Agência de Notícias AhlulBayt (ABNA) – Assim alertou o analista político e pesquisador árabe, Dr. Mohamad Yaghi, em um artigo intitulado “Irã e Estados Unidos: Será que o alto custo da guerra o impedirá?”, publicado neste sábado no site Arabi 21.
O especialista em política do Oeste Asiático alertou que o Irã responderá a uma possível agressão dos Estados Unidos, bombardeando alvos israelenses na Palestina ocupada e todas as bases militares norte-americanas na região. “Também fecharão o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, além de atacar instalações […] e interesses econômicos e políticos dos EUA na área”, alerta.
Uma guerra com o Irã vai contra o lema eleitoral de Trump: “Chega de guerras no exterior”
“Caso o conflito se estenda, o cientista político afirma que a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será obrigada a ‘enviar dezenas, talvez centenas de milhares de tropas’ norte-americanas para a região, ‘o que significaria um retorno forçado ao Oeste Asiático, contra o desejo dos EUA de se retirarem e deixar a situação nas mãos de seu aliado Israel’.”
“Se milhares de tropas norte-americanas forem enviadas à região, o presidente Trump perderá o apoio popular que o levou ao poder sob o lema ‘Chega de guerras no exterior’ e, consequentemente, seu Partido Republicano perderá as eleições legislativas”, alerta.
Além disso, o artigo indica que um novo envolvimento no Oeste Asiático “significaria que os EUA não poderiam alocar recursos militares, financeiros e políticos suficientes para enfrentar a China, exercer pressão sobre a Europa como fazem atualmente, nem continuar sua política de extorsão na América Latina”.
Yaghi opina que um novo conflito no Oeste Asiático seria como um atoleiro, do qual os EUA “não poderão se libertar por pelo menos duas décadas, como ocorreu no Iraque e no Afeganistão”.
Um conflito desse tipo com o Irã, acrescenta, não acarretaria apenas perdas políticas e de influência global para Washington, mas também implicaria enormes perdas econômicas.
Um conflito com o Irã aumentará a inflação e o desemprego nos EUA
“A curto prazo, por exemplo, nos primeiros três meses de uma guerra, se o Irã conseguir fechar o Estreito de Ormuz […], os preços mundiais do petróleo duplicarão ou quadruplicarão, e os da gasolina, no mínimo, duplicarão. Isso significa que os preços de todos os bens, desde o pão até o metrô e as passagens aéreas, subirão, acompanhados de inflação e desemprego”, alerta.
De acordo com o especialista, a guerra em si é extremamente custosa, e ele lembra que as guerras no Iraque e no Afeganistão, segundo declarações do próprio Trump, “custaram aos Estados Unidos 7 trilhões de dólares”, algo que, segundo ele, “nenhum americano tolerará”.
O autor concluiu afirmando que, se o Irã garantir aos EUA que cumprirá as ameaças em caso de um ataque, isso servirá como um elemento dissuasório e que “o temor dos Estados Unidos de pagar o preço poderia evitar a guerra”.
O artigo foi publicado após semanas da incessante retórica bélica da Administração dos Estados Unidos, que ameaçou com uma intervenção militar no Irã caso este não negociasse um novo acordo nuclear.
As partes realizaram na sexta-feira a primeira rodada de diálogos em Mascate, capital de Omã. Após oito horas de conversas indiretas, o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, classificou o processo como um “bom começo” e afirmou que ele poderá prosseguir.
Em resposta às retóricas inflamadas de Trump, a República Islâmica deixou claro que não tolerará ameaças nem pressões. Ressaltou que, embora opte pela diplomacia, não teme uma guerra com os EUA e está plenamente preparada para ela, alertando que qualquer mínima agressão ao país desencadearia um conflito regional em larga escala.
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