Fatima Rajina, acadêmica especializada em muçulmanos britânicos, raça e identidade, argumenta que a decisão do governo de vincular as discussões sobre a Palestina às políticas de proteção infantil (safeguarding) e ao programa de combate ao extremismo Prevent corre o risco de transformar o ativismo pró-Palestina em uma questão de segurança.
O Departamento de Educação do Reino Unido aceitou todas as 27 recomendações de uma revisão independente sobre antissemitismo em escolas e faculdades. As propostas incluem incentivar as escolas a adotar a definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Lembrança do Holocausto (IHRA), restringir o uso de broches pró-Palestina por professores e incorporar o antissemitismo às políticas escolares de proteção infantil.
Rajina alerta que vincular o antissemitismo ao programa Prevent é particularmente preocupante, dado que os muçulmanos foram afetados de forma desproporcional pelos encaminhamentos ao Prevent. Ela argumenta que a nova abordagem corre o risco de reforçar a percepção de que alunos muçulmanos envolvidos no ativismo pró-Palestina são potenciais ameaças à segurança.
A autora também questiona a posição do governo de que as escolas não devem se tornar plataformas para protestos ou declarações sobre acontecimentos geopolíticos. Ela destaca que estudantes britânicos foram às ruas e às redes sociais, nos últimos três anos, para protestar contra o apoio do Reino Unido a Israel em meio à sua guerra em Gaza.
Ela ressalta ainda o que vê como um duplo padrão: enquanto escolas britânicas participaram de atividades de arrecadação de fundos para a Ucrânia, as discussões sobre a Palestina são cada vez mais tratadas como delicadas ou potencialmente perigosas.
Rajina também alerta que a adoção da definição da IHRA poderia prejudicar a liberdade acadêmica e desencorajar críticas às políticas do governo israelense. Embora a definição afirme que a crítica a Israel não é inerentemente antissemita, ela argumenta que sua aplicação prática poderia ser usada para silenciar o debate legítimo.
A reportagem conclui que as novas diretrizes poderiam levar as escolas a evitar completamente a discussão sobre a Palestina, restringindo a liberdade de pensamento e de expressão dos alunos e reforçando o racismo antipalestino, particularmente contra alunos muçulmanos.
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