Agência Internacional de Notícias AhlulBayt (ABNA): O universo que conhecemos pode ser apenas uma pequena parte de uma realidade muito maior. O Alcorão Sagrado fala dos “sete céus” e afirma que Deus criou os sete céus e, da terra, criou outros semelhantes a eles. Mas o que significa exatamente essa expressão? Estariam além do universo observável outras dimensões da criação que a humanidade ainda não conseguiu alcançar?
Deus diz no Alcorão:
“Deus é Aquele que criou os sete céus e, da terra, criou outros semelhantes a eles.”
(Surata At-Talaq, 65:12)
Entre as diferentes interpretações apresentadas pelos estudiosos, uma delas considera que a expressão “sete céus” deve ser entendida em seu sentido literal: não como sete planetas ou sete corpos celestes isolados, mas como sete grandes conjuntos ou níveis do mundo superior.
Nessa interpretação, o número sete indicaria uma quantidade determinada, e não simplesmente uma expressão para designar uma grande multiplicidade.
Outros versículos do Alcorão apresentam uma indicação importante nesse sentido ao afirmar que as estrelas que vemos pertencem ao “céu mais próximo”.
Na Surata As-Saffat, Deus afirma:
“Nós adornamos o céu mais próximo com o adorno das estrelas.”
E, na Surata Fussilat, diz:
“E adornamos o céu mais próximo com lâmpadas.”
(Surata Fussilat, 41:12)
Uma formulação semelhante aparece também na Surata Al-Mulk.
De acordo com essa interpretação, todas as estrelas, planetas, galáxias e nebulosas que a humanidade consegue observar atualmente pertenceriam ao primeiro céu. Além dele, existiriam outros seis grandes conjuntos, superiores uns aos outros, cuja realidade ainda estaria fora do alcance do conhecimento humano.
Essa possibilidade também foi mencionada pelo Allamah Majlisi em sua obra Bihar al-Anwar, ao apresentar diferentes interpretações sobre a natureza dos céus.
Os limites do conhecimento humano
A ciência moderna ampliou de maneira extraordinária o conhecimento da humanidade sobre o universo, mas também revelou o quanto ainda permanece desconhecido.
Ao longo da história da astronomia, os limites do universo observável foram continuamente ampliados à medida que novos telescópios e instrumentos permitiram detectar estrelas, galáxias e estruturas cósmicas cada vez mais distantes.
Relatos relacionados às observações do Observatório de Palomar destacaram a descoberta de milhões de novas galáxias e as enormes distâncias existentes entre elas e a Terra. Esses dados também contribuíram para mostrar que o universo conhecido é muito mais amplo do que aquilo que durante muito tempo se imaginou.
Publicações científicas e astronômicas do século XX também registraram a existência de extensas regiões ainda não exploradas, reforçando a ideia de que o conhecimento humano sobre a estrutura e os limites do universo permanece incompleto.
Assim, aquilo que a humanidade já conseguiu observar, apesar de sua dimensão extraordinária, pode representar apenas uma pequena parcela da criação.
Nessa perspectiva, a referência corânica aos sete céus pode ser compreendida como uma indicação de realidades cósmicas que ultrapassam os limites do universo atualmente observável.
A questão permanece aberta tanto no campo da reflexão teológica quanto no da investigação científica. O avanço do conhecimento poderá, no futuro, revelar aspectos da estrutura do universo que hoje permanecem completamente desconhecidos.
Fontes
-
Alcorão Sagrado: Suratas Al-Baqarah (2:29), Al-Isra (17:44), Al-Mu'minun (23:17 e 23:86), Fussilat (41:12), At-Talaq (65:12), Al-Mulk (67:3) e Nuh (71:15).
-
Majlisi, Muhammad Baqir ibn Muhammad Taqi. Bihar al-Anwar, vol. 55, p. 78.
-
Makarem Shirazi, Nasser. Tafsir Nemuneh, vol. 1, p. 162.
-
Makarem Shirazi, Nasser. Payam-e Quran, vol. 2, p. 178.
-
Revista Faza, nº 56, Farvardin de 1351.
-
Revista Newsweek, 1964.
-
Site oficial do escritório do Ayatollah Makarem Shirazi.a
Your Comment