Agência de Notícias AhlulBayt (ABNA) – A organização Global Sumud Flotilla denunciou que as forças israelenses cercaram, na quarta-feira, o comboio composto por 58 embarcações, bloquearam as comunicações e perderam contato com pelo menos 11 navios.
Segundo relatos de ativistas a bordo, embarcações militares que se identificaram como israelenses apontaram lasers e armas semiautomáticas contra os participantes, ordenando que se ajoelhassem.
“Fomos atacados em águas internacionais. Israel não tem jurisdição aqui. Abordar essas embarcações equivale a uma detenção ilegal e a um sequestro em alto-mar”, declarou um porta-voz da flotilha à Al Jazeera.
De acordo com diversos meios de comunicação, a ação israelense pode configurar uma potencial violação do direito internacional marítimo e da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), que restringe as operações de interdição em águas internacionais, exceto em casos específicos, como pirataria ou mediante consentimento do Estado de bandeira.
Por sua vez, o exército israelense emitiu advertências às embarcações para que alterassem sua rota, argumentando que o bloqueio naval à Faixa de Gaza é legal e necessário para impedir o contrabando de armas ao grupo de resistência Hamas.
A flotilha, composta por 58 embarcações e cerca de 1.000 ativistas de diversos países, partiu no domingo do porto italiano de Augusta, no sul do país, com o objetivo de atravessar águas gregas até alcançar as costas da Turquia, tendo como destino final a Faixa de Gaza, onde pretendia entregar ajuda humanitária. A iniciativa ocorre após a destruição sistemática da infraestrutura de saúde no enclave palestino, no contexto da guerra em curso e das restrições impostas à entrada de assistência.
Em outubro de 2025, a iniciativa já havia organizado uma travessia com mais de 50 embarcações, que foram interceptadas à medida que se aproximavam de Israel. A ambientalista Greta Thunberg e outros 171 ativistas pró-palestinos foram deportados.
A situação na Faixa de Gaza continua a se deteriorar, apesar do cessar-fogo acordado em outubro de 2025. Israel teria violado o acordo em 1.520 ocasiões, incluindo 522 incidentes com disparos, 73 incursões de veículos militares em áreas residenciais, 704 bombardeios e ataques de artilharia, além de 221 demolições de casas e outros edifícios.
Desde outubro de 2023, mais de 72.082 palestinos teriam sido mortos e 171.761 teriam ficado feridos em decorrência das ações do exército israelense.
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