No dia 12 de novembro, o presidente Jair Bolsonaro seguiu rumo aos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Catar, em viagem oficial de quatro dias para tentar estreitar os laços com estes países e atrair investimentos.
Falando sobre os interesses econômicos e políticos do Brasil nesses países, o professor Fernando Brancoli afirmou que, do ponto de vista econômico, o Brasil tem uma balança comercial muito favorável com os países da região.
Ele também destaca que o Brasil é um dos maiores exportadores de carne halal do mundo, lembrando que esta é uma carne preparada de maneira especial para consumo de muçulmanos.
Nos últimos anos, a dimensão política ganhou uma expressão muito grande, onde o grande ator neste cenário é Israel, na medida que a Terra Santa foi considerada por apoiadores do bolsonarismo, principalmente evangélicos, um espaço a ser protegido. Isso levou Bolsonaro, inclusive, a planejar a troca da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, contudo, isso não foi concretizado.
Ao contrário da Europa, o Oriente Médio recebeu o Bolsonaro com "bastante exuberância", já que se trata de países que pouco consideram os direitos humanos, ressalta o especialista.
Com isso, Bolsonaro tenta se reforçar politicamente, mostrando que ainda tem apoio de outras lideranças e que não está isolado.
Ausência da comitiva brasileira
Questionado sobre a ausência da comitiva brasileira na viagem, que tem como objetivo fortalecer as relações do Brasil com os países da região do golfo Pérsico, o professor afirma que nos últimos anos os países do Golfo, de modo geral, estão tentando diversificar seus investimentos.
Nesse cenário, o Brasil está se apresentando como um possível receptor desse tipo de investimento, como em armamento, indústria química, indústria pesada e nos mercados financeiro e imobiliário.
Produtos que Brasil pode oferecer
De acordo com Fernando Brancoli, o Brasil tem um grande plantel de produtos que ele transporta para os países do Oriente Médio, como carnes halal, automóveis e alimentos.
Círculos ideológicos de Bolsonaro e reforço das alianças políticas
Para Fernando Brancoli, existe uma tentativa, principalmente por parte do Eduardo Bolsonaro, que é mais interessado em questões internacionais, de se aproximar dos países do Oriente Médio.
Segundo o especialista, se pensarmos em um contexto mais amplo, parte importante da política externa do Bolsonaro está relacionada com uma aproximação mais forte com Israel.
Nos últimos anos, países como Arábia Saudita e o próprio Catar têm estabelecido relações mais próximas com Israel, "e acredito que o Brasil tente se enquadrar nesses pontos", já que são países estratégicos do ponto de vista geopolítico, ressaltou.
"Os filhos, principalmente o Carlos, têm gerência direta nas ações de decisões do governo. O Eduardo Bolsonaro, ao que tudo indica, foi um dos nomes que apresentou o ex-chanceler Ernest Araújo para o Bolsonaro, e é um dos que tentou nortear a política externa bolsonarista. Apesar de gerir do ponto de vista moral ser algo relativamente complicado, não chama atenção pensando na forma como o bolsonarismo tem atuado nessa lógica muito familiar", afirmou.
O presidente Jair Bolsonaro visitou o Dubai Airshow 2021, passando três dias nos Emirados Árabes Unidos.
Comentando a passagem de Bolsonaro pelo Oriente Médio, Fernando Brancoli, destaca que o que chama a atenção é que, como o Bolsonaro nesse momento está muito isolado internacionalmente, essa é uma forma de encontrar uma agenda positiva, já que grande parte dos líderes internacionais não querem ser vistos com o presidente brasileiro.
Abertura da embaixada do Brasil em Bahrein
O presidente Jair Bolsonaro inaugurou a embaixada do Brasil na capital do Bahrein, Manama, e partiu para um encontro com o rei Hamad ben Issa Al-Khalifa.
Além disso, o especialista volta a ressaltar que essa é mais uma tentativa de criar uma agenda positiva, e que, apesar de ser um país pequeno, ele compra alimentos do Brasil.
"Eu enquadraria dentro desse processo, dessa lógica de tentativa de construção de uma agenda", declarou.
Memorando de entendimento
Comentando o acordo, o professor diz que a ideia chama atenção, já que o Bahrein tem prerrogativas religiosas restritas sobre a atuação das mulheres em determinados espaços, sobre direitos de minorias, direitos da comunidade LGBTQI.