como a capa ou qualquer peça da vestimenta das muçulmanas; por isso usamos o termo “hijab” neste artigo.

O Islam é uma religião mundial; sua presença pode ser percebida em toda parte, quer seja pela imigração ou pela conversão. Contudo, o símbolo mais visível da presença do Islam no mundo é o hijab o véu usado pelas muçulmanas). Na grande Toronto, podemos ver muçulmanas cobertas com seus véus nas escolas, colégios e universidades, nos locais de trabalho, nos correios e nas ruas. Sendo o símbolo mais óbvio da presença islâmica também é o alvo mais fácil para a crítica aos muçulmanos. Sempre que um político racista, a mídia ou algum grupo movido pelo ódio ataca o Islam, o primeiro alvo é o véu da mulher muçulmana. Também alguns assim chamados “especialistas” sobre o Islam assumem uma atitude complacente e tentam ensinar aos muçulmanos que o hijab não é uma exigência religiosa, mas um artifício cultural utilizado pelos muçulmanos para oprimir as mulheres. Alguns jornalistas, políticos e intelectuais muçulmanos, que se envergonham de sua própria origem, saltam nesse vagão para provar a si mesmos que são “progressistas” ou “liberais”.

É o hijab uma tradição cultural persa ou turca que foi adotada pelos árabes, que por sua vez a implantaram no Islam? Ou existe no Alcorão e na tradição profética uma base religiosa para o seu uso?

O Termo Hijab

O termo hijab significa literalmente uma cobertura, cortina ou biombo. Não é este um termo técnico empregado na jurisprudência islâmica; o termo para o código de vestimenta da mulher é o que indica a conduta de homens e mulheres em seu relacionamento social (o que inclui o modo de se vestir). O termo em questão é “satir” ou “satr”. Todavia, nas últimas duas décadas os muçulmanos no ocidente e a mídia passaram a usar o termo “hijab” para definir tanto o véu como a capa ou qualquer peça da vestimenta das muçulmanas; por isso usamos o termo “hijab” neste artigo.

Estudando o Alcorão

O Livro Sagrado dos muçulmanos é o Alcorão. É a revelação de Deus, o Onipotente, ao Profeta Mohammad (saas). Os 114 capítulos do Alcorão foram revelados paulatinamente no decorrer de vinte e dois anos. Uma parte dos versículos foi revelada em Makka, enquanto outra foi revelada em Medina. Para os muçulmanos o Alcorão é a primeira e mais importante fonte das leis e princípios islâmicos, e é considerado a mensagem definitiva de Deus para a humanidade. Portanto, deve ser seguido em todas as épocas e em todos os lugares, até o Dia do Juízo.

“Na atualidade, frequentemente nos dizem que devemos nos comportar segundo a época na qual vivemos” escreve Dr. Nasir, um proeminente sábio muçulmano que atualmente leciona sobre o Islam na Universidade George Washington. “Raramente alguém pergunta o que tem a ver “a época” com o “que é preciso fazer (ou o modo de agir)”. Para os homens que perderam a visão da realidade que transcende o tempo, que foram dominados totalmente pela confusão do tempo e do espaço, e que foram contaminados pelo historicismo predominante na filosofia europeia moderna, é muito difícil imaginar a validade de uma verdade que não se conforma ao ambiente em que eles vivem.

O Islam, entretanto, se baseia no princípio de que a verdade transcende a história e o tempo. A Lei Divina é uma realidade objetiva transcendente, pela qual o homem e suas ações são julgadas, não o contrário.

O que comumente se chama de “tempos” na atualidade é, em grande medida, um conjunto de problemas criados pela ignorância do homem quanto à sua real natureza e por sua obstinação em “viver somente pelo ganho do sustento.” Tentar moldar a Lei Divina à “época” não é nada senão suicídio espiritual, uma vez que isso afasta os próprios critérios pelos quais o verdadeiro valor da vida e da ação humana podem ser objetivamente julgados. Assim sendo, o homem é entregue aos seus piores impulsos. De fato, o próprio modo de abordagem do problema da Lei islâmica e da religião em geral tentando conformá-las à época, é um equívoco sobre toda a perspectiva e o espírito do Islam.

Algumas irmãs muçulmanas começaram a incorporar a ideologia feminista ocidental ao estudarem o Alcorão, acreditam que o hijab e outras questões relacionadas ao tema foram interpretadas de um modo quase exclusivamente do ponto de vista masculino. Algumas chegam ao ponto de dizer “uma vez que o Profeta e todos os Mensageiros de Deus foram homens, as leis foram tendenciosas (em relação às mulheres).”

O problema com esse modo de pensar é que não há qualquer evidência que o corrobore. É infundado acusar o Profeta (saas), os Imames da Ahlul Bayt (as) e mesmo os juristas (que são considerados autoridades, desde que que sejam justos) de ter uma posição tendenciosa ao interpretarem as leis divinas. Teremos agora uma interpretação do Alcorão baseada em gênero, na qual homens e mulheres estudarão o texto sagrado de modo diferente?

O Alcorão claramente diz:

“Não ambicioneis aquilo com que Deus agraciou a uns mais do que outros. Aos homens caberá a porção que ganharem e também as mulheres terão a porção que ganharem. E pede a Deus por Seu favor. Em verdade, Deus é conhecedor de todas as coisas.” (4:32)

Algumas muçulmanas “feministas” também pensam que uma mulher tem o direito de interpretar o Alcorão segundo o seu entendimento pessoal, portanto, de interpretar as normas de se vestir. Nessa discussão costuma-se mencionar o famoso versículo 2:256: “Não há compulsão na religião…”

Primeiramente, o versículo 2:256 não permite ao muçulmano fazer tudo o que quiser. Muçulmano significa “uma pessoa que se submete aos mandamentos de Deus. Dizer que um indivíduo possa ser muçulmano e ainda ter “direito de escolher tudo” é uma absoluta contradição. Em segundo lugar, esses irmãos e irmãs muçulmanas convenientemente ignoram o contexto em que esse versículo se insere. O versículo trata da escolha de religião antes de se abraçar o Islam, a submissão a vontade de Deus. Significa que ninguém pode ser forçado a tornar-se muçulmano.

O versículo fala da rejeição a Satã e a fé em Deus. Não diz que um muçulmano tenha o direito de fazer o que quiser.

Desde que um indivíduo se submete a Deus, já não há para ele escolha alguma nas questões previamente decididas por Deus e por Seu Profeta. Eis um versículo que esclarece o tópico da obediência de homens e mulheres:

“Não cabe a um crente nem a uma crente agir conforme seu arbítrio, quando Deus e Seu Mensageiro decidirem sobre um assunto. Aquele que desobedece a Deus e a Seu Mensageiro comete um erro evidente.” (33:36)

De maneira que o Alcorão é para todos; homens, mulheres, jovens, idosos, negros e brancos, árabes e não-árabes, orientais e ocidentais; e deve ser estudado a partir de seus próprios termos sem a imposição de gostos pessoais e sem ser condicionado a qualquer tendência ideológica.

O Alcorão e o Hijab

O Islam enfatizou o conceito de decência e modéstia na interação entre homens e mulheres. O código de vestimenta é parte desse ensinamento. Existem dois versículos alcorânicos nos quais Deus Altíssimo aborda a questão da decência e o hijab tal como definimos anteriormente. No vers. 30 da sura 24 (s. An Nur), Deus ordena ao Profeta que se dirija aos fiéis: “Dize aos fiéis que abaixem os olhares e preservem o pudor; isso é mais digno para eles. Deus está ciente de tudo o que fazem”. (24:30)

No versículo seguinte, Deus ordena ao Profeta que se dirija às fiéis: “Dize às fiéis que abaixem os olhares, preservem o pudor…” (24:31)

Trata-se de uma ordem similar a que foi dada aos homens, que diz respeito ao “hijab” do olhar. Esse “hijáb do olhar” se assemelha ao ensinamento de Jesus quando ele disse, “ouvistes o que foi dito pelos antigos: não pratiqueis adultério. Mas eu vos digo que, qualquer um de vós que olhar uma mulher com luxúria, terá cometido adultério com ela em seu coração.” Portanto, se alguém perceber que um muçulmano abaixou seu olhar no momento em que falava com alguém do sexo oposto, não deve considerar sua atitude uma demonstração de má-educação ou desconfiança, ele apenas observou o ensinamento alcorânico, que também é um ensinamento bíblico. Em seguida, há a ordem que descreve o código de vestimenta das mulheres: “…e não mostrem seus atrativos, além dos que (naturalmente) aparecem; que cubram o colo com seus véus…” (24:31)

Existem duas questões sobre essa sentença:

1- Qual o significado do termo “Khumur” empregado na sentença? “Khumur’ é o plural de “Khimar”, o véu que cobre a cabeça.”

“Al Munjid” o dicionário mais popular do mundo árabe, define Khimar como: “alguma coisa com a qual uma mulher cobre sua cabeça.” Fakru Ad Din Al Turayhi no “Majma Ul Bahrain” um dicionário de termos alcorânicos e tradicionais, define “Khimar” como “lenço”; assim chamado por ser usado pelas mulheres para cobrir a cabeça.”

2- O que significa a sentença” que cubram o colo com seus véus..”? De acordo com os comentaristas do Alcorão, na era pré-islâmica as mulheres de Medina tinham o costume de vestir seus khumur amarrando as extremidades do véu atrás da cabeça, com isso deixavam as orelhas e o pescoço expostos. Quando Deus Altíssimo disse “que cubram os colos com seus véus…” ordenou que deixassem os véus desatados e estendidos sobre o colo, de modo a que cobrissem as orelhas, o pescoço e a parte superior do peito.” O que se confirma pela maneira como as muçulmanas da época do Profeta compreenderam essa ordem divina. As fontes sunitas citam de Aisha, a esposa do Profeta: “Eu não vi mulheres melhores do que aquelas dos Ansar; quando o versículo foi revelado, todas pegaram seus aventais e os rasgaram, em seguida cobriram suas cabeças com eles…”

Khimar no contexto em que o versículo foi revelado se refere a cobrir a cabeça e usar as extremidades do véu para ocultar o pescoço e o colo. É absurdo acreditar que o Alcorão empregaria esse termo (que por definição, é um pano que cobre a cabeça) para ordenar que se cobrisse apenas o colo, e não a cabeça! Seria o mesmo que dizer “vista a camisa somente ao redor da cintura e não cubra o peito!

O versículo continua dando a lista dos mahram, os familiares masculinos em cuja presença o uso do hijab não é necessário (o esposo, o pai, o enteado, o flho, etc.).

O Segundo versículo

“Ó Profeta, dize a tuas esposas e filhas; e às mulheres dos crentes que se cubram com suas mantas…” (33:59)

Qual o significado de Jalabib? “Jalabib” é o plural de “jilbab” que significa “uma manta larga” No dicionário Al Munjid, consta: “uma camisa ou uma veste larga”. No Majma ul Bahrayn: “uma veste larga, maior do que um véu e mais curta do que uma capa, que uma mulher usa cobrindo a cabeça e o colo…” Portanto, as normas islâmicas de vestimenta para as mulheres inclui não apenas um véu que cubra a cabeça, o pescoço e o colo, mas também uma manta larga e longa (que cubra o corpo). Assim, a combinação, por exemplo, de uma blusa, um jeans apertado e um véu cobrindo a cabeça não preenche os requisitos do código islâmico de vestimenta para as mulheres.

A Sunna (Tradição) e o Hijab

A sunna, os dizeres e exemplos do Profeta (saas), é a segunda fonte para as leis islâmicas. É impossível compreender realmente o Alcorão sem o estudo da vida do Profeta, que forneceu o contexto em que o Livro Sagrado foi revelado. Deus Altíssimo diz: “E a ti revelamos a Mensagem, para que esclareças os humanos a respeito do que lhes enviamos, a fim de que reflitam”. (16:44). “A sunna” é esse esclarecimento mencionado no versículo.

Há uma tendência entre os denominados “muçulmanos progressistas ou liberais” para afirmar que eles seguem apenas o Alcorão e ignoram a Sunna do Profeta. Respondendo a esses muçulmanos, os Doutores Murata e Chittick escrevem, “Nós estamos perfeitamente cientes de que muitos muçulmanos contemporâneos estão cansados daquilo que consideram ultrapassado; eles gostariam de abandonar sua herança intelectual substituindo-a por algo realmente “científico”, como a sociologia. Ao afirmarem que a herança intelectual islâmica é supérflua e que o Alcorão não é suficiente, essas pessoas se renderam ao espírito da época. Essa é uma iniciativa muito diferente daquela adotada pelos grandes eruditos da religião, que interpretaram o seu tempo à luz da grande tradição e que jamais caíram diante do “pensamento dominante do momento”, a mais antiquada de todas as abstrações”. (S.Murata,W. Chittick – Vision of Islam).

Do ponto de vista xiita, as tradições autênticas dos Imames da Ahlul Bayt (as) descrevem fielmente a sunna do Profeta e fornecem ainda mais esclarecimentos sobre os significados dos versículos alcorânicos. O próprio Profeta apresentou os Ahlul Bayt como “os gêmeos do Alcorão.”

Estas duas tradições dos Ahlul Bayt sobre a questão do hijab servem de exemplo:

Al Fudayl Ibn Yasir perguntou ao Imam Sadiq (as) sobre os antebraços de uma mulher; se estavam incluídos na categoria de atrativos que deveriam ser cobertos. O Imam respondeu: “Sim, e o que estiver sob véu que cobre a cabeça e o que estiver sob os punhos da camisa.” Como vemos nessa tradição fiel, o Imam exclui as mãos e a face, contando tudo o mais como “os atrativos que não devem ser exibidos exceto para os seus maridos…”

Abu Nasr Al Bazini cita de Imam Ar Rida (as): “Uma mulher não precisa cobrir sua cabeça na presença de um menino que não tenha alcançado a puberdade.” A implicação dessa afirmação é óbvia, desde que, como é sabido, uma mulher deve cobrir seus atrativos diante de um menino com o qual ela não tenha laços de parentesco que tiver alcançado a puberdade. Esse ponto de vista é compartilhado por todos os fundadores das escolas sunitas de jurisprudência. De acordo com Malik, Shafi’i, Hanafi e Hambal: “todo o corpo da mulher é awra’h (isto é, deve ser coberto) com exceção da face e das mãos.”

Diante do que foi exposto acima, está bem evidente que o Hijab faz parte dos ensinamentos do Alcorão. Confirmamos o modo como o Profeta Mohammad (saas) entendeu e aplicou esses versículos. Também verificamos o modo como os Imames da Ahlul Bayt (as) e os eruditos islâmicos das primeiras gerações entenderam o Alcorão. Entendimento este que foi confirmado pelos muçulmanos no decorrer de catorze séculos. Estranhamente, ouvimos agora alguns “especialistas” do Islam falando que o hijab não tem nada a ver com o Islam, que é somente uma questão cultural ou uma escolha pessoal.

Cultura Islâmica e Estilo do Hijab

É muito provável que esses assim chamados “especialistas” do Oriente Médio tenham confundido a ordem alcorânica com o modo de uso do hijab das muçulmanas de variadas culturas e etnias. A exigência do hijab é alcorânica. Basicamente essa exigência é de que a mulher muçulmana cubra sua cabeça e seu colo (com o véu) e o seu corpo com uma vestimenta larga. Naturalmente, sua face e suas mãos podem ficar expostas.

Quando se trata do estilo, da cor e do material dessa vestimenta, cada grupo étnico segue a ordem alcorânica segundo sua própria cultura. A variedade de estilos tem sua razão de ser uma vez que o Islam é uma religião mundial; não está limitada a nenhuma região, tribo ou cultura. Portanto, vemos que as muçulmanas da Arábia usam o “abaya”, as da Pérsia (Irã) usam o “chador”, as muçulmanas afegãs, a “burqa”, as indo-paquistanesas, o “niqab” ou “purdah”; as malaias e as indonésias, o “Kenudung”; as africanas orientais, o “buibui”; e agora as muçulmanas canadenses usam roupas de tendências atuais com um véu maior e traje largo.

O Islam não se preocupa com o estilo, conquanto preencha o requisito básico do khimar e do jilbab. Isso, no ponto em que religião e cultura interagem; e nesse aspecto está o dinamismo da shari’ah (lei divina). Essa interação pode ter confundido alguns desses “especialistas” do Islam que, erroneamente, acreditam que o hijab é uma tradição cultural e não uma exigência religiosa.

Cabe notar que cobrir a face não é um ítem das normas do uso do hijab. Os juristas xiitas bem como a maioria dos juristas sunitas dizem que a face só deve ser coberta numa situação em que há o perigo de “fitna”, isto é, uma situação que possa levar à prática do pecado.

Por que o Hijab? Por que o Islam tornou obrigatório o hijab para a mulher?

O Islam introduziu o uso do hijab como parte da decência e da modéstia no relacionamento entre mulheres e homens. O versículo 59 da sura 33 apresenta uma boa razão para o seu uso:

“Isso é mais adequado para que sejam reconhecidas e não sejam molestadas. Deus é Perdoador, Misericordioso.”

Os homens, reconheçam ou não, são escravos do desejo.

– O hijab protege a mulher; simboliza que ela é destinada a apenas um homem, e está fora do alcance de todos os demais.

– O hijab contribui para a preservação e a estabilidade do casamento e da família dificultando os relacionamentos extra-matrimoniais.

– Por fim, o hijab impele o homem a dar atenção preferencialmente à personalidade da mulher, e não somente a sua beleza física.

Ao comentar sobre a vestimenta das mulheres no norte da África e no sudeste asiático, Germaine Greer, uma das pioneiras do movimento de libertação feminina, escreveu: “Mulheres que vestem cortes, huiples ou saris; jallabas, salwar, kameez ou qualquer outra roupa larga podem mover seus corpos à vontade sem embaraço ou desconforto. Mulheres com véus ou xales podem amamentar sem chamar a atenção, enquanto o bebê fica protegido da poeira e dos insetos. Na maioria das sociedades não-ocidentais, a veste e os ornamentos da mulher celebram a função maternal, a qual negamos.” (Sex & Destiny, Greer)

“As feministas e a mídia ocidental frequentemente rotulam o hijab como um símbolo de opressão e da servidão das mulheres. Essa perspectiva sexista reflete a influência das feministas ocidentais que, inconscientemente reagem ao conceito judaico-cristão de véu: o símbolo da submissão da mulher ao seu marido”. (Aid to Bible Understanding)

“Olhar a nossa própria história ou cultura religiosa e então, emitir um julgamento de outra religião é, na melhor das hipóteses, um equívoco intelectual, e na pior, uma manifestação de imperialismo cultural! Meu pai fez uma interessante observação num artigo. (Ao comentar o fato) de que quando os europeus invadiram o continente africano há um século, encontraram algumas tribos nas quais a nudez era o costume. Eles forçaram essas tribos a usarem roupas como uma marca da civilização. (Disse ele): “Agora aqueles que advogavam a “civilização” desejam abandonar suas roupas. Alguém poderia mesmo supor que aquelas tribos do passado seriam mais civilizadas do que o resto do mundo. Afinal, é o resto do mundo que agora está tentando imitar as chamadas “sociedades primitivas”.” (On Modesty, S. Akhtar Rizvi)

Eu fico surpreso com uma sociedade que demonstra tolerância com uma mulher que deseja sair em público com os seios à mostra, mas encontra dificuldade em tolerar uma jovem que, por vontade própria, escolhe usar o hijab. Naheed Mustafa, uma muçulmana canadense, diz: “No ocidente, o hijab se tornou um símbolo de silêncio forçado ou de militância radical, ainda que inconsciente. Não é nada disso. (O uso do hijab) é somente a afirmação feminina de que o julgamento sobre seu corpo não deve desempenhar papel algum em sua interação social. O uso do hijab libertou-me da constante atenção dos outros sobre o meu aspecto físico. Pelo fato de minha aparência não estar sujeita ao escrutínio público, minha beleza, ou a ausência dela, foi removida do campo daquilo que deve ser legitimamente discutido”. (My Body is My Own Business, Mustafa)

O hijab não é um símbolo de opressão. As mulheres são oprimidas por razões socioeconômicas mesmo nos países onde as mulheres jamais ouviram falar no hijab. Ao contrário, a prática de exibir imagens de mulheres seminuas em comerciais, cartazes e em toda indústria do entretenimento no ocidente é um verdadeiro símbolo de opressão feminina.

O hijab não impede a mulher de adquirir conhecimento tampouco de contribuir com a sociedade humana. As mulheres, historicamente, prestaram grande contribuição ao Islam. Khadijah, a primeira esposa do Profeta, desempenhou um importante papel no início do Islam. Uma mulher de negócios bem-sucedida, por seus próprios méritos, ela foi a primeira pessoa a acreditar na mensagem do Profeta Mohammad (saas). Sua aceitação e sua fé foram de grande ajuda emocional ao Profeta. Ela se manteve ao seu lado nos dias difíceis do início de sua missão, e doou de seus recursos para a promoção da nova Mensagem.

A primeira pessoa a ser martirizada no Islam foi uma mulher (Sumaya), esposa de Yasir e mãe de Ammar. Ela foi assassinada com seu esposo ao se recusarem a renunciar ao Islam. Fátima Az Zahrah (as), a filha do Profeta Mohammad (saas), foi um farol de orientação para as mulheres de seu tempo. Fátima (as) fielmente ficou ao lado de seu esposo, Imam Ali (as), na luta por seu direito ao Califado; Fátima (as) protestou com veemência contra a primeira violação do direito de herança no Islam.

Um dos mais importantes acontecimentos no início do Islam foi o de Karbala, que foi um protesto liderado pelo Imam Husain (as) contra a tirania. O exército de Yazid massacrou Husain (as) e setenta e dois de seus apoiadores. Foi uma irmã de Husain (as), Zainab, que continuou o protesto social e influenciou sobremaneira o despertar do povo no sentido de se levantar contra a tirania dos governantes. Zainab muito contribuiu para o surgimento das condições que, mais tarde, desencadearam a queda dos omíadas.

Conclusão

Para aqueles que julgam severamente o hijab como um símbolo de opressão, pergunto: “Quando você vê uma freira em seu hábito, o que você pensa? Que é um símbolo de opressão ou uma vestimenta que exige respeito e dignidade? O hábito de uma freira é um completo “hijab”. Por que então dois pesos e duas medidas em seu julgamento? Não é essa uma atitude de imperialismo cultural? Quando uma freira católica veste seu hábito merece ser respeitada, mas quando uma muçulmana cobre o seu corpo, torna-se um símbolo de opressão?”

No Islam, queremos respeito a todas as muçulmanas, não apenas para um grupo seleto delas que tenha optado servir a causa de sua religião. Eu saúdo as mulheres que encontraram coragem em si mesmas para observar o preceito do hijab numa sociedade não-islâmica; e eu sobretudo incentivo seus companheiros a apreciar a valiosa colaboração dessas mulheres, que se colocam no front da luta para formar um nicho islâmico na sociedade ocidental.

Por último, devo dizer que a despeito de tudo o que falam sobre a supressão de direitos da mulher nas sociedades islâmicas, temos que citar três países que tiveram primeiras- ministras: Turquia, Paquistão e Bangladesh. Por outro lado, alguns países ocidentais jamais demonstraram semelhante aceitação ao avanço feminino, para que uma mulher fosse eleita, por um mandato completo, ao cargo de presidente ou primeiro-ministro. Eu creio que esse fato diz muito sobre o Islam e os muçulmanos.

Questões Comuns sobre o Hijab e Assuntos relacionados

1 – O quer significa “abaixar o olhar.”

Significa que a pessoa não deve olhar para um membro do sexo oposto, exceto para as partes de seu corpo que possam ficar descobertas. Por exemplo, é permitido a um homem olhar para a face e as mãos de uma mulher não-mahram (que não esteja a ele relacionada), contanto que o faça sem intenção libidinosa. Mahram – 1. pessoa diante da qual o uso do hijab não é obrigatório para a mulher. 2. pessoa relacionada familiarmente (dentro das categorias estipuladas pelo Alcorão).

2 – É permissível cumprimentar uma pessoa do sexo oposto com um aperto de mão?

Só é lícito fazê-lo se a pessoa for “mahram’; do contrário, não.

3 – É permissível a mulher utilizar cosméticos na face ou anéis nos dedos?

Sim, desde que uma mulher (casada) não o faça com a intenção de atrair a atenção dos homens para si.

4 – A maioria das muçulmanas que usam o hijab costumam deixar o queixo e uma pequena parte abaixo dele expostos. Isso é lícito? E qual o tamanho da área facial que é permissível deixar descoberta, as orelhas estão incluídas nela?

As orelhas não fazem parte da face, portanto devem ser cobertas. Quanto ao queixo e a parte inferior do mesmo, são consideradas partes da face, portanto podem ser expostas.

5 – Depilar a face, definir as sobrancelhas e utilizar maquiagem suave são costumes permissíveis?

Sim. Desde que a intenção não seja chamar a atenção.

6 – Uma mulher pode usar uma peruca, substituindo assim o hijab?

A peruca é um artigo de beleza (que se torna um atrativo), assim sendo, deve estar coberto na presença de um homem não-mahram.

7 – É lícito que a mulher use sapatos de salto alto que façam com que ela chame a atenção para si?

Se a intenção ao usá-los é a de chamar a atenção dos homens e cometer o pecado, então o uso se torna ilícito.

8 – Se uma mulher usa o hijab e veste um jeans apertado ou uma camisa apertada, o uso do hijab em tais condições é aceitável?

Qualquer vestimenta que revela os contornos do corpo ou que, normalmente desperta o desejo masculino não preenche os requisitos da decência. O uso do hijab nessas condições não tem sentido.

9 – É permissível que um homem frequente piscinas para ambos os sexos ou locais similares onde as pessoas circulem seminuas?

Não, se ele o fizer será um ato haram. Baseado no princípio da precaução obrigatória o homem deve evitar tais lugares, mesmo (se não houver risco) de cometer algo proibido.

10 – O cunhado ou o primo estão incluídos entre as pessoas em cuja presença a mulher não precisa usar o hijab? É permissível cumprimentá-los com um aperto de mão ou abraçá-los?

O cunhado e o primo não estão incluídos na lista, assim, é obrigatório que uma mulher muçulmana observe o uso do hijab na presença deles, também não é permissível que ela cumprimente-os com um aperto de mão ou com um abraço. O mesmo se aplica ao muçulmano em relação a sua prima ou cunhada.

O Mahram

Para a mulher (aqueles em cuja presença o hijab não é necessário): Pai – Avô – Irmão – Sogro – Marido – Filho – Filho Adotivo – Enteado – Sobrinho – Tio materno – Tio paterno – Qualquer menino (que não tenha alcançado a puberdade) – Mulheres em geral.

Para o homem os mahram são: Mãe – Avó – Irmã – Madrasta – Esposa – Filha – Filha adotiva – Enteada – Sobrinha – Tia paterna – Tia materna – qualquer menina (que não tenha chegado à adolescência).

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