Coreia do Norte pede que Brasil e América Latina não rompam relações como quer os EUA

Coreia do Norte pede que Brasil e América Latina não rompam relações como quer os EUA

A Coreia do Norte condenou neste sábado o pedido dos Estados Unidos para que países da América Latina rompam as suas relações diplomáticas e econômicas com a Coreia do Norte, alegando que isso viola as leis internacionais.

Na última quarta-feira, o vice-presidente estadunidense Mike Pence esteve em Santiago (Chile) e pediu que Brasil, Chile, México e Peru rompessem as suas relações com Pyongyang. Para o republicano, é preciso aumentar a pressão sobre o regime de Kim Jong-un.

"É necessário que o regime de Pyongyang entenda que todas as opções estão sobre a mesa", disse Pence em uma coletiva de imprensa conjunta com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. Horas depois, o Brasil informou que não comentaria o pedido.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores norte-coreano informou à agência de notícias estatal KCNA que a solicitação feita por Pence aos países latino-americanos é uma intervenção em assuntos internos de Estados soberanos, além de ser uma violação das leis internacionais.

"Esse comportamento coercitivo mostrou um extremo egoísmo e arrogância dos Estados Unidos, buscando obter benefícios ao sacrificar todas as outras partes do mundo", disse o porta-voz, respondendo a uma pergunta de um repórter da KCNA.

O porta-voz pediu então aos países latino-americanos que rejeitassem a demanda dos EUA, sob pena de correrem um risco iminente.

"Todos os países se tornarão vítimas de intervenções nos Estados Unidos em assuntos domésticos, se eles cumprirem ou aprovarem tácitamente as sanções do UNSC patrocinadas pelos Estados Unidos", completou.

O funcionário norte-coreano acrescentou que Pyongyang irá avançar suas relações amigáveis com muitos países do mundo, com base na ideologia da auto-confiança, da paz e da amizade.

Também à KCNA, outro porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Norte não identificado também criticou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, por ter dito que a causa da tensão escalada na Península da Coreia é Pyongyang.

"Recentemente, o secretário-geral da ONU fez uma observação absurda de que o agravamento da tensão na península foi causado pelo desenvolvimento nuclear e míssil da RPDC [Coreia do Norte]. Sua observação não passa de uma revelação de sua ignorância sobre a essência do problema nuclear. Para deixar claro, a causa fundamental do problema nuclear e o círculo vicioso do agravamento da situação é a política hostil dos EUA e suas ameaças nucleares contra a RPDC", avaliou o porta-voz.

Há duas semanas, o Conselho de Segurança da ONU impôs duras sanções contra a Coreia do Norte em função dos seus programas militares, sendo que tais medidas podem causar um impacto em até um terço da exportações de Pyongyang. A meta é que, com tal impacto, o regime aceite negociar com a comunidade internacional.

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