A Agência Internacional de Notícias AhlulBayt (ABNA) informa:
A questão da relação entre o pecado e as calamidades não é apenas uma discussão teórica; ela está ligada ao nosso destino e às responsabilidades do cotidiano. Se compreendermos que certos pecados podem contribuir para a ocorrência de calamidades, nossa maneira de enxergar as ações individuais e os deveres sociais poderá mudar.
O texto a seguir apresenta as explicações do حجjatoleslam Reza Mohammadi Shahroudi sobre o tema.
Três pecados associados à chegada das calamidades
Não há dúvida, segundo a perspectiva religiosa apresentada pelo autor, de que o pecado pode ter consequências na ocorrência de acontecimentos adversos. Há numerosos versículos do Alcorão e relatos tradicionais a esse respeito. Um exemplo encontra-se na súplica de Kumayl, recitada com frequência pelos fiéis:
“Ó Deus, perdoa-me os pecados que fazem descer as calamidades [...] Ó Deus, perdoa-me os pecados que alteram as bênçãos.”
Essas passagens indicam que alguns pecados podem provocar a perda ou a transformação das bênçãos, enquanto outros são associados à chegada das adversidades. Os relatos religiosos também mencionam pecados que impedem a aceitação das súplicas e aqueles que produzem outras consequências.
Na obra Maʻani al-Akhbar, há um relato extenso atribuído ao Imam Zayn al-Abidin (que a paz esteja com ele). Entre os trechos citados, o Imam enumera três condutas associadas à chegada das calamidades:
“E os pecados que fazem descer as calamidades são: deixar de socorrer quem clama por ajuda, deixar de apoiar a pessoa injustiçada e negligenciar o dever de promover o que é correto e impedir o que é errado.”
Essas três condutas são:
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Não socorrer quem pede ajuda: deixar sem assistência alguém que clama por socorro e busca o apoio de outras pessoas.
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Não apoiar a pessoa injustiçada: deixar de ajudar quem sofre injustiça e não oferecer proteção diante do opressor.
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Negligenciar o dever de promover o bem e combater o mal: abandonar ou deixar de cumprir adequadamente a responsabilidade de incentivar as boas ações e desencorajar as condutas consideradas erradas pela religião.
O terceiro ponto merece atenção especial. Nos dois primeiros casos, o relato fala em deixar de agir; no terceiro, utiliza uma expressão que indica negligência ou comprometimento do próprio dever. Isso significa, na interpretação apresentada, que a responsabilidade de promover o bem e combater o mal precisa ser cumprida corretamente, e não simplesmente abandonada.
O autor afirma que, quando as pessoas presenciam comportamentos que consideram claramente errados e permanecem indiferentes, contribuem para a normalização dessas condutas. Ele argumenta que até uma manifestação verbal breve, feita com respeito e sem provocar confrontos, poderia demonstrar desaprovação.
Na visão religiosa exposta no artigo, a negligência coletiva diante do que se considera errado pode estar entre os fatores associados às calamidades, que podem assumir diferentes formas, como enchentes e terremotos.
As calamidades atingem apenas quem cometeu pecados?
Uma segunda questão importante é saber se, quando uma calamidade ocorre, suas consequências atingem exclusivamente as pessoas que cometeram pecados.
A resposta apresentada pelo autor é negativa. Segundo ele, as leis divinas que governam o mundo natural não funcionam de maneira seletiva, escolhendo quem será atingido por um desastre.
O artigo cita o seguinte trecho do Alcorão:
“Não encontrarás mudança na lei de Deus, nem encontrarás alteração na lei de Deus.” (Surata Fatir, 35:43)
O exemplo dado é o de uma enchente que arrasta um veículo: não são necessariamente apenas os culpados que morrem. Uma criança de seis meses, que não tem responsabilidade moral por suas ações, também pode perder a vida no mesmo acontecimento.
Da mesma forma, quando ocorre um terremoto, ele não destrói apenas as casas das pessoas consideradas pecadoras, preservando automaticamente as moradias dos justos. Se um edifício desaba, todos os que estiverem sob os escombros podem sofrer as consequências, independentemente de sua conduta religiosa.
O autor relaciona essa ideia a outro versículo do Alcorão:
“E temei uma provação que não atingirá exclusivamente aqueles dentre vós que cometeram injustiça.” (Surata Al-Anfal, 8:25)
O sentido apresentado é que determinadas provações podem alcançar toda a sociedade, não apenas aqueles que praticaram injustiças. Isso não significa, segundo a explicação religiosa do artigo, que o sofrimento dos inocentes seja ignorado por Deus. O autor afirma que a recompensa e a compensação por suas dores e perdas serão concedidas na vida futura.
Assim, não se deve concluir que toda pessoa que morre em uma enchente ou em um terremoto era pecadora. O argumento é que, quando determinados comportamentos prejudiciais se disseminam socialmente, toda a comunidade pode sofrer suas consequências, enquanto os desastres continuam sujeitos às condições e aos mecanismos naturais.
As calamidades como alertas para os fiéis
Outro ponto destacado pelo autor é a interpretação das calamidades como advertências destinadas a despertar os fiéis e levá-los à reflexão e ao retorno a Deus.
Para explicar essa ideia, ele compara a situação à de pais que tentam educar um filho: quando acreditam que ainda há possibilidade de aprendizado e mudança, continuam procurando orientá-lo. Na interpretação religiosa apresentada, as adversidades podem funcionar de maneira semelhante, levando as pessoas a reconsiderar suas ações.
O artigo cita a súplica de Kumayl, na qual se pede proteção contra o fogo do Inferno e se recorda a reverência daqueles que se prostram diante da grandeza divina.
Segundo essa perspectiva, as dificuldades podem representar uma oportunidade de despertar espiritual para aqueles que ainda estão dispostos a refletir sobre suas ações e mudar de comportamento.
A explicação religiosa não elimina os deveres científicos e práticos
O autor ressalta, contudo, que associar determinadas calamidades aos pecados não significa abandonar as responsabilidades humanas nem ignorar as causas físicas dos desastres.
Se a ocorrência de terremotos é interpretada religiosamente como relacionada a certos pecados, isso não justifica deixar de construir edifícios resistentes a tremores. Da mesma forma, considerar que enchentes podem ter dimensões morais ou espirituais não significa dispensar medidas de prevenção e segurança.
A sociedade deve cumprir suas responsabilidades, preservar a natureza e evitar a destruição da vegetação, que pode agravar a erosão do solo e contribuir para enchentes. Também é necessário adotar medidas adequadas de prevenção, planejamento e proteção da população.
Na visão exposta no artigo, aqueles que negligenciam suas responsabilidades na proteção da sociedade devem responder por essa omissão, tanto no mundo presente quanto na perspectiva da prestação de contas diante de Deus.
Por isso, o autor defende que a questão seja examinada em todas as suas dimensões. Concentrar-se exclusivamente na interpretação espiritual e ignorar os fatores naturais, científicos e humanos pode conduzir a conclusões equivocadas.
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