ABNA Brasil: A paciência é uma das mais elevadas virtudes humanas e divinas, que ocupa um lugar sublime nos ensinamentos islâmicos. Entre os modelos de paciência, Senhora Zaynab al-Kubra (que a paz de Deus esteja sobre ela) brilha como um sol resplandecente; uma mulher que, no coração da tempestade de Karbala, não apenas não se perdeu, mas tornou-se o pilar da tenda da fé e da perseverança. Neste artigo, analisamos a paciência de Senhora Zaynab diante da perda de entes queridos e das provações divinas, e a comparamos com as condições atuais das pessoas, especialmente diante das pressões econômicas e sociais e da perda de familiares.
Primeira parte: A paciência de Senhora Zaynab (s) diante das provações de Karbala
1. A perda do irmão, dos filhos e dos companheiros
Na tragédia de Karbala, Senhora Zaynab (s) testemunhou o martírio de seu irmão, o Imam Hussein (a), de seus filhos Awn e Muhammad, de seus irmãos Abbas, Ja‘far, Abdullah e Uthman, e de dezenas de companheiros fiéis da Ahl al-Bayt. Esse volume de dor e calamidade é devastador para qualquer ser humano; porém, Zaynab al-Kubra, com postura firme, não apenas não demonstrou fraqueza, como, com uma solidez incomparável, levou a mensagem de Ashura aos ouvidos da história.
2. Paciência no cativeiro e na humilhação
Após Ashura, Senhora Zaynab, junto com a caravana dos cativos, foi conduzida de Karbala a Kufa e a Sham, em condições duras e humilhantes. Contudo, diante de Yazid, com um sermão contundente, ela despedaçou a imponência do tirano e demonstrou que sua paciência não era fruto de fraqueza, mas de fé e consciência.
3. Paciência consciente, não passiva
A paciência de Senhora Zaynab foi uma paciência ativa e consciente. Ela não apenas suportou, mas, por meio da gestão da crise, do apoio ao Imam Sajjad (a) e da transmissão da mensagem de Ashura, desempenhou um papel central na preservação do movimento husseini. Essa paciência foi uma combinação de razão, fé e coragem.
Segunda parte: A paciência na era contemporânea; novas provações
1. Pressões econômicas e sociais
No mundo atual, muitas pessoas enfrentam problemas de subsistência, desemprego, inflação e desigualdades sociais. Essas pressões, por vezes, chegam ao limite do colapso psicológico e moral. Em tais circunstâncias, a paciência, como virtude, torna-se ainda mais importante.
2. A perda de entes queridos em tempos de crises
Desde pandemias como a Covid-19 até desastres naturais e tragédias humanas, muitas famílias sofreram a perda de entes queridos. Porém, diferentemente de Senhora Zaynab, que transformou a dor em mensagem, muitas vezes nos afundamos em nossa própria tristeza e ficamos privados de sentido.
3. A diferença no tipo de paciência
A paciência de Senhora Zaynab foi uma paciência divina e orientada por um propósito; já a nossa paciência hoje, por vezes, conduz à inação, à indiferença ou ao desespero. As diferenças nas raízes da fé, na atribuição de significado ao sofrimento e na existência de modelos inspiradores estão entre as causas dessa disparidade.
Terceira parte: Como reviver a paciência zaynabiana na vida de hoje?
1. Retorno ao sentido
O sofrimento, se for destituído de sentido, é esmagador. Mas, se interpretado à luz da fé e de um objetivo elevado, pode tornar-se construtivo. Senhora Zaynab transformou o sofrimento em missão. Nós também podemos, ao dar sentido às dificuldades, transformá-las em oportunidades de crescimento.
2. Inspirar-se na paciência ativa
A paciência zaynabiana esteve acompanhada de ação, esclarecimento e resistência. Diante da injustiça, da corrupção e da desigualdade, a paciência deve caminhar junto com o engajamento social e ético, e não com o silêncio e a passividade.
3. Fortalecimento dos recursos espirituais
A oração, a súplica, a intimidade com o Alcorão e o vínculo com a Ahl al-Bayt são fontes que podem nos tornar resistentes diante das pressões psicológicas e sociais. Assim como Senhora Zaynab não abandonou a oração noturna na noite de Ashura, nós também devemos recorrer a esses recursos.
Senhora Zaynab (que a paz de Deus esteja sobre ela) é o símbolo de uma paciência que brota da fé e conduz à ação. Em nossa era, apesar das diferenças na natureza das provações, ainda é possível beneficiar-se desse modelo. Se enxergarmos a paciência não como mera tolerância, mas como um caminho para dar sentido ao sofrimento, resistir à injustiça e preservar a dignidade humana, então poderemos trilhar o caminho zaynabiano.
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