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Cientista diz que 'podemos nunca saber' origens da COVID-19, mas as pesquisas devem continuar

Cientista diz que 'podemos nunca saber' origens da COVID-19, mas as pesquisas devem continuar

A pandemia da COVID-19 fez com que cientistas de todo o mundo se empenhassem em identificar as origens do vírus respiratório, com até o presidente Joe Biden ordenando às agências de inteligência dos EUA que relatassem sua própria investigação.

Em meio à busca contínua pelas origens do SARS-CoV-2, alguns cientistas reconheceram que, apesar de seus melhores esforços, o mundo pode nunca saber exatamente o que desencadeou a pandemia, segundo o Wall Street Journal.

Linfa Wang, especialista em vírus de morcego e professor envolvido no programa de doenças infecciosas emergentes da Escola de Medicina Duke-NUS em Cingapura, acredita que os mamíferos são um grupo de potenciais propagadores de doenças. Wang acredita que a pesquisa sobre a origem dos vírus do tipo SARS e outros vírus mortais podem servir como um "exemplo de advertência".

A SARS começou como um surto na China. Na época, o governo chinês foi criticado por não compartilhar informações com o público e com a Organização Mundial da Saúde (OMS) com a rapidez necessária. Os morcegos eram suspeitos na época, como é o caso agora com a COVID-19.

Impulsionado por uma busca por uma prova definitiva dessa teoria, Wang foi membro da missão da OMS de 2003 para investigar a SARS e, posteriormente, colaborou com pesquisadores de vírus na China por mais de uma década.

A atenção recaiu sobre uma população de morcegos-ferradura ocupando uma caverna na província de Yunnan. O guano do chão da caverna foi analisado em busca de vírus, enquanto amostras de sangue, saliva e urina foram coletadas de morcegos capturados.
De acordo com a equipe, os morcegos que povoavam a mesma caverna haviam infectado uns aos outros com uma sucessão de diferentes cepas virais. Depois que eles se misturaram, eles criaram um vírus semelhante ao da SARS que foi transmitido aos humanos.

Eles também emitiram um alerta de que outros coronavírus semelhantes ao SARS, capazes de infectar pessoas, estavam circulando entre os morcegos na região, tornando outra epidemia semelhante à SARS uma possibilidade real.

No entanto, por mais viáveis ​​que fossem suas pesquisas na época, as conclusões citadas foram o mais próximo que puderam chegar de encontrar as origens da doença.

"Ainda não há uma 'prova indubtável'. Nunca encontramos um morcego que seja a fonte da SARS que os humanos têm", disse Wang.
'Obstáculos Políticos'
Wang foi citado como alegando que a busca contínua pelas origens do SARS-CoV-2 está atolada na política. Referindo-se à crítica da China por atrasar a entrada de uma equipe liderada pela OMS que viajou para lá em janeiro de 2020 para investigar o surto, ele disse:

Em janeiro, especialistas internacionais viajaram para Wuhan, onde examinaram um laboratório, hospitais e mercados em busca de pistas sobre as origens do SARS-CoV-2. A OMS então compilou um relatório, dizendo que um vazamento do novo coronavírus de um laboratório em Wuhan, o primeiro viveiro de COVID-19, era muito improvável.

O relatório, divulgado em março, disse que o novo vírus foi provavelmente transmitido para humanos a partir de morcegos por meio de um hospedeiro intermediário.No entanto, recentemente, os EUA e outros países solicitaram uma segunda fase de estudos para explorar as duas hipóteses principais: que o vírus resultou de um vazamento de laboratório ou saltou para humanos de animais infectados.

O governo Biden ordenou em maio que as agências de inteligência dos EUA relatassem as origens do COVID-19 em 90 dias. Apesar do governo e dos políticos dos EUA empurrarem sua agenda política ao acusar a China da chamada "teoria do vazamento de laboratório", visando vários cientistas globais e o Instituto de Virologia de Wuhan (WIV, na sigla em inglês), a maioria dos cientistas se manifestou para rejeitar a teoria.

Sua declaração ocorreu após um relatório do Wall Street Journal afirmando que três pesquisadores do laboratório foram hospitalizados com sintomas semelhantes aos da gripe em novembro de 2019. Anderson elogiou o laboratório como tendo a mais alta designação de biossegurança.

Olhando para as muitas descobertas inconclusivas ao longo de sua pesquisa, Wang está decidido a não desistir.

"Talvez nunca saibamos. Continuaremos procurando", disse ele.

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