ABNA Brasil — O sermão nº 31 do Nahj al-Balāgha contém parte dos ensinamentos do Imam Ali (a.s.) ao enviar Abdullah ibn Abbas para negociar com os líderes da revolta de Jamal. Essas negociações visavam impedir a continuação da rebelião e apresentar argumentos religiosos claros. Apesar de realizadas várias vezes, o conflito de Jamal terminou tragicamente com a morte de muitos muçulmanos — um desfecho que nunca foi desejado pelo Imam Ali (a.s.), mas tornou-se inevitável.
O Imam Ali (a.s.) indicou a Ibn Abbas como conduzir as negociações, levando em conta a personalidade de cada líder rebelde:
«لاتَلْقَیَنَّ طَلْحَةَ، فَإِنَّکَ إِنْ تَلْقَهُ تَجِدْهُ کَالثَّوْرِ عَاقِصآ قَرْنَهُ. یَرْکَبُ الصَّعْبَ وَ یَقُولُ: «هُوَ الذَّلُولُ»»
Não encontre Talha! Se você o fizer, o encontrará como um boi com os chifres curvados ao redor das orelhas — orgulhoso e arrogante. Ele monta um corcel indomável (do desejo e da paixão) e diz: “Este é um animal dócil!”.
Negociar com alguém orgulhoso e arrogante, que se recusa a aceitar a realidade e tenta forçar os outros a aceitar suas demandas através da demonstração de poder, é inútil. Cartas e emissários enviados, bem como a renúncia de Zubayr à batalha, não conseguiram dissuadi-lo de seus objetivos, e seu orgulho eventualmente custou-lhe a vida.
Em contrapartida, o Imam Ali (a.s.) descreve Zubayr como mais maleável e apto a ouvir a razão:
«وَ لکِنِ آلْقَ الزُّبَیْرَ، فَإِنَّهُ أَلیَنُ عَرِیکَةً فَقُلْ لَهُ: «یَقُولُ لَکَ آبْنُ خَالِکَ: عَرَفْتَنی بِالْحِجَازِ وَ أَنْکَرْتَنِی بِالْعِرَاقِ، فَمَا عَدَا مِمَّا بَدَا؟»»
Mas encontre Zubayr, pois ele é mais flexível. Diga a ele: “Seu primo (Ali) diz: você me reconheceu no Hejaz e me ignorou no Iraque. Por que você rompeu o pacto?”
Fontes históricas apontam que essas conversas influenciaram significativamente a decisão final de Zubayr, que acabou se retirando da participação na batalha.
Embora o objetivo principal do Imam Ali (a.s.) nessas negociações fosse a orientação da comunidade islâmica e a promoção de sua prosperidade e crescimento, podemos analisar essa abordagem com perspectiva moderna:
- Negociações baseadas no poder: visam impor decisões por demonstração de força política, econômica ou militar — semelhante a um boi mostrando seus chifres para intimidar os outros. Tais negociações geralmente não produzem resultados reais, pois o objetivo é apenas forçar a aceitação de decisões já tomadas pelo lado dominante.
- Negociações baseadas em interesses: procuram criar benefícios mútuos e permitem diálogo e decisão sem imposições. Esse tipo de negociação — incluindo formas integrativa e distributiva — é amplamente praticado entre países atualmente e visa estabelecer ganhos compartilhados.
Além disso, atualmente, as características individuais do interlocutor são consideradas antes de qualquer reunião política. Ministérios de Relações Exteriores preparam perfis detalhados para fornecer informações sobre traços pessoais e históricos de cada participante, facilitando negociações mais eficazes. Registros históricos de líderes políticos confirmam que essa abordagem frequentemente contribuiu para o sucesso das negociações.
Your Comment