15 agosto 2026 - 19:14
O extraordinário avanço do Islã sob a perspectiva dos estudiosos

Com o surgimento do Islã no Hijaz e a formação de pessoas eruditas na escola dos Imaculados (A.S.), a luz do Islã ultrapassou as fronteiras geográficas e contribuiu para o surgimento da civilização islâmica. O mártir Motahari escreveu: «É surpreendente que a raça árabe, que durante séculos permaneceu aparentemente adormecida, tenha despertado subitamente e, com uma força extraordinária, abalado e transformado o mundo...». Já Gustave Le Bon afirmou: «Alguns [europeus] têm vergonha de admitir que um povo considerado infiel [os muçulmanos] contribuiu para tirar a Europa cristã do estado de barbárie e ignorância». E há outros testemunhos semelhantes.

Agência Internacional de Notícias AhlulBayt (ABNA): Após o surgimento do Islã e a apresentação de seus ensinamentos luminosos, bem como o compromisso prático demonstrado pelos seguidores do Profeta (S.A.A.S.), os muçulmanos alcançaram um notável progresso e exerceram influência sobre diversas civilizações e culturas, chegando, em muitos campos, a superá-las. Eles deixaram um período de grandeza, honra e glória na história do Islã e dos muçulmanos, demonstrando ao mundo sua capacidade civilizacional. Entretanto, após esse período de esplendor, os muçulmanos entraram em um processo de declínio, chegando à situação atual, na qual potências estrangeiras e seus adversários passaram a exercer domínio sobre os muçulmanos e seus territórios, desestruturando e saqueando sua civilização, cultura e imensas riquezas.

Com o surgimento do Islã no Hijaz e a formação de homens e mulheres eruditos na escola do Profeta (S.A.A.S.) e dos AhlulBayt (A.S.), a luz do Islã ultrapassou as fronteiras geográficas e intelectuais, dando origem a uma grande civilização e cultura islâmica. Essa brilhante civilização influenciou outras civilizações e contribuiu para o surgimento da chamada Era de Ouro da civilização islâmica.

Jawaharlal Nehru escreve: «É surpreendente que a raça árabe, que durante séculos parecia permanecer adormecida e aparentemente isolada e alheia ao que acontecia em outras regiões, tenha despertado subitamente e, com uma força e um poder extraordinários, abalado e transformado o mundo... A nova força e o novo pensamento que despertaram os árabes e os encheram de autoconfiança e poder foram o Islã».(1)

O mártir Morteza Motahari (R.A.) afirma: «Sem dúvida, os muçulmanos atravessaram um período de grandeza e de glória extraordinárias, não simplesmente porque, durante certo período, governaram o mundo, [...] mas porque provocaram um movimento e uma transformação em escala mundial e construíram uma grande e magnífica civilização que, durante vários séculos, foi uma luz para a humanidade e que ainda hoje constitui um dos capítulos brilhantes da história humana, da qual a história da civilização se orgulha».(2)

Ele também afirma: «Durante séculos, os muçulmanos tiveram superioridade sobre todos os povos do mundo nas ciências, nas indústrias, na filosofia, nas artes, na ética e nos sistemas sociais avançados, enquanto outros povos se beneficiavam de seus conhecimentos. A grandiosa e impressionante civilização europeia, que deslumbra os olhos e surpreende a razão e que hoje exerce influência sobre grande parte do mundo, segundo o reconhecimento de pesquisadores ocidentais imparciais, recebeu mais do que qualquer outra coisa a influência da magnífica civilização islâmica».(3)

Gustave Le Bon afirma: «Alguns [europeus] têm vergonha de admitir que um povo considerado infiel e ateu [isto é, os muçulmanos] contribuiu para tirar a Europa cristã do estado de barbárie e ignorância e, por isso, procuram ocultar esse fato... A influência moral desse povo [muçulmano], que transformou profundamente o mundo que herdara do Império Romano, colocou a Europa no caminho da civilização. Da mesma forma, a influência intelectual dos muçulmanos abriu-lhes as portas do conhecimento, e durante seis séculos nós, europeus, fomos seus discípulos».(4)

Um dos estudiosos ocidentais afirma: «O surgimento e o declínio da civilização islâmica estão entre os grandes acontecimentos da história. Durante cinco séculos [81–597 H./700–1200 d.C.], o Islã esteve na vanguarda do mundo em termos de poder, organização, expansão territorial, virtudes morais, melhoria do nível de vida, leis humanas justas, respeito às crenças e às ideias dos outros, literatura e investigação científica».(5)

Ele acrescenta: «O mundo islâmico exerceu diversas influências sobre o mundo cristão. A Europa recebeu do mundo islâmico alimentos e bebidas, medicamentos e conhecimentos médicos, armas e símbolos heráldicos, gostos e estilos artísticos, ferramentas e métodos industriais e comerciais, além de leis e técnicas de navegação. Muitas palavras também foram incorporadas das línguas dos muçulmanos... Os estudiosos muçulmanos, fossem persas, árabes, turcos ou de outras etnias, preservaram e aperfeiçoaram a matemática, as ciências naturais, a química e a astronomia, transmitindo posteriormente esse conhecimento à Europa. Avicena (Ibn Sina) e Averróis (Ibn Rushd), dois grandes filósofos e médicos do mundo islâmico, exerceram profunda influência sobre os filósofos e professores europeus, sendo reconhecidos com uma autoridade comparável à atribuída aos gregos... Essa influência islâmica ocorreu por meio do comércio, das Cruzadas, da tradução de milhares de livros do árabe para o latim e das viagens de estudiosos como Gerberto, Adelardo de Bath, Miguel Escoto e outros à Andaluzia».

«Esse fato representa um reconhecimento da grandeza do conhecimento no mundo islâmico: muitos estudantes europeus eram enviados ao mundo islâmico para estudar e aprender diferentes ciências. Somente o período áureo de uma sociedade poderia, em tão pouco tempo, produzir tantos homens célebres nas áreas da política, educação, literatura, linguística, geografia, história, matemática, astronomia, química, filosofia, medicina e outras áreas, ao longo dos quatorze séculos de história islâmica».(6)

Gustave Le Bon afirma: «A civilização do vasto mundo islâmico, durante séculos, estendeu-se do Oceano Atlântico ao Oceano Índico e das costas do Mediterrâneo aos desertos da África, apresentando uma dimensão impressionante e digna de grande atenção».(7) Ele também afirma: «Durante quinhentos anos, as escolas europeias funcionaram com base nos livros e nas obras dos muçulmanos. Foram eles que educaram a Europa em termos de ciência, prática e moral e a conduziram pelo caminho da civilização. Quando analisamos suas pesquisas científicas e descobertas técnicas, constatamos que nenhuma nação avançou tanto quanto eles em um período tão curto».(8)

Em outro trecho, ele afirma: «Até o século XV, uma afirmação que não tivesse como fonte os autores árabes [muçulmanos] não era considerada uma referência confiável. Todas as faculdades e universidades europeias, durante quinhentos ou seiscentos anos, basearam-se nas traduções das obras dos estudiosos islâmicos, e o conhecimento dos europeus fundamentava-se essencialmente nas ciências dos muçulmanos».

Will Durant, ao abordar a contribuição dos muçulmanos para a química, afirma: «A química, como ciência, é em grande medida uma das realizações dos muçulmanos, pois eles acrescentaram a observação cuidadosa, a experimentação científica e o registro dos resultados ao legado dos gregos, que, como sabemos, estava limitado a algumas experiências e hipóteses pouco definidas. Eles analisaram um grande número de substâncias.

Eles escreveram numerosas obras sobre minerais, distinguiram substâncias alcalinas de ácidos, pesquisaram centenas de medicamentos e produziram centenas de novos remédios. A partir das hipóteses da transformação de metais comuns em ouro e de outras ideias da alquimia, chegaram à química propriamente dita... Por meio dos livros dos estudiosos islâmicos, alguns dos quais tiveram seus autores desconhecidos, traduzidos para o latim, a ciência da química avançou na Europa».(9)

Washington Irving afirma: «O edifício de nossa civilização foi construído pelas mãos competentes da ciência e da técnica dos muçulmanos, e os povos europeus e cristãos, onde quer que estejam, são devedores dos muçulmanos».(10)

Notas:

Nehru, Jawaharlal. A Descoberta da Índia [Negaahi be Tarikh-e Jahan], tradução de Mahmoud Tafazoli, Amirkabir, Teerã, 2013, vol. 1, pp. 317–326.

Motahari, Morteza. O Homem e seu Destino, Sadra, Teerã, 1993, 12ª edição, p. 6.

Ibid., p. 8.

Ibid., p. 9.

Durant, Will. A História da Civilização, tradução coletiva, Elmi va Farhangi, Teerã, 2014, 15ª edição, vol. 4, p. 433.

Ibid., pp. 426 e 433.

Le Bon, Gustave. A Civilização dos Árabes, tradução de Mohammad-Taqi Fakhr Daei Gilani, Afrasiab, Teerã, 1999, p. 3.

Ibid., pp. 751–754.

Durant, Will. A História da Civilização, vol. 11, pp. 155–156.

Razvani, Ali-Asghar. Estudos sobre o Islã e Respostas às Dúvidas, Mesquita Sagrada de Jamkaran, Qom, 2007, 3ª edição, p. 589.

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