19 abril 2026 - 09:33
Do Faraó do Egito ao “Faraó” da América: a Lei da Resistência do Povo de Moisés

O Alcorão apresenta características específicas para o “povo de Moisés” (os Filhos de Israel crentes), que se tornaram a base para sua libertação das garras do Faraó. Esses indicadores podem ser comparados com as descrições do líder da Revolução Islâmica sobre o “povo do Irã”.

Agência Internacional Ahl al-Bayt (a.s.) – ABNA: O terceiro Imam e líder da Revolução Islâmica, Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei, declarou recentemente, em uma mensagem dirigida aos países vizinhos do sul (como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos), que:
Vocês estão testemunhando um milagre”.

Essa declaração, publicada no quadragésimo dia do falecimento do líder da Revolução, Seyyed Ali Khamenei, constitui um convite para compreender corretamente as realidades da região e adotar uma posição adequada diante do curso da verdade.

Para compreender esse conceito, pode-se analisá-lo no âmbito do modelo de resistência apresentado na narrativa de Moses (a.s.) e do Faraó no Alcorão. Anteriormente, o líder falecido havia afirmado que o Faraó, no auge de sua arrogância, acabaria afogado — e que o mesmo destino aguardaria as potências arrogantes contemporâneas.

A comparação entre esses dois contextos revela profundas semelhanças estruturais na definição de “milagre” e nos elementos constitutivos do “povo de Moisés”.


1. O conceito de “milagre”: da mão luminosa à presença no campo

Na narrativa corânica, os milagres de Moisés (a.s.), como a transformação do cajado em serpente e a “mão luminosa” (Yad Bayda), eram eventos extraordinários que romperam a ordem natural dominante na sociedade egípcia, dominada pela magia, demonstrando a supremacia da vontade divina.

Na interpretação contemporânea do líder da Revolução, o conceito de milagre ultrapassa os fenômenos naturais e passa a ser definido como “o poder da vontade coletiva e da fé”.

Ele afirmou anteriormente, ao comentar a resistência do povo de Gaza, que:
“Se alguém dissesse que um povo de uma região tão pequena enfrentaria uma grande potência como os Estados Unidos e sairia vitorioso, ninguém acreditaria; porém, esse impossível se realizou pela permissão de Deus”.

Assim, o “milagre”, nessa perspectiva, consiste na superação dos cálculos materiais convencionais. Quando se afirma que “vocês estão testemunhando um milagre”, refere-se a um fenômeno no qual um povo, apesar do cerco econômico, da pressão militar e da guerra propagandística — instrumentos típicos do “faraonismo” de cada época — não apenas resiste, mas se torna um fator determinante nas equações regionais.


2. Os elementos do “povo de Moisés”: características de um povo no caminho da resistência

O Alcorão descreve atributos específicos para o “povo de Moisés”, que podem ser comparados às características atribuídas ao povo iraniano:


1. Paciência e firmeza

Buscai auxílio na paciência e na oração
→ Décadas de resistência diante de uma “frente global de arrogância”, que, segundo o líder, levou o país a avanços em diversas áreas.


2. Obediência à liderança

Por que não combatemos no caminho de Deus?
→ Presença ativa nas ruas e nos campos sociais, enfatizada como continuidade de um movimento coletivo.


3. Confiança em Deus (Tawakkul)

Em Deus depositamos nossa confiança
→ Crença na promessa divina de que Deus basta àquele que n’Ele confia, e de que o impossível pode se tornar possível.


4. Discernimento entre verdade e falsidade

→ Advertência contra as “promessas enganosas” do inimigo e convite a perceber corretamente a realidade e posicionar-se de forma justa.


3. Análise final: o milagre como a permanência de uma vontade

Na visão apresentada, o que ocorre hoje difere do milagre clássico do cajado de Moisés. Trata-se de um milagre caracterizado pela permanência e pelo desenvolvimento de uma nação em meio às maiores dificuldades.

O “Faraó” contemporâneo (o sistema de dominação global) tenta destruir essa vontade por meio de instrumentos mais sofisticados. Entretanto, a presença do povo nas arenas sociais — seja em mobilizações, seja em defesa e construção — transforma-se em uma nova “mão luminosa”, que surpreende os “faraós” de cada época.


Nesta estrutura simbólica:

  • Moses (a.s.) representa a liderança justa e fundamentada em Deus.
  • O povo de Moisés representa uma nação que, apesar das pressões, mantém sua resistência e alcança progresso.
  • O Faraó simboliza sistemas de dominação e poderes arrogantes que sustentam promessas ilusórias.
  • O milagre consiste na união entre “confiança em Deus” e “presença ativa no campo”, capaz de desafiar as leis convencionais da política e do poder.

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