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Cientistas renunciam a prêmio após Bolsonaro retirar pesquisador contrário à cloroquina

Um grupo de 21 cientistas renunciou em carta aberta à Ordem Nacional do Mérito Científico atribuída por Jair Bolsonaro, que removeu a medalha a um especialista que se opôs ao medicamento.

Cientistas condecorados por Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, renunciaram à Ordem Nacional do Mérito Científico, depois que um deles foi retirado da lista por criticar o uso da cloroquina para tratamento contra a COVID-19, relata no sábado (6) o G1.

"Enquanto cientistas, não compactuamos com a forma pela qual o negacionismo em geral, as perseguições a colegas cientistas e os recentes cortes nos orçamentos federais para a ciência e tecnologia têm sido utilizados como ferramentas para fazer retroceder os importantes progressos alcançados pela comunidade cientifica brasileira nas últimas décadas", afirmou a carta publicada pelos cientistas no sábado (6).
O cientista revogado foi Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda, da Fiocruz, e Adele Benzaken, atual diretora da Fiocruz Amazônia, também foi excluída da condecoração. Os pesquisadores consideraram mesmo assim "gratificante" estarem presentes na lista.

Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), um dos cientistas mais influentes do mundo, e que já renunciou à medalha na sexta-feira (5), comentou em entrevista ao G1 que a "honraria era uma das coisas mais altas que um cientista pode almejar em termos de distinção", mas que "aceitar esta homenagem deste governo seria compactuar com o negacionismo, com a maneira como a pandemia tem sido enfrentada e com os cortes no orçamento científico do Brasil".

"Entretanto, a homenagem oferecida por um Governo Federal que não apenas ignora a ciência, mas ativamente boicota as recomendações da epidemiologia e da saúde coletiva, não é condizente com nossas trajetórias científicas", defendem os 21 cientistas na carta.
O uso da cloroquina e hidroxicloroquina, promovidas pelo atual presidente brasileiro durante a pandemia da COVID-19, não tem sido apoiado por estudos científicos, que apontam sua falta de eficácia no combate ao coronavírus. Especialistas epidemiológicos também têm criticado seu uso pela administração de Jair Bolsonaro.

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