18 abril 2026 - 10:30
O segredo da dignidade que faz o inimigo recuar: a unidade na visão do Nahj al-Balāgha

O Comandante dos Fiéis, Imam Ali (a.s.), na خطبة 192 do Nahj al-Balāgha, afirma que sempre que os povos do passado abandonaram a divisão e se empenharam na unidade, foram agraciados com dignidade, afastamento dos inimigos, expansão do bem-estar e preservação da honra e da nobreza. O Alcorão também enfatiza que a disputa e a divisão levam à fraqueza e à perda de poder (Al-Anfāl, 46), e as narrativas dos Ahl al-Bayt (a.s.) apresentam a “adesão à comunidade” como condição essencial para a continuidade e estabilidade social. Assim, a responsabilidade contemporânea é refletir sobre essa diferença histórica e aderir ao que gera dignidade: a unidade centrada na verdade.

Agência Internacional Ahlul-Bayt (ABNA) O Imam Ali (a.s.), Imam da palavra e da justiça, diz:

“فَإِذَا تَفَکَّرْتُمْ فِی تَفَاوُتِ حَالَیْهِمْ، فَالْزَمُوا کُلَّ أَمْر لَزِمَتِ الْعِزَّةُ بِهِ شَأْنَهُمْ، وَ زَاحَتِ الأَعْدَاءُ لَهُ عَنْهُمْ، وَ مُدَّتِ الْعَافِیَةُ بِهِ عَلَیْهِمْ، وَ انْقَادَتِ النِّعْمَةُ لَهُ مَعَهُمْ، وَ وَصَلَتِ الْکَرَامَةُ عَلَیْهِ حَبْلَهُمْ.”

“Quando refletirdes sobre a diferença entre as condições dos povos do passado, adotai tudo aquilo pelo qual eles alcançaram dignidade, pelo qual os inimigos foram afastados, pelo qual o bem-estar se estendeu sobre eles, pelo qual as bênçãos lhes foram concedidas e pelo qual a honra e a dignidade se firmaram em sua vida — pois eles abandonaram a divisão, uniram-se com firmeza e se aconselharam mutuamente na unidade.”


Reflexão do texto

Este sermão abre uma nova perspectiva de leitura histórica: o ser humano é convidado a observar a diferença entre povos que alcançaram honra e aqueles que caíram na decadência. A diferença fundamental, segundo o Imam (a.s.), é clara: unidade, coesão e abandono da dispersão.


Quatro pilares da dignidade

O Imam Ali (a.s.) apresenta quatro resultados essenciais da unidade:

  1. Dignidade (عزت) – “a dignidade se firmou em suas vidas”
  2. Afastamento do inimigo – “os inimigos foram removidos do seu caminho”
  3. Bem-estar generalizado – “o bem-estar se estendeu sobre eles”
  4. Preservação da honra – “a honra e a dignidade se consolidaram”

Esses quatro pilares formam um sistema integrado de segurança, poder, estabilidade e identidade social, que só se realiza através do abandono da divisão e da adesão à unidade.


Evidências corânicas

O Alcorão confirma este princípio:

  • “E apeguem-se todos ao vínculo de Deus e não se dividam” (Al-Imran, 103)
  • “Não disputeis, pois falhareis e perderíeis a vossa força” (Al-Anfāl, 46)
  • “E vos tornastes irmãos pela graça de Deus” (Al-Imran, 103)

Narrativas dos Ahl al-Bayt (a.s.)

O Profeta (s.a.w.) disse:

“Deus não reunirá minha comunidade sobre o erro. Sigam a maioria, pois a mão de Deus está com a comunidade. Quem se separa, perece no fogo.” (Kanz al-ʿUmmāl, 1030)

Aqui, “comunidade” não significa apenas quantidade, mas sim o eixo da verdade e da liderança justa.


Exemplos históricos

  • Batalha da Trincheira (Khandaq): unidade dos muçulmanos levou à vitória sobre os confederados.
  • Período de coesão do exército de Imam Ali (a.s.): força e avanço;
  • A divisão dos Kharijitas: levou à fraqueza e instabilidade.
  • Civilizações como Al-Andalus mostram como a divisão leva ao colapso da dignidade.

Lições contemporâneas

  • Sociedade: reduzir divisões e fortalecer pontos comuns
  • Família: evitar conflitos internos e preservar a coesão
  • Nível internacional: a Ummah só alcança resistência através da unidade baseada no Alcorão e na Ahl al-Bayt

Conclusão

A خطبة 192 do Nahj al-Balāgha apresenta uma escolha fundamental:
ou o caminho da divisão, que leva à fraqueza e perda da dignidade,
ou o caminho da unidade, que traz honra, segurança e estabilidade.

Hoje, essa mensagem continua sendo uma necessidade estratégica para o mundo islâmico e para a humanidade: onde houver dignidade, há unidade; e onde houver unidade, há vitória.

Notas de rodapé:

  1. Nahj al-Balaghah, Sermão 192, tradução de Muhammad Dashti.
  2. Sharh Nahj al-Balaghah, Ibn Abi al-Hadid, volume 12, páginas 69–72.
  3. Alcorão, Surata Aal ‘Imran (3), versículo 103.
  4. Tafsir al-Mizan, Allamah Tabatabai, comentário do versículo 103 da Surata Aal ‘Imran.
  5. Alcorão, Surata al-Anfal (8), versículo 46.
  6. Alcorão, Surata Aal ‘Imran (3), versículo 103.
  7. Kanz al-‘Ummal, nº 1030.

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