6 abril 2026 - 11:32
Resistência diante da injustiça, não negociação com o opressor

No Alcorão Sagrado, o silêncio diante da injustiça — como indicado no versículo 165 da Surata Al-A‘raf — é considerado cumplicidade com o opressor. O Imam Ali (a.s.), no Nahj al-Balagha, descreve a tirania como a pior condição humana e a justiça como شرط essencial para a permanência de qualquer governo. Os sábios da religião enfatizam que negociar com o opressor não o impede, mas o torna ainda mais audacioso, como demonstrado pelo Imam Hussain (a.s.), que apresentou o levante como a principal solução. Portanto, o único caminho para eliminar a injustiça é a resistência e a firmeza, não a complacência e o compromisso.

Agência Internacional AhlulBayt (A.S.) – ABNA Brasil: A injustiça, como um fenômeno antigo e enraizado na história humana, sempre esteve presente nas sociedades. Ao longo da história, uma verdade se mostrou constante: a injustiça não é eliminada por meio de negociações ou tolerância, mas apenas por meio da resistência e da firmeza. Negociar com o opressor não altera a essência da opressão, mas fortalece suas bases e amplia sua audácia.


O conceito de injustiça no Alcorão e no Nahj al-Balagha

O Alcorão dedica grande atenção à luta contra a injustiça, abordando esse tema em numerosos versículos. Na perspectiva islâmica, a injustiça não se limita à agressão física; o politeísmo, por exemplo, é considerado uma grande injustiça:

“O politeísmo é, de fato, uma grande injustiça.”

No entanto, no âmbito das relações sociais, o que possui maior importância é a injustiça contra os outros.

O Imam Ali (a.s.), ao recusar a ideia de alcançar vitória por meio da injustiça, disse:

“Quereis que eu obtenha vitória oprimindo aqueles sobre os quais governo? Por Deus, jamais farei isso enquanto o mundo existir.”

Essa declaração demonstra que a justiça é um limite intransponível, mesmo diante de interesses políticos.


O silêncio diante da injustiça: cumplicidade no crime

O Alcorão afirma:

“Quando esqueceram o que lhes foi lembrado, salvamos aqueles que proibiam o mal e punimos os injustos com severo castigo.”

Segundo os intérpretes, esse “esquecimento” significa ignorar conscientemente a verdade. Mais importante ainda, a passividade e a continuidade da relação com os opressores fazem com que a pessoa se torne cúmplice da injustiça.

O Profeta Muhammad (s.a.a.s.) disse:

“Se as pessoas virem um opressor e não o impedirem, é provável que Deus os atinja a todos com um castigo.”

O Imam Hussain (a.s.), em seu discurso em Mina, declarou que o domínio dos governantes injustos ocorre devido ao silêncio das elites. Isso mostra que a ausência de ação permite que a injustiça se fortaleça.


A filosofia do levante: da justiça à ação

O Imam Ali (a.s.), como símbolo da justiça, nunca adotou a negociação como solução diante da opressão. Em sua carta a Malik al-Ashtar, ele enfatiza a importância da justiça social e do cuidado com o povo:

“Organiza os assuntos do povo de forma que tragam benefício a eles, pois o bem-estar deles está ligado ao bem-estar de toda a sociedade.”

E também disse:

“Preenche teu coração com misericórdia, amor e gentileza para com o povo, e não sejas como um animal predador que busca devorá-los.”

Esses ensinamentos demonstram que o governante deve servir ao povo, não dominá-lo.

O Imam Ali (a.s.) também afirmou:

“O melhor dos homens diante de Deus é o líder justo… e o pior é o líder injusto que desvia a si mesmo e aos outros.”

Isso explica por que negociar com um líder injusto não resolve o problema, mas perpetua a injustiça.


A luta contra a injustiça como princípio universal

Esses ensinamentos não se limitam ao contexto religioso, mas possuem uma dimensão universal. A injustiça tem uma natureza expansiva e não pode ser contida por concessões. O Alcorão afirma:

“Se se afastarem, eu transmiti a mensagem, e Deus substituirá esse povo por outro.”

Isso indica que a mudança depende da ação humana. Se uma sociedade abandona a luta contra a injustiça, inevitavelmente enfrentará consequências.

O Imam Hussain (a.s.) declarou:

“Não me levantei por arrogância, excesso ou corrupção, mas para reformar a comunidade de meu avô.”

Essa afirmação mostra que o caminho da transformação passa pela ação, não pela negociação com a injustiça.


Conclusão

A transformação das sociedades não ocorre por meio de concessões ao opressor, mas por meio da ação consciente, da resistência e da responsabilidade coletiva.

O caminho é claro: o caminho do Imam Ali, do Imam Hussain e de todos aqueles que se levantaram pela justiça ao longo da história.

A injustiça não deve ser negociada — deve ser superada.

Notas de referência

  1. Alcorão Sagrado, Surata Luqman, versículo 13
  2. Nahj al-Balagha, sermão 126
  3. Alcorão Sagrado, Surata Al-A‘raf, versículo 165
  4. Tradução de Tafsir al-Mizan, vol. 9, p. 360
  5. Nahj al-Fasaha, hadith 833
  6. Tuhaf al-‘Uqul, p. 237
  7. Nahj al-Balagha, carta 53
  8. Nahj al-Balagha, sermão 164
  9. Alcorão Sagrado, Surata Hud, versículo 57
  10. Bihar al-Anwar, Allama Majlisi, vol. 44, p. 329

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