Agência Internacional de Notícias Ahl al-Bayt (ABNA): Os dualistas (¹) – como os antigos persas – diziam: “Sim, o mundo é composto de bem e mal e possui dois criadores, pois se o Criador fosse bom, não criaria as coisas más; e se fosse mau, não criaria as coisas boas e benéficas.”(²)
Eles acreditavam em dois criadores: 1. Criador do bem. 2. Criador do mal. Segurança, saúde, paz, amizade, afabilidade, cordialidade e amor provêm do criador do bem; enquanto inimizade, derramamento de sangue, guerra, fome e doença provêm do criador do mal.
Todavia, do ponto de vista dos monoteístas (unitários), que possuem um monoteísmo mais completo que os demais, neste universo não existe algo chamado mal absoluto; antes, tudo é bem, e não há sistema de criação melhor do que este. Se não houvesse visão dupla (estrabismo), estudos inspirados no politeísmo, más sugestões e más educações, nada se veria neste mundo senão o bem. Aqueles que veem o mundo como composto de bem e mal são estrábicos (vesgos).
A pergunta que se coloca é: se não existem males, então o que chamamos de mal? E que lugar ocupam no livro da criação divina?
A resposta é: aquilo que chamamos de mal e mau, ou é em si mesmo inexistência (não-ser), ou acarreta inexistência, ou seja, é um ser que, enquanto ele mesmo, é bom, e é mau apenas na medida em que acarreta uma inexistência; e é mau somente por acarretar essa inexistência, não por qualquer outra razão. Nós consideramos a ignorância, a pobreza e a morte como más. Essas coisas são, por natureza, inexistência. Chamamos de más as serpentes, as feras, os micróbios e as pragas – mas estas acarretam inexistência.(³)
Ignorância (falta de conhecimento), pobreza, morte, doença, cegueira, surdez e similares são coisas não-existenciais, sendo respectivamente a não-existência do conhecimento, a não-existência da riqueza, a não-existência da vida, a falta de saúde, a ausência da visão e da audição. Em todas elas, há uma perda, não uma aquisição. Quando metemos a mão no bolso e o encontramos vazio de dinheiro, dizemos que fomos afligidos por um mal: a falta de dinheiro é ausência de dinheiro, algo inexistente. Mesmo nas questões morais e nos traços feios é assim: a tirania é a inexistência da justiça; a impudicícia é a ausência do pudor; e a impiedade e a falta de castidade são a ausência da piedade e da castidade.
Quanto às coisas que causam inexistência – como as feras, os animais peçonhentos – e que chamamos de más, não as chamamos assim porque elas mesmas sejam más. Se não tivessem a consequência de dilacerar, picar e, em última análise, levar à morte, jamais lhes atribuiríamos o nome de mau ou mal. Portanto, o que é mau é algo que decorre delas – e essas decorrências são todas inexistência, não existência. Doença e morte resultantes de dilaceramento, picada, contaminação por micróbios, e a destruição de plantas e plantações causada por pragas – tudo isso é inexistência e falta. Não são, pois, coisas existenciais para serem atribuídas a um agente, de modo que venhamos a escolher e designar para elas, como os dualistas, um deus e um criador separado.(⁴)
Notas:
(¹) Para saber mais sobre o dualismo, pode-se consultar a obra “Justiça Divina” do Professor Martirizado Morteza Motahhari (Coleção de Obras, vol. 1, p. 88, edição Sadra, Teerã, 2004 – e outras edições).
(²) Idem.
(³) Idem, p. 150, “O mal é inexistente”.
(⁴) Compilado do livro: “Ética Islâmica no Nahj al-Balaghah”, de Naser Makarem Shirazi; preparação e organização: Akbar Khadem al-Zakerin; edição Nove Jovem, Qom, 2006, 1ª ed., vol. 1, p. 286.
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