ABNA Brasil — A Sabedoria trigésima primeira do Nahj al-Balaghah está entre as mais extensas desse livro. Em diversas fontes narrativas, tanto antes quanto depois da compilação do Nahj al-Balaghah por Sayyid Radi, essas palavras foram atribuídas ao Amir al-Mu’minin (a.s.) e também a alguns outros Imames infalíveis (a.s.). Por exemplo, no livro Ghaybat Sheikh Tusi, essas palavras são narradas como parte das exortações do Mensageiro de Deus (s.) ao Imam Ali (a.s.). Alguns pesquisadores mencionam mais de 130 fontes históricas e hadithicas para esse texto, o que evidencia a elevada credibilidade de sua cadeia de transmissão e de seu conteúdo.
Nessa narração, o Imam Ali (a.s.) apresenta, tanto para a fé (iman) quanto para a incredulidade (kufr), quatro pilares fundamentais, e afirma que cada um desses oito pilares possui, por sua vez, quatro fundamentos adicionais. Em outras palavras, a fé é apresentada com quatro pilares, cada um deles composto por quatro dimensões, totalizando dezesseis características da fé. O mesmo esquema é aplicado à incredulidade, resultando igualmente em dezesseis características do kufr.
Embora não seja possível analisar, neste breve texto, todas as 32 características mencionadas, uma leitura contemporânea desse ensinamento permite afirmar que os pilares da fé são apresentados como: paciência, certeza, justiça e jihad. O Imam (a.s.) afirma:
«الْإِیمَانُ عَلَی أَرْبَعِ دَعَائِمَ: عَلَی الصَّبْرِ وَ الْیَقِینِ وَ الْعَدْلِ وَ الْجِهَادِ»
“A fé se sustenta sobre quatro pilares: a paciência, a certeza, a justiça e o jihad.”
Em seguida, após a explicação dos pilares da paciência, da certeza e da justiça, o Imam (a.s.) detalha os fundamentos do jihad:
«وَ الْجِهَادُ مِنْهَا عَلَی أَرْبَعِ شُعَبٍ: عَلَی الْأَمْرِ بِالْمَعْرُوفِ وَ النَّهْیِ عَنِ الْمُنْکَرِ وَ الصِّدْقِ فِی الْمَوَاطِنِ وَ شَنَآنِ الْفَاسِقِینَ؛ فَمَنْ أَمَرَ بِالْمَعْرُوفِ شَدَّ ظُهُورَ الْمُؤْمِنِینَ، وَ مَنْ نَهَی عَنِ الْمُنْکَرِ أَرْغَمَ أُنُوفَ الْکَافِرِینَ، وَ مَنْ صَدَقَ فِی الْمَوَاطِنِ قَضَی مَا عَلَیْهِ، وَ مَنْ شَنِئَ الْفَاسِقِینَ وَ غَضِبَ لِلَّهِ غَضِبَ اللَّهُ لَهُ وَ أَرْضَاهُ یَوْمَ الْقِیَامَةِ»
“O jihad possui quatro ramos: ordenar o bem, proibir o mal, a veracidade nas posições assumidas e a oposição aos corruptos. Aquele que ordena o bem fortalece as fileiras dos crentes; aquele que proíbe o mal humilha os incrédulos; aquele que é verdadeiro nas posições cumpre o que lhe compete; e aquele que se opõe aos corruptos e se ira por Deus, Deus se irará por ele e o satisfará no Dia da Ressurreição.”
Em sua explicação desse hadith, o Líder Supremo interpreta a expressão «الصِّدْقِ فِی الْمَوَاطِنِ» não apenas como sinceridade, mas também como clareza e firmeza nas posições assumidas, e entende «شَنَآنِ الْفَاسِقِینَ» como a oposição aos corruptos, destacando a necessidade de uma delimitação clara de fronteiras em relação a eles.
Nesse contexto, ele afirma:
“Eu não acredito, de forma alguma, que se deva romper totalmente as relações com os incrédulos; não. As fronteiras entre vocês e os incrédulos devem estar claramente definidas; as fronteiras entre vocês e os corruptos devem estar claramente definidas; as fronteiras entre vocês e aqueles que não aceitam a República Islâmica devem estar claramente definidas. Em determinados momentos, pode ser necessário interagir até mesmo com quem não aceita a República Islâmica; porém, deve estar claro que ele é ele, e vocês são vocês. Não se misturem.”
Esse ensinamento evidencia que, no pensamento do Amir al-Mu’minin (a.s.), a fé autêntica exige consciência, clareza de posição e uma delimitação nítida entre os caminhos da fé e da incredulidade, sem confusão nem diluição de princípios.
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