Soaram explosões no aeroporto de Cabul, Afeganistão, relatou na quinta-feira (26) o Wall Street Journal, citando uma fonte do Ministério da Saúde do Afeganistão.
"Mais de 60 civis afegãos foram mortos e 150 feridos em explosões fora do aeroporto de Cabul", relatou o WSJ.
Uma outra explosão ocorreu posteriormente perto do Aeroporto Hamid Karzai de Cabul, de acordo com a emissora local 1TV. Zabiullah Mujahid, porta-voz do Talibã (organização terrorista, proibida na Rússia e em vários outros países), contou no Twitter que se tratou de uma demolição controlada por parte dos EUA, com o grupo afirmando que isso foi feito com o objetivo de destruir munições.
Kenneth McKenzie, que dirige o Comando Central (CENTCOM, na sigla em inglês) norte-americano, relatou em briefing de imprensa que ao menos 12 militares dos EUA morreram, e 15 ficaram feridos após as explosões de Cabul nesta quinta-feira (26). A agência britânica Reuters indicou ainda que o número de civis mortos não podia ser determinado, mas que os vídeos publicados por jornalistas afegãos mostravam dezenas de cadáveres, que faziam parte de multidões fora do aeroporto.
Mais tarde, a emissora Al Arabiya confirmou, citando funcionários do Afeganistão, que ao menos 72 pessoas morreram, e outras 158 foram feridas devido aos ataques em Cabul.
O diretor do CENTCOM detalhou que 5.000 pessoas estão ainda aguardando evacuação na pista do aeroporto, e que ainda há 1.000 cidadãos dos EUA no Afeganistão, sendo que alguns preferiram ficar no país. Por sua vez, o Departamento de Estado norte-americano informou que dois terços desse último grupo estão dando passos para deixar o Afeganistão.
Duas explosões ocorreram fora do aeroporto de Cabul nesta quinta-feira (26), uma delas perto do Hotel Baron, onde se reuniam estrangeiros, escreve mídia. A primeira explosão teria sido realizada por um bombista suicida, seguida por um ataque com um carro-bomba.
Lloyd Austin, diretor do Departamento de Defesa dos EUA, advertiu que Washington não planeja alterar o prazo de saída de terça-feira (31), apesar das explosões que ocorreram no aeroporto de Cabul, e que os norte-americanos e o Talibã partilham esse objetivo. Ele também prometeu retaliar contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) pelos ataques em Cabul, depois que o grupo militante assumiu responsabilidade por eles.
McKenzie afirmou estar convencido que o Talibã não deixaria esses ataques ocorrerem.
Austin revelou ainda que Washington partilha informação de ameaças terroristas com o Talibã, e segundo o alto responsável, essa cooperação já evitou alguns ataques.
O caos tem se instalado no Afeganistão depois que as forças dos EUA e da OTAN começaram a sair do país, levando a vitórias rápidas do Talibã em quase todo o país, incluindo a capital Cabul.
O grupo militante não assumiu responsabilidade pelos ataques junto do aeroporto de Cabul, com Zabiullah Mujahid, representante do Talibã, afirmando à Sputnik que os militantes permitirão a saída de civis depois da terça-feira (31), e que não controlam o aeroporto. Ao mesmo tempo, o porta-voz responsabilizou os EUA e seus aliados pelos ataques suicidas, pois criaram "esta desordem", diz, e exigindo a retirada dos militares da OTAN até esse prazo.
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