25 junho 2016 - 00:27
Colômbia e Farc assinam acordo histórico de cessar-fogo bilateral

Em uma cerimônia em Havana, o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram nesta quinta-feira um acordo histórico decretando o cessar-fogo definitivo entre as partes e a entrega de armas pelos guerrilheiros.

É a primeira vez desde 1984 que ambos os lados acordam uma trégua bilateral, num passo decisivo para a conclusão das negociações de paz que marcarão o fim do mais antigo confronto armado no hemisfério.

O anúncio foi feito pelos delegados dos países mediadores — Cuba e Noruega —, na presença do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, do principal líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, entre outras personalidades.

— Hoje é um dia histórico para o nosso país depois de mais de 50 anos de enfrentamentos, mortes, atentados e dor. Colocamos fim ao conflito armado com as Farc — afirmou Santos. — Chegou a hora de vivermos sem guerra, chegou a hora de sermos um país em paz, um país com esperança. O acordo dará tranquilidade a todos os colombianos. O fim das hostilidades ficará assegurado. Tudo isso será supervisionado por observadores internacionais.

O presidente disse ainda que o acordo final será assinado na Colômbia e garantiu que não haverá impunidade. Em Bogotá, os colombianos foram às ruas para comemorar a assinatura do acordo.

— Os principais responsáveis por crimes hediondos serão julgados e punidos — acrescentou Santos.

Com a voz engasgada pelas lágrimas, Timochenko disse que o alcance de um acordo de paz final está próximo.

— Talvez este seja o último dia da guerra — declarou.

Em sua fala, Ban Ki-moon celebrou o cessar-fogo, dizendo que a Colômbia mostrou que se pode conseguir paz com dignidade. Os Estados Unidos também felicitaram o acordo.

— Apesar de persistirem os desafios no momento em que as duas partes continuam negociando um acordo de paz definitivo, o anúncio de hoje representa um importante avanço para por fim ao conflito — comentou Susan Rice, assessora para segurança nacional do presidente Barack Obama.

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De acordo com o texto, lido pelo representante cubano nas negociações, a ONU ficará encarregada de receber e destruir as armas. Números oficiais mostram que o grupo tem em suas fileiras cerca de sete mil combatentes com armamentos.Haverá um ponto de entrega das armas.

Um dos pontos-chave do acordo está a aceitação pelas Farc de um plebiscito para referendar o acordo, caso o Tribunal Constitucional o aprove.

Ainda de acordo com o texto, os guerrilheiros retornarão e se reorganizarão em 23 áreas da Colômbia.

Chamado “fim do conflito”, o acordo também inclui garantias de segurança e da luta contra organizações criminosas, além da repressão de condutas criminosas que ameacem a implementação dos acordos.

O cessar-fogo e de hostilidades permitirá o desarmamento antes de as partes assinarem o acordo de paz definitivo e significa a renúncia das Farc à sua luta armada de 52 anos.

O governo Santos e as Farc estão na reta final das negociações de paz que começaram no final de 2012, em Cuba, com o objetivo de acabar com o violento confronto que deixou 220 mil mortos e milhões de deslocados.