1 setembro 2026 - 17:45
A bondade e a misericórdia do Profeta Muhammad (s.a.w.): o segredo da expansão do Islã

O Alcorão Sagrado exalta o Profeta da Misericórdia por suas mais elevadas virtudes morais e afirma: «E, por certo, tu possuis um caráter grandioso» (1). Esse caráter sublime foi um dos segredos da permanência da mensagem islâmica e um fator decisivo para conquistar os corações e levar grandes grupos de pessoas em todo o mundo a abraçar o Islã. A conduta nobre do Mensageiro de Deus (s.a.w.) com opositores, prisioneiros, crianças e até mesmo com seus inimigos mais ferrenhos mostrou que a misericórdia e a tolerância são os maiores conquistadores dos corações

O Alcorão Sagrado exalta o Profeta da Misericórdia por suas mais elevadas virtudes morais e afirma: «E, por certo, tu possuis um caráter grandioso» (1). Esse caráter sublime foi um dos segredos da permanência da mensagem islâmica e um fator decisivo para conquistar os corações e levar grandes grupos de pessoas em todo o mundo a abraçar o Islã. A conduta nobre do Mensageiro de Deus (s.a.w.) com opositores, prisioneiros, crianças e até mesmo com seus inimigos mais ferrenhos mostrou que a misericórdia e a tolerância são os maiores conquistadores dos corações (2).

Tolerância com um credor judeu: uma paciência que transforma

Certa vez, um homem judeu foi até o Profeta (s.a.w.) e exigiu, de maneira extremamente agressiva, o pagamento de uma dívida. O Profeta respondeu gentilmente que não tinha dinheiro consigo e pediu-lhe um prazo. O homem, porém, procurava uma oportunidade para criar um conflito. Ele enrolou violentamente o manto do Profeta ao redor de seu pescoço e o puxou, deixando marcas no pescoço do Mensageiro de Deus.

Os muçulmanos que presenciaram a cena quiseram atacar o homem judeu, mas o Profeta os impediu e continuou conversando com ele com paciência e gentileza. Essa conduta nobre tocou profundamente o coração daquele homem, que ali mesmo pronunciou a profissão de fé e abraçou o Islã (3).

Deus diz a esse respeito: «Repele o mal com aquilo que é melhor; então, aquele entre quem e ti havia inimizade tornar-se-á como um amigo íntimo» (4).

A história de Adi ibn Hatim: da inimizade à amizade

Adi ibn Hatim, filho do famoso Hatim al-Ta'i, seguia o cristianismo antes de abraçar o Islã e era um dos mais ferrenhos opositores do Profeta (s.a.w.). No nono ano após a Hégira, o Imam Ali (a.s.), por ordem do Profeta, liderou uma expedição contra as tribos de Tayy, e a irmã de Adi foi feita prisioneira. Ela foi levada até o Profeta e pediu sua liberdade. O Profeta a tratou com honra e a enviou de volta para seu irmão.

Ela contou a Adi sobre a generosidade e a bondade do Profeta e o incentivou a ir até ele (5).

Adi foi então a Medina e encontrou o Profeta pessoalmente. O Mensageiro de Deus levantou-se para recebê-lo, ofereceu-lhe seu próprio lugar para sentar e sentou-se no chão. Em seguida, com gentileza e afeto, convidou Adi ao Islã.

Aquela conduta generosa tocou profundamente o coração de Adi. Ele percebeu que aquele homem não era um rei, mas o Mensageiro de Deus, e abraçou o Islã naquela mesma ocasião. Mais tarde, tornou-se um dos fiéis companheiros do Imam Ali (a.s.) e lutou ao lado dele nas batalhas de Jamal, Siffin e Nahrawan (6).

A história de Safiyya: compensando o sofrimento do cativeiro com dignidade

Safiyya, filha de Huyayy ibn Akhtab, pertencia à família judaica dos Banu Nadir e foi capturada durante a Batalha de Khaybar, no sétimo ano após a Hégira.

Ao conduzir os prisioneiros, Bilal al-Habashi passou com Safiyya diante dos corpos dos judeus mortos. Ao ver entre eles os corpos de seu pai e de seu irmão, Safiyya chorou intensamente e arranhou o próprio rosto.

Quando o Profeta (s.a.w.) soube do ocorrido, repreendeu Bilal, dizendo: «Acaso a compaixão abandonou teu coração, para que tenhas feito esta mulher passar diante dos corpos de seus entes queridos?». Em seguida, para reparar seu sofrimento e confortá-la, ele a tomou como esposa.

Essa conduta nobre demonstrou que, mesmo no auge da inimizade, a dignidade humana era importante para o Profeta (s.a.w.) (7).

Deus descreve essa misericórdia universal dizendo: «E não te enviamos senão como misericórdia para os mundos» (8).

O perdão geral na conquista de Meca

No oitavo ano após a Hégira, após a violação do Tratado de Hudaybiyyah pelos coraixitas, o Profeta (s.a.w.) marchou em direção a Meca com um exército de dez mil homens.

Quando Meca foi conquistada, enquanto Sa'd ibn Ubadah gritava: «Hoje é o dia da matança», o Profeta declarou: «Hoje é o dia da misericórdia». Em seguida, dirigiu-se aos membros da tribo dos Coraixitas, que temiam pelo próprio destino, e disse: «Ide, pois todos sois livres».

Esse perdão geral foi um dos acontecimentos mais extraordinários da história humana. Ele transformou inimigos ferrenhos em amigos leais e revelou aos opositores a magnanimidade e a grandeza do Islã e de seu Profeta (s.a.w.) (9).

Deus afirma sobre a nobreza de seu caráter: «Foi pela misericórdia de Deus que foste gentil para com eles. E, se tivesses sido rude e de coração duro, eles ter-se-iam afastado de ti» (10).

A visita ao vizinho que o maltratava

Em Meca, o Profeta (s.a.w.) tinha vizinhos que o maltratavam. Todos os dias, quando ele passava, jogavam lixo sobre ele do alto de suas casas. O Profeta jamais reagia.

Certo dia, percebeu que um daqueles vizinhos não havia jogado lixo. Ao perguntar por ele, descobriu que estava doente. O Profeta foi visitá-lo e perguntou gentilmente como estava.

Surpreso com aquela atitude nobre, o homem pediu desculpas ao Profeta e abraçou o Islã. Essa bela história mostra como o amor e a bondade, mesmo diante de maus-tratos, podem conquistar os corações (11).

Misericórdia com as crianças: encurtando a oração por causa do choro de uma criança

O Imam Ja'far al-Sadiq (a.s.) narrou que, certa vez, o Profeta (s.a.w.) estava conduzindo a oração do meio-dia, com muitas pessoas atrás dele. De maneira diferente do habitual, porém, ele terminou rapidamente os dois últimos ciclos da oração.

Após a oração, as pessoas perguntaram o motivo daquela pressa. O Profeta respondeu: «Vocês não ouviram o choro da criança?».

O choro de uma criança que estava próximo ao local da oração tocou o coração misericordioso do Profeta, e ele apressou a oração para poder ir o quanto antes ajudá-la e confortá-la (12).

Simplicidade e ausência de formalismo

Um dos fatores que atraíam as pessoas era a simplicidade e a ausência de ostentação do Profeta (s.a.w.).

O Imam Ali (a.s.), ao descrever o ascetismo e a piedade do Profeta, afirma que ele não consumia deste mundo mais do que o necessário e não se deixava seduzir por seus encantos.

Abu Dharr al-Ghifari também narra que Salman al-Farsi beijou os pés do Profeta, mas ele o impediu e disse: «Ó Salman, não me trates como aos reis; sou apenas um servo entre os servos de Deus» (13).

Deus diz no Alcorão: «Dize: Sou apenas um ser humano como vós; foi-me revelado que vosso Deus é um Deus Único» (14).

Portanto, o segredo da expansão do Islã e da conversão de grandes grupos de pessoas em todo o mundo nunca esteve na espada, mas no caráter sublime, na paciência, na tolerância, no perdão, na simplicidade e na infinita misericórdia do Profeta Muhammad (s.a.w.).

A maneira nobre como tratou um judeu agressivo, o perdão geral na conquista de Meca, a reparação do sofrimento dos prisioneiros, a visita ao vizinho que o maltratava e sua atenção às crianças foram manifestações dessa misericórdia divina que conquistou corações e desarmou a hostilidade de seus adversários.

Assim se concretizou a palavra de Deus sobre ele: «E não te enviamos senão como misericórdia para os mundos» (15).

Essa misericórdia continua sendo, até o fim dos tempos, um caminho para conquistar os corações e iluminar a trajetória daqueles que buscam a verdade.

Notas:

Surata Al-Qalam, versículo 4.

Sira Nabawiyya, Wikishia.

Seis histórias curtas e instrutivas da vida do Profeta da Misericórdia, Meraj Nabawi.

Surata Fussilat, versículo 34.

Adi ibn Hatim al-Ta'i, Wikishia.

«Quem foi Adi ibn Hatim e qual foi seu papel nos acontecimentos do início do Islã?», Shia News.

Safiyya, filha de Huyayy ibn Akhtab, Wikishia.

Surata Al-Anbiya, versículo 107.

Conquista de Meca, Wikishia.

Surata Al Imran, versículo 159.

«A bondade do Profeta», Tebyán.

«A conduta moral do Grande Profeta (s.a.w.)», Noor Specialized Journals.

«A conduta moral do Grande Profeta (s.a.w.)», Noor Specialized Journals.

Surata Al-Kahf, versículo 110.

Surata Al-Anbiya, versículo 107.

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