10 março 2026 - 11:58
Da espada de Ibn Muljam ao punhal do ódio judaico: reflexão sobre a semelhança entre dois mártires do mês do Ramadã

O mihrab, na história do xiismo, não é apenas o lugar onde o líder conduz a oração. Ele é um símbolo de firmeza em meio às tempestades. Da Mesquita de Kufa às hussainiyas de hoje, o mihrab recorda uma cena que se repete na história: o martírio de líderes que afastaram a espada da arrogância sobre a comunidade, mas acabaram provando o punhal da hipocrisia sobre suas próprias cabeças. Este texto é um relato sobre a semelhança entre dois líderes que, no mês da revelação do Alcorão, no auge da injustiça sofrida e da firmeza espiritual, partiram ao encontro do seu Senhor.

Agência Internacional Ahl al-Bayt (A.S.) — ABNA Brasil: imagine a Mesquita de Kufa na manhã do dia dezenove de Ramadã. Ali ibn Abi Talib (a.s.), que há anos era como um espinho nos olhos dos inimigos e um osso na garganta dos injustos e desviados, encontra-se em prostração na oração da alvorada quando sua cabeça é golpeada.
Não no campo de batalha contra espadas estrangeiras, mas por uma lâmina envenenada nascida da hipocrisia e do fanatismo. Séculos depois, a história se repete em outro cenário, porém com o mesmo espírito. Embora o corpo do Ayatollah Khamenei ainda esteja entre nós, as narrativas de seus inimigos sobre tentativas de eliminação física e diversos atentados fracassados mostram que ele também se tornou alvo do mesmo ódio que um dia se voltou contra Ali (a.s.). É a mesma inimizade que mudou de forma, mas preservou a sua essência: arrogância imperial e dominação.

Que Ramadã cheio de acontecimentos! O mês em que a descida do Alcorão vale mais que mil meses também testemunhou alguns dos mihrabs mais ensanguentados da história. Ali (a.s.) desferiu nesse mês um golpe tão profundo contra a hipocrisia que garantiu a continuidade do Islã para sempre, mas ele próprio foi martirizado nesse caminho.
Ayatollah Khamenei, ao longo de décadas de liderança, também nesse mês abençoado sempre proclamou mensagens de resistência contra as potências arrogantes. Seu espírito de luta, inspirado na escola de Ali (a.s.), anulou muitos dos planos da arrogância global.

Sobre o assassino do Comandante dos Fiéis foi dito: “ashqā al-ākhirīn”, o mais infeliz e perverso dos homens. Ibn Muljam al-Muradi, movido por uma motivação cega e sob o nome da religião, cometeu um dos atos mais sombrios da história.
Do outro lado, os inimigos atuais da Revolução Islâmica — seja na Casa Branca, seja nos centros estratégicos ligados ao sionismo, seja nos refúgios de grupos hipócritas — representam os mesmos perversos. São aqueles que não suportam a existência de um líder independente e contrário à dominação global.
Ayatollah Khamenei, porém, seguiu com firmeza o caminho traçado por seu mestre: resistir ao opressor até a última gota de sangue.

A semelhança entre o líder mártir e seu grande ancestral também é notável porque ambos chegaram ao martírio no auge de sua força espiritual e política. Ali (a.s.) foi atingido quando o governo de justiça que ele estabelecera estava se consolidando e os fundamentos da equidade no mundo islâmico se fortaleciam. Sua tragédia foi que os kharijitas não enfrentaram sua lógica com argumentos, mas com a espada.
Ayatollah Khamenei também se tornou alvo de ataques duros e sutis em um momento em que a Revolução Islâmica havia se tornado um modelo para os oprimidos do mundo e um terremoto nas estruturas da arrogância global. Sua prova é conduzir o navio da revolução rumo à salvação enquanto enfrenta inimigos externos e, às vezes, a negligência de alguns no interior.

A semelhança desses dois caminhos não é apenas uma coincidência histórica; é uma mensagem. A mensagem de que enquanto existirem mihrabs e enquanto líderes falarem de justiça e resistência nesses mihrabs, sempre surgirão punhais escondidos nas mangas dos perversos.

Se o jovem iraniano hoje olha para o passado, não é para lamentar, mas para aprender. Para compreender que o caminho trilhado por seus líderes é o caminho dos profetas: um caminho difícil, perigoso, mas cheio de honra.
Assim como o sangue de Ali (a.s.) não foi em vão e manteve vivo o Islã, o sangue de todos os mártires do caminho da Wilayah também será a luz que guiará a comunidade.

Nós fazemos um pacto com nosso mestre Ali (a.s.) e com nosso líder mártir Khamenei: enquanto estivermos vivos, permaneceremos fiéis a essa promessa e continuaremos o seu caminho.

Wa al-salām ‘alā man ittaba‘a al-hudā.

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