18 fevereiro 2026 - 13:28
Na Festa de Deus, Vista “Marca de Luxo

Muitos de nós, antes de irmos a uma simples festa, passamos horas diante do espelho pensando na combinação das roupas. Mas será que, para participar do banquete do Senhor dos Mundos, também pensamos em uma vestimenta digna para a nossa alma? Neste texto, refletimos sobre as regras da vestimenta espiritual na presença divina, à luz de versículos e tradições.

ABNA Brasil, o Hojjat al-Islam Muhammad Husayn Amin, escritor e pesquisador religioso, abordou em artigo exclusivo o conceito de preparação espiritual para a entrada no mês abençoado de Ramadã.


Uma introdução à Casa do Amigo

Toda festa começa com um convite, e o mês de Deus é o convite emitido em nome de cada um de nós. Quando vamos visitar alguém importante, a primeira pergunta é: “O que devo vestir?” — para estar à altura do anfitrião.

No mundo espiritual, porém, nossa roupa não é feita de tecido, mas de intenções e ações. É isso que molda nossa verdadeira identidade diante dos anjos e do Senhor.


A veste da taqwa: o traje mais belo da servidão

No Alcorão Sagrado, após mencionar a bênção das roupas que cobrem o corpo, Allah fala de uma outra veste, que é a essência de tudo: “وَ لِباسُ التَّقْوی‏ ذلِکَ خَیْرٌ” (1).

A “veste da taqwa” é aquela que não se desgasta, não enruga e torna seu portador honrado aos olhos de Deus. Taqwa significa autocontrole e vigilância — é a força que impede que, no mercado tumultuado deste mundo, nossa alma se manche com o pecado.

A verdadeira elegância no mundo invisível segue critérios diferentes dos da moda contemporânea. Quanto mais cuidamos dos olhos, da língua e do coração, mais “vestidos de marca” estamos espiritualmente.
Quem perdoa mesmo tendo poder, quem permanece humilde mesmo na riqueza, quem estende a mão em vez de apontar o dedo — veste o mais belo traje da servidão.

Na escola da Ahlul-Bayt (a.s.), taqwa não significa isolamento, mas presença ativa na sociedade com um coração que pulsa apenas por Deus. O Nahj al-Balagha, no Sermão 193 (Khutbat Hammam), descreve os piedosos como aqueles cujo vestuário é moderado e cujo caminhar é humilde.
O Ali ibn Abi Talib ensina que o primeiro passo para entrar na festa de Deus é tirar a roupa do orgulho e vestir o manto da humildade.


O perfume do arrependimento: limpando a roupa da alma

Toda roupa, depois de usada, precisa ser lavada. Nossa alma também, no meio da rotina, acumula poeira de negligência e o odor desagradável do pecado.

O arrependimento (tawbah) é o mais poderoso agente purificador. Antes de entrar na festa, devemos nos perfumar com lágrimas sinceras de arrependimento.

O Imam Ja'far al-Sadiq descreveu o arrependimento como a corda que nos liga à misericórdia divina (3). Quando alguém diz com sinceridade “astaghfirullah”, está tirando a roupa manchada do passado e vestindo uma nova veste branca para entrar no banquete celestial.

O Profeta Muhammad disse:
«تَعَطَّرُوا بِالاسْتِغْفَارِ لا تَفْضَحَنَّکُمْ رَوَائِحُ الذُّنُوبِ» (4)
Ou seja, perfumem-se com o istighfar, para que o cheiro dos pecados não os exponha.

O verdadeiro perfume do crente é o aroma do arrependimento.


A seda da ética: a roupa para conviver com as pessoas

Nossa vestimenta na festa divina não é apenas a relação entre nós e Deus; parte dela se manifesta no modo como tratamos os outros.

A boa conduta é como seda que cobre a aspereza dos comportamentos ríspidos. Quem jejua, mas possui língua ferina, é como alguém que veste roupa cara sobre um corpo sujo.

Em Tuhaf al-Uqul (5), é narrado que a boa moral é metade da religião.
E em Ghurar al-Hikam wa Durar al-Kalim (6), é transmitido do Ali ibn Abi Talib:
“Não há vestimenta mais bela que a saúde moral.”

No grande banquete de Deus, o anfitrião olha com mais atenção para aqueles que são mais bondosos com os outros convidados. Não podemos afirmar amar a Deus enquanto mantemos rancor contra Seus servos.

Quando desatamos um nó com um sorriso ou conquistamos um coração com palavras gentis, estamos costurando para nós mesmos uma veste de honra para o Dia em que todos os segredos serão revelados. Essa veste nos aquecerá no frio da Ressurreição.


A roupa mais “exclusiva” de Ramadã é a roupa da servidão.

Vista-a.

Fontes e Referências

  1. Alcorão, Surata Al-A‘raf (7), versículo 26:
    «یا بَنی‏ آدَمَ قَدْ أَنْزَلْنا عَلَیْکُمْ لِباساً یُواری سَوْآتِکُمْ وَ ریشاً وَ لِباسُ التَّقْوی‏ ذلِکَ خَیْرٌ...»
  2. Nahj al-Balagha, Sermão 193 (Khutbat Hammam):
    «...مَلْبَسُهُمُ الِاقْتِصَادُ وَ مَشْیُهُمُ التَّوَاضُعُ»
  3. Misbah al-Sharia, p. 97:
    «التَّوْبَةُ حَبْلُ اللَّهِ وَ مَدَدُ عِنَایَتِهِ...»
  4. Al-Amali, p. 372, hadith 803:
    «تَعَطَّرُوا بِالاسْتِغْفَارِ لا تَفْضَحَنَّکُمْ رَوَائِحُ الذُّنُوبِ»
  5. Tuhaf al-Uqul, p. 45:
    «حُسنُ الخُلقِ نِصفُ الدّینِ»
  6. Ghurar al-Hikam wa Durar al-Kalim, p. 254, hadith 5356:
    «لَا لِبَاسَ أَجْمَلُ مِنَ السَّلَامَةِ»

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