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Bolsonaro viu no 7 de setembro o 'tudo ou nada' para salvar seu mandato e cabeça, avalia professor

A Sputnik Brasil conversou com o professor Arnaldo Cardoso sobre as repercussões das manifestações antidemocráticas que ocorrem no Dia da Independência do Brasil.

As repercussões negativas dos atos no feriado do 7 de setembro, que pediam, dentre outras coisas, o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF), vão pressionar os partidos do centrão a desembarcar do governo Bolsonaro, uma vez que o custo político de se manter na base de apoio será muito alto nas eleições de 2022. A avaliação é do professor e cientista político Arnaldo Cardoso, que conversou com a Sputnik Brasil sobre as possíveis repercussões das manifestações antidemocráticas que ocorrem no Dia da Independência do Brasil.

​Nos atos em Brasília e em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez duras ameaças ao STF e seus ministros, focando principalmente no ministro Alexandre de Moraes.

"Ou esse ministro [Alexandre de Moraes] se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas turve a nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir, tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha. Deixa de oprimir o povo brasileiro, deixe de censurar seu povo [...]. A paciência do nosso povo já se esgotou", disse o presidente durante a manifestação na Avenida Paulista.

Atendendo a um pedido feito pela Procuradoria-Geral da República, o ministro Alexandre de Moraes determinou, em 1º de julho, o arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos, mas abriu outra investigação para apurar a existência de uma organização criminosa digital criada para atacar as instituições do país. A atitude foi vista como uma forma de driblar o pedido da PGR.

Arnaldo Cardoso afirma que essa nova investigação abriu novas frentes de apurações contra bolsonaristas, vinculando-as ao inquérito das fake news, que apura a divulgação de informações falsas.

"Esse é um tema sensível ao governo Bolsonaro pois implica as suas práticas desde a campanha eleitoral, envolvendo muitos de seus operadores e apoiadores. As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa com fortes interações com a Secretaria de Comunicação da Presidência [Secom] [...]. Cabe lembrar que o ministro [Moraes] presidirá o Tribunal Superior Eleitoral [TSE] em 2022, ano de sucessão presidencial."
O professor avalia ainda que os ataques a Alexandre Moraes podem ser uma estratégia para "tentar nublar o fato de que o ataque é à instituição do STF, a corte máxima do país. Tal atitude é condizente com o estilo bolsonarista: personalista, avesso às instituições amparadas na lei, é uma conduta miliciana".

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