O Observatório de Al-Azhar para o Combate ao Extremismo enfatizou em um relatório que a islamofobia não é mais simplesmente preconceitos individuais ou reações emocionais, mas se tornou uma estrutura sistemática no sistema global, informou o Al-Ahram.
Esta estrutura gerencia medos e reformula a imagem do "outro" com base em considerações políticas e de segurança, especialmente em tempos de crise e grandes mudanças geopolíticas, disse o relatório.
O relatório explicou que reduzir o fenômeno ao ódio individual ignora sua essência, pois a islamofobia é usada politicamente para justificar políticas de exclusão e intensificar medidas excepcionais que violam os princípios do pluralismo e dos direitos civis.
O observatório observou que relatórios de think tanks ocidentais confirmam que uma parte significativa das percepções negativas do Islã é moldada por sistemas de mídia e discursos políticos que reproduzem estereótipos, em vez de experiências diretas de interação.
Isso revela o papel das narrativas sistemáticas na criação e alimentação do medo nas sociedades, disse o relatório.
O órgão observou que a dominância da narrativa da vítima nos esforços para combater a islamofobia, apesar de sua credibilidade e legitimidade, não produziu resultados tangíveis.
"Na verdade, isso às vezes inadvertidamente ajudou a reforçar a imagem dos muçulmanos como passivos em vez de ativos, alimentando a intensa polarização de 'nós versus eles' que tem sido explorada pelos movimentos de extrema-direita para mobilizar o medo coletivo."
O observatório ressaltou que combater a islamofobia não deve se limitar à condenação moral, mas requer uma mudança para abordagens mais eficazes.
"Essas abordagens começam desmontando as estruturas cognitivas que produzem o discurso de exclusão; continuam ativando marcos legais que criminalizam a discriminação com base na religião; e, em última análise, levam à criação de amplas alianças políticas e sociais que defendem os valores do pluralismo e da cidadania igualitária."
O Observatório de Al-Azhar concluiu seu relatório enfatizando que enfrentar a islamofobia é um projeto de longo prazo baseado não em amplificar as vozes das vítimas, mas em transformar valores em políticas, direitos em legislação e protestos em impacto institucional mensurável, a fim de romper o ciclo de exclusão e criar uma esfera pública mais justa e inclusiva.
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