8 abril 2026 - 10:10
Imam Ali e a comparação dos kufanos com camelos sem pastor

O Imam Ali ibn Abi Talib (a.s.), dirigindo-se ao exército de Kufa, disse: “Vocês são como camelos sem pastor: sempre que são reunidos de um lado, dispersam-se do outro.” Essa comparação indica que vocês possuem uma vontade fraca, pensamentos dispersos e desorganizados, não conseguem reconhecer seus próprios interesses, não têm unidade de visão e não se levantam com ordem e força para enfrentar o inimigo.

Agência Internacional AhlulBayt (A.S.) – ABNA: No sermão 34 do Nahj al-Balagha, o Imam Ali (a.s.) disse ao exército de Kufa:

“Vocês não são senão como camelos cujos pastores se perderam; sempre que são reunidos de um lado, se dispersam do outro.”

Isso mostra que a falta de firmeza, unidade e organização leva inevitavelmente à fraqueza diante do inimigo.


Crítica à falta de determinação e unidade

Por essa razão, o Imam acrescenta:

“Por Deus! Que péssimo material vocês são para acender o fogo da guerra.”

Ele faz essa observação porque os inimigos vinham repetidamente atacando as fronteiras, derramando sangue e saqueando riquezas, enquanto a comunidade permanecia desorganizada e inativa.


Três sinais de fraqueza coletiva

O Imam descreve três características dessa situação:

  1. Falta de estratégia diante do inimigo:
    “Estão tramando contra vocês, mas vocês não tramam contra eles.”
  2. Perda gradual de território sem reação:
    “Partes de vocês são continuamente tomadas, e vocês não se indignam nem reagem.”
  3. Negligência diante de um inimigo vigilante:
    “O inimigo não dorme em relação a vocês, enquanto vocês permanecem em descuido e distração.”

Consequência inevitável: a derrota

Em seguida, ele declara:

“Por Deus! Aqueles que abandonam uns aos outros estão destinados à derrota.”

Isso não é apenas uma descrição de um grupo específico, mas uma lei geral: toda sociedade que perde sua unidade e abandona a responsabilidade coletiva enfrentará fracasso.


Advertência final sobre o abandono da liderança

O Imam acrescenta:

“Por Deus! Penso que, quando a guerra se intensificar e a morte se aproximar, vocês se afastarão do filho de Abu Talib como a cabeça se separa do corpo.”

Com essa metáfora, ele transmite vários significados profundos:

  • A liderança é essencial, assim como a cabeça para o corpo.
  • Um corpo sem cabeça não pode sobreviver nem agir com razao e direção.
  • A separação entre liderança e comunidade leva à destruição de ambos.
  • E, uma vez rompida essa ligação, dificilmente pode ser restaurada.

Conclusão

O ensinamento do Imam Ali (a.s.) revela que:

  • A falta de unidade enfraquece qualquer sociedade.
  • A negligência diante do inimigo leva à perda de segurança e dignidade.
  • E o afastamento da liderança resulta em desordem.

Portanto, a força de uma comunidade depende de sua coesão, consciência e responsabilidade coletiva.

Notas explicativas

(1) “La‘amrullāh”: esta expressão, em sua origem, significa jurar pela vida e pela duração da existência; porém, como o conceito de vida e tempo não se aplica a Deus, aqui ela significa “juro pela essência de Deus”. Uma explicação mais detalhada sobre esse tipo de juramento foi apresentada no início do sermão 24.

(2) “Su‘ar”: plural de “sā‘ir”, derivado da raiz que significa “acender o fogo”. Neste contexto, refere-se às chamas que alimentam o fogo.

(3) “Tamtadhi‘ūn”: derivado de uma raiz que significa “causar dor, incômodo ou indignação”.

(4) “Aymullāh”: expressão que indica juramento; sua explicação completa foi apresentada anteriormente no sermão 10.

(5) “Hamas”: termo que indica intensidade e força; está associado a bravura e firmeza, especialmente em situações de combate.

(6) “Waghā”: refere-se ao barulho intenso da batalha, especialmente dos combatentes, podendo também significar o próprio combate.

(7) “Istahar”: termo que indica intensificação e calor crescente; refere-se ao momento em que a guerra atinge seu auge, levando os mais fracos a fugir.

(8) Compilado da obra: Mensagem do Imam Ali, Ayatollah Nasser Makarem Shirazi, Dar al-Kutub al-Islamiyya, Teerã, 2006, vol. 2, p. 328.

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