23 março 2026 - 10:24
Atividades políticas e culturais de Aiatola Ali Khamenei do período da presidência ao período da liderança

Aiatola Ali Khamenei, sucessor de Ruhollah Khomeini, tanto no campo da teoria quanto da prática, possuía uma convicção firme no caminho e no pensamento do Imam e procurou continuar esse legado com todas as suas forças. A reorganização das instituições da Revolução Cultural, visitas públicas, encontros com diferentes setores da sociedade, viagens às províncias e a participação no Conselho de Revisão da Constituição estão entre as atividades políticas e culturais de Khamenei durante seu período como presidente e posteriormente como líder. Segundo a descrição de Aiatola Khomeini, ele nunca apresentava seus serviços ao povo de forma ostentatória, mas aconselhava constantemente a sociedade.

De acordo com a Abna Brasil, em 8 de setembro de 1983, Aiatola Khamenei assumiu a primeira grande reorganização do Quartel da Revolução Cultural, com base em um decreto de Khomeini emitido em resposta a uma consulta feita por ele por ocasião da reabertura das universidades.[1]

A segunda reorganização ocorreu em 10 de dezembro de 1984, também com base em uma mensagem de Khomeini. Nessa reforma, o Quartel da Revolução Cultural foi transformado no Supremo Conselho da Revolução Cultural, sendo o presidente da república designado como presidente desse conselho. Khamenei ocupou essa posição até o final de seu segundo mandato presidencial em julho de 1989, desempenhando papel importante na formulação das políticas culturais do país.


Política externa durante a presidência

Durante os oito anos da presidência de Khamenei, o aparato diplomático e a política externa do Irã tornaram-se mais ativos. Uma das características dessa expansão foi o aumento das viagens presidenciais para desenvolver relações internacionais.[2]

Entre essas viagens destacam-se:

  • setembro de 1984: visitas à Síria, Líbia e Argélia;
  • janeiro–fevereiro de 1986: visitas ao Paquistão, Tanzânia, Zimbábue, Angola e Moçambique;
  • setembro de 1986: participação na 8ª Cúpula do Movimento dos Não-Alinhados em Harare.[3]

Em março de 1989, ele também visitou Iugoslávia e Romênia,[4] e posteriormente China e Coreia do Norte.[5]

Khamenei participou ainda da 42ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 31 de setembro de 1987, onde apresentou as posições fundamentais da República Islâmica do Irã aos líderes mundiais.[6] Essa foi a primeira participação de um presidente iraniano na Assembleia Geral da ONU.

Durante essa viagem, ocorreu grande recepção por parte de iranianos e muçulmanos residentes em Nova York, além de intensa cobertura da imprensa internacional. Entre os eventos marcantes da visita esteve a liderança da oração de sexta-feira para os muçulmanos da cidade.


Relações com movimentos islâmicos

Entre outras iniciativas de política externa estavam:

  • estabelecimento de relações organizadas com grupos políticos xiitas no Afeganistão, Iraque e Líbano;
  • criação do Supremo Conselho da Revolução Islâmica no Iraque;
  • formação do Hezb‑e Wahdat Islami do Afeganistão, que unificou oito partidos afegãos.

Essas iniciativas ampliaram o apoio do Irã aos movimentos islâmicos no Líbano, Palestina, Iraque e Afeganistão, fortalecendo a presença regional e internacional do país.


Relação com o povo

Entre suas atividades internas estavam:

  • encontros com diferentes grupos sociais;
  • visitas a instituições e organizações;
  • participação em inaugurações de projetos;
  • viagens às províncias.

A manutenção de contato direto com a população, especialmente com famílias de mártires, foi uma estratégia central de sua presidência. As visitas às casas dessas famílias tornaram-se uma prática regular e uma nova forma de relação entre governantes e povo.


Debate sobre a autoridade do governo islâmico

Em 6 de janeiro de 1988, Khomeini escreveu uma carta a Khamenei relacionada às suas declarações nas orações de sexta-feira em Teerã sobre os limites da autoridade do governo islâmico e da Velayat‑e Faqih. Na carta, Khomeini afirmou que o governo islâmico é uma das normas primárias do Islã e tem precedência sobre todas as normas secundárias.[7]

Khamenei respondeu afirmando sua plena concordância teórica e prática com essa visão.


Criação do Conselho de Discernimento

Devido a divergências entre o parlamento e o Conselho dos Guardiões, Khomeini aprovou em 7 de fevereiro de 1988 a criação do Conselho de Discernimento do Interesse do Sistema.[8]

Khamenei tornou-se o primeiro presidente desse conselho, mantendo essa função até o final de sua presidência.[9][10]


Missões especiais confiadas por Khomeini

Durante sua presidência, Khomeini frequentemente lhe atribuía missões além das funções presidenciais, entre elas:

  • supervisão das relações entre o Exército da República Islâmica do Irã e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica em 1983;[11]
  • acompanhamento das reivindicações iranianas contra os Estados Unidos;[12]
  • criação do departamento de proteção e inteligência do exército;[13]
  • revisão da lei de punições islâmicas (ta‘zīrāt);[14]
  • resolução dos problemas dos iraquianos residentes no Irã.

Revisão da Constituição

Em 4 de maio de 1989, Khomeini designou um conselho para revisar a Constituição. Khamenei foi escolhido como vice-presidente do conselho, ao lado de Akbar Hashemi Rafsanjani, enquanto Ali Meshkini presidia o órgão.

O conselho realizou 41 sessões, discutindo temas como:

  • condições da liderança;
  • organização do poder executivo e judiciário;
  • gestão da mídia estatal;
  • procedimentos futuros de revisão constitucional;
  • número de deputados do parlamento.

Eleição como líder da República Islâmica

Após a morte de Ruhollah Khomeini em 3 de junho de 1989, a Assembleia dos Peritos reuniu-se para escolher o novo líder.

Com base no artigo 107 da Constituição, a assembleia votou e elegeu Ali Khamenei como líder da República Islâmica do Irã, considerando suas qualificações religiosas, científicas e políticas.

Posteriormente, após a revisão constitucional e a realização de referendo, a assembleia confirmou novamente sua liderança com ampla maioria.


Avaliações de Khomeini sobre Khamenei

Khomeini havia elogiado repetidamente Khamenei. Em uma mensagem após um atentado contra ele em 1981, declarou que Khamenei era um servo dedicado do Islã e do povo muçulmano.

Em outra carta, afirmou:

“Considero-o um dos braços fortes da República Islâmica… e uma das raras pessoas que iluminam como o sol.”[7]


Estabilidade após a sucessão

Apesar das preocupações existentes após a morte de Khomeini — incluindo tensões políticas, a guerra recente com o Iraque e crises internacionais como a controvérsia do livro The Satanic Verses de Salman Rushdie — vários fatores trouxeram estabilidade:

  1. rápida eleição de Khamenei como líder;
  2. funeral massivo de Khomeini;
  3. apoio das autoridades e líderes religiosos;
  4. manifestações populares de lealdade ao novo líder.

Khamenei declarou que continuaria o caminho de Khomeini, referindo-se a ele como “a raiz da árvore abençoada da Revolução”.[17]

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