Há cerca de um mês, quando fui convidada para fazer um discurso durante o Muharram, comecei a pensar no tema. Mas não sabia o que dizer. Não sou tão rigorosa assim, mas este assunto era diferente. Ao contrário de sempre, meu público não seria formado por adolescentes, mas por mulheres. Mulheres com diferentes níveis de escolaridade, em sua maioria donas de casa e, em grande parte, com mais de 30 anos.
Revirei os conteúdos que já tinha em meus canais. Ouvi vários materiais. Consultei diversas pessoas. O tempo estava acabando. Um dos temas que eu havia ouvido exigia um conhecimento prévio. E esse conhecimento prévio era justamente: qual é o lugar da mulher?
Onde se situa a mulher na perspectiva islâmica?!
Eu tinha certeza de que essa questão ainda apresentava lacunas até mesmo entre os religiosos.
Comecei por mim mesma e pelo que sentia. Como uma mulher dedicada ao lar, que passa o dia inteiro correndo para atender às necessidades da família, mas que, à noite, quando tudo fica em silêncio, sente que sua existência neste mundo é completamente vazia e sem sentido.
Como queremos resolver esse sentimento de vazio para as mulheres?
A solução seria tornar-se uma mulher ocidentalizada? Ou seja, chegar aos trinta e poucos anos, ter um casamento parcialmente bem-sucedido e, no fim, apenas um filho. Uma criança que, depois dos seis meses de idade, é praticamente destinada à creche ou à casa dos avós.
Lembro-me de certa vez ter ouvido, em um programa documental, um ator dizer que não se lembrava da última vez em que havia comido uma refeição preparada pela esposa, que também era atriz.
Mas não é essa a questão!
A questão é que a mulher, também atriz, tentava se defender, procurando mostrar que não estava tão distante assim de seu papel feminino. Isso significa que ela própria percebia que, nesse modelo ocidental, não tinha a consciência tranquila. E, além disso, às vésperas dos cinquenta anos, eles ainda não tinham filhos.
Então, a solução seria permanecer uma mulher tradicional?!
Aquele modelo que conhecemos pelos relatos de nossas mães e avós: «Eu nunca tinha visto meu marido antes do casamento!»
Por outro lado, aquelas que eram obrigadas a se casar com um homem da própria família talvez fossem mais felizes. Pelo menos sabiam quem era a pessoa com quem passariam o resto da vida, ainda que o casamento tivesse sido imposto.
E o mais doloroso é que nossa sociedade pensa que essa é a opção que o Islã oferece para a vida da mulher!
E esquece Zaynab, a professora do Alcorão em Kufa.
Esquece Zaynab, cujo discurso deixou os homens completamente impressionados.
Esquece Fátima... que, mesmo sofrendo com as dores no corpo e com o sofrimento causado pelo aborto, bateu à porta de quarenta casas para explicar e defender a questão do Imamato.
E esquece Sukayna, a adolescente que foi uma das narradoras dos acontecimentos de Karbala. Não apenas uma menina que representasse um fardo, mas uma jovem que, se dependesse de nós, provavelmente nem teríamos permitido que viajasse para Karbala.
E qual é, então, a opção do Islã?!
Quando ouço as pessoas recitarem salawat pela alma de nosso líder mártir, preparo a voz.
Escrevo a expressão «o terceiro modelo da mulher». Tenho certeza de que muitas pessoas sequer ouviram esse termo.
Digo que essa foi uma formulação apresentada pelo nosso líder mártir para explicar a visão islâmica sobre a mulher.
Digo que esse é um caminho intermediário. Assim como a visão islâmica sobre determinismo e livre-arbítrio, o Islã propõe aqui um equilíbrio: cada mulher deve encontrar um equilíbrio em sua própria vida.
Ao lado de sua feminilidade e de sua maternidade, ela não deve esquecer que também é um ser humano com participação e responsabilidade social.
Nenhuma dessas dimensões deve ser sacrificada de forma absoluta em favor da outra. Pelo contrário, em cada situação, conforme as necessidades e circunstâncias, uma pode ser colocada a serviço da outra.
A todas as mulheres que ouviram essas palavras, apresento duas orientações.
A primeira é continuar com força e com uma grande intenção pelo caminho da maternidade e da feminilidade.
Devemos pensar em educar homens como Abu al-Fadl para o nosso Imam al-Mahdi.
A segunda é não nos esquecermos de nós mesmas. Nosso crescimento também significa crescimento para a sociedade e para nossos filhos. Devemos estudar e buscar conhecimento para podermos desempenhar um papel ativo na sociedade.
E, por fim, menciono apenas uma gota do vasto oceano da atenção especial de nosso líder mártir à posição da mulher:
🔸 «As mulheres devem sentir responsabilidade e empenhar-se nas questões dos muçulmanos, da sociedade islâmica, do mundo islâmico e de tudo o que acontece no mundo, pois isso constitui um dever islâmico.»(1)
Nota:
(1) Líder Mártir da Revolução Islâmica, 10 de março de 1997.
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