Brasil sentenciou oito suspeitos a realizar ataques terroristas em Operação Hashtag

Brasil sentenciou oito suspeitos a realizar ataques terroristas em Operação Hashtag

A Justiça Federal do Paraná condenou nesta quinta-feira (4), oito homens que eram réus da Operação Hashtag, que investiga o envolvimento de brasileiros com organizações terroristas pouco tempo antes dos Jogos Rio 2016, marcando a primeira vez que uma lei antiterrorista muito debatida formou a base de um caso na maior nação da América Latina.

Segundo o juiz Marcos Josegrei da Silva, responsável pelo caso, os oito acusados estavam planejando realizar ao menos um atentado terrorista durante as Olimpíadas no país, o maior evento esportivo do planeta.

O brasileiro que teve a maior pena foi Leonid El Kadre de Melo, que foi condenado a 15 anos, 10 meses e cinco dias de prisão em regime fechado por recrutamento para organização terrorista, promoção de organização terrorista, corrupção de menores e associação criminosa. Segundo a defesa do réu, Melo não teria sido o autor de postagens que incitavam atentados e nem teria recrutado militantes.

Além disso, o advogado do brasileiro ainda disse que o processo sofreu abusos. Já os outros sete condenados desta quinta cumprirão penas entre cinco e seis anos, também em regime fechado.

São eles, Alisson Luan de Oliveira, Fernando Pinheiro Cabral, Luis Gustavo de Oliveira, Israel Pedra Mesquita, Levi Ribeiro Fernandes de Jesus, Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo e Hortêncio Yoshitake.

O juiz disse que El Kadre tinha três perfis no Facebook que ele usava para comemorar ataques terroristas sendo cometidos em outros países e para jurar sua lealdade a Daesh. Zaine El Kadri, mãe de El Kadre e advogada, disse que a decisão não provou que seu filho realmente cometeu um crime. "Eles não têm nada sobre ele", disse ela em uma entrevista por telefone.

"Nós vamos apelar e tirá-lo para fora." El Kadri disse que seu filho estava entrando em seu 36º dia em uma greve de fome para protestar contra o encarceramento injusto.

Semanas antes dos Jogos Olímpicos, 13 homens foram presos em uma operação de alto perfil em julho. Cinco foram libertados alguns meses depois. O caso contra eles é o primeiro a testar uma lei de 2016 que ampliou o alcance do que poderia ser considerado terrorismo na maior nação da América Latina.

Quando o Congresso brasileiro aprovou a lei, grupos de direitos humanos advertiram que uma linguagem excessivamente ampla poderia permitir que o governo se movesse contra os manifestantes e outros por simplesmente expressar a liberdade de expressão.

A lei exige até oito anos de prisão por "defender o terrorismo" e 10 a 20 anos para "juntar-se a organizações terroristas", embora "terrorismo" e "terrorista" não estejam definidos. Quando os homens foram presos, o então ministro da Justiça, Alexandre Moraes, disse que alguns deles haviam prometido fidelidade a Daesh sem ter contato pessoal com membros do grupo terrorista no exterior.

Os homens que foram presos nunca se conheceram pessoalmente e se comunicaram entre si por meio de aplicativos de mensagens WhatsApp e Telegram, disse ele. Moraes os chamava de "amadores" e "mal preparados".

O mais próximo que o grupo chegou a planejar um ataque foi uma suposta tentativa de comprar uma metralhadora AK-47 de uma loja no Paraguai via e-mail, mas Moraes disse que a polícia estava justificada em agir a luz de ataques de "lobo solitário" nos EUA e na Europa.

 

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